Coalizão Brasileira pelas Evidências realiza ciclo de oficinas sobre construção de indicadores
Concluída em dois encontros virtuais, nos dias 21 e 28 de julho, a programação fez parte da iniciativa Forma Coalizão e abordou conceitos e ferramentas de monitoramento, avaliação e construção de indicadores para projetos e políticas públicas.
Como transformar objetivos em indicadores que possam, de fato, orientar o acompanhamento dos resultados? Essa foi uma das questões centrais das “Oficinas de Indicadores: Conceito, ferramentas e prática para monitorar resultados.” Os encontros foram conduzidos pelo professor Ery Jardim, doutor em Educação e mestre em Design Estratégico, especialista internacional em OKR e sólida trajetória nas áreas de ciência, análise de dados e estatística.
Realizada no âmbito da iniciativa Forma Coalizão, do Grupo de Trabalho de Educação Permanente, a proposta de aprendizagem prática teve como objetivo contribuir tanto para o desenvolvimento das capacidades dos participantes quanto para o processo de revisão e monitoramento dos indicadores da própria Coalizão.
Da teoria à prática
No primeiro encontro, realizado em 21 de julho, as(os) participantes fizeram um nivelamento sobre conceitos fundamentais de monitoramento, avaliação e indicadores. A atividade contou com a introdução a conceitos e metodologias e ferramentas práticas em torno dos OKRs (objetivos e resultados-chave). De acordo com a teoria compartilhada por Ery, os objetivos (O) indicam “o que” alcançar, enquanto os resultados-chave (KRs) mapeiam “como” atingir essas metas com ações mensuráveis. A partir disso, a formação também abordou exemplos reais com base em indicadores de planejamento da Coalizão.
A partir dessa base comum, o segundo encontro, realizado em 28 de julho, teve um olhar mais aplicado. Os participantes trabalharam na construção e no aprimoramento de indicadores, discutiram possibilidades em pequenos grupos e receberam orientações para a etapa seguinte de revisão e validação dos indicadores dos GTs da Coalizão.
Próximos passos
Para além da revisão dos indicadores da Coalizão, o ciclo foi pensado como uma oportunidade de formação e fortalecimento das capacidades das pessoas envolvidas na rede, buscando aproximar conceitos e ferramentas de planejamento que aprimorem a visão e construção conjunta de trabalho dos diferentes grupos que compõem a Coalizão.
“Ao longo dos dois encontros, fomos aproximando os conceitos da prática, especialmente a partir de exemplos e exercícios, o que ajudou a tornar a discussão mais acessível. A iniciativa integra as ações da Coalizão para fortalecer capacidades e promover espaços de aprendizagem e colaboração entre seus integrantes”, comenta Maíra Barroso Pereira, membro da Coalizão, representante do GT Educação Permanente.
GT de Comunicação da Coalizão Brasileira pelas Evidências
Coalizão Brasileira pelas Evidências e Instituto Veredas produzem Resposta Rápida sobre tecnologias de descarbonização para a ONU
Elaborado por uma equipe de 10 pesquisadoras(es), o estudo sintetiza as principais evidências científicas encontradas em mais de 200 artigos, mapeando oportunidades, riscos, e desafios de equidade e governança das tecnologias de descarbonização.
Diante da urgência climática, a descarbonização e a transição para uma economia de baixo carbono ganharam destaque nas agendas e acordos internacionais, mas sua viabilidade ainda depende de fatores políticos, econômicos e sociais. Nesse contexto, a Coalizão Brasileira pelas Evidências e o Instituto Veredas, ao longo de março de 2025 reuniram e sistematizaram evidências sobre as tecnologias de descarbonização para o Conselho Consultivo Científico da Organização das Nações Unidas (ONU), mapeando conceitos, oportunidades, riscos e questões de equidade e governança.
A pesquisa surgiu a partir de uma demanda do Conselho de Assessoramento Científico (Scientific Advisory Board) da Universidade das Nações Unidas articulada pela McMaster University que distribuiu os temas estratégicos entre organizações do Sul Global para garantir que as revisões rápidas fossem realizadas em tempo oportuno.
Embora exista um relevante número de estudos sobre descarbonização e diferentes tecnologias, a revisão encontrou sínteses de evidências de baixa qualidade sobre os riscos e as oportunidades das tecnologias de descarbonização, além de muito poucas evidências empíricas dedicadas à equidade e à governança dessas tecnologias.
Questões-chave
Com o desafio de concluir a revisão das sínteses de evidências em 10 dias úteis, a produção do documento contou com a colaboração de 10 autoras(es) para triagem, análise e categorização das evidências. O documento foi feito com base nas seguintes perguntas:
Como a literatura científica define a descarbonização e quais tecnologias estão abrangidas por essa definição?
Quais são os principais riscos — incluindo aspectos relacionados à equidade — e as oportunidades associadas à descarbonização e às tecnologias a ela relacionadas?
Quais têm sido as experiências dos países na governança das tecnologias de descarbonização?
As perguntas-chave nortearam o processo de busca e triagem das evidências, que resultou em 205 artigos, e sua classificação por relevância (alta, média ou baixa) junto às(aos) pesquisadoras(es).
“O que mais me marcou foi perceber que a extração de dados vai muito além de preencher uma planilha. Cada artigo apresentava informações com diferentes níveis de clareza, estrutura e detalhamento metodológico, o que exigia interpretar cuidadosamente quais dados realmente respondiam às perguntas-chave e manter a padronização entre todos os estudos. A interação da equipe em um ambiente virtual foi um grande facilitador para esclarecer dúvidas, alinhar interpretações, compartilhar experiências e construir entendimentos de forma colaborativa”, comenta Maíra Barroso Pereira, doutoranda em Medicina Translacional da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unisfesp), colaboradora do Instituto Vértice e membro do GT de Educação Permanente da Coalizão
O que mostram os resultados
Em relação ao conceito, a maioria dos documentos não apresentou uma definição explícita de descarbonização. O termo aparece associado, de forma implícita, à redução sustentada de emissões, a emissões líquidas zero de gases de efeito estufa, à neutralidade de carbono, a emissões negativas, à transição para uma economia de baixo ou zero carbono, a tecnologias de remoção de dióxido de carbono e à transição para tecnologias limpas ou fontes de energia renovável.
A viabilidade econômica aparece como a principal barreira à adoção dessas tecnologias. Altos custos iniciais, processos intensivos em energia, dependência de matérias-primas críticas, desafios de infraestrutura e retornos financeiros incertos dificultam sua implementação em larga escala.
As evidências demonstram elevado potencial para setores intensivos em emissões, como manufatura, energia, transporte, agricultura e construção. Essas tecnologias podem contribuir para enfrentar desafios ambientais e, ao mesmo tempo, gerar benefícios econômicos, como criação de empregos, segurança energética e maior eficiência no uso de recursos.
Além dos aspectos tecnológicos, as evidências ressaltam a importância de considerar as dimensões de equidade e governança na transição. Os benefícios e riscos da descarbonização podem ser distribuídos de forma desigual, afetando especialmente países e comunidades com menor capacidade de investimento e adaptação.
Para uma transição justa e efetiva, os estudos destacam a necessidade de marcos regulatórios robustos, mecanismos de financiamento, coordenação entre diferentes atores e processos participativos de tomada de decisão.
“A Coalizão aplicou o método de revisão rápida aperfeiçoado pela Universidade McMaster do Canadá, incluindo as melhores sínteses de evidências já publicadas mundo afora e complementando com estudos sobre aspectos de equidade e governança. O trabalho foi dividido para garantir que os processos de seleção, extração e avaliação de qualidade metodológica dos estudos fossem conduzidos com rigor, ao mesmo tempo em que parte da equipe trabalhava numa síntese narrativa dos achados em linguagem mais amigável e alinhada com as perguntas da ONU”, afirma Laura Boeira, psicóloga (UFRGS), mestre em Bioética (UnB) e doutora em Psicologia Social (PUCRS). Laura atua como gestora de redes e parcerias no Instituto Veredas e co-diretora do Hub de Evidências da América Latina e do Caribe (HubLAC)
GT de Comunicação da Coalizão e Comunicação Veredas
Equidade e institucionalização das Políticas Informadas por Evidências são temas da 5ª Reunião Ampliada da Coalizão
Na 5ª Reunião Ampliada de 2026, especialistas convidadas trouxeram aprendizados de pesquisas e adaptação de ferramentas internacionais para fortalecer as PIE no Brasil.
Realizada de forma virtual, na segunda (27/07), a reunião ampliada da Coalizão reuniu mais de 30 participantes, promovendo diálogo e troca de experiências e aprendizados com base em evidências no contexto das políticas públicas.
1. Vitrine das Evidências | “Evidências, equidade e o Poder Legislativo.”
O primeiro diálogo foi trazido por Laura Boeira, membro do Instituto Veredas, que compartilhou os principais achados da sua tese de doutorado: “Até onde enxergam os olhos da casa do povo? Considerações sobre equidade nas proposições legislativas municipais”, com foco na Câmara Municipal de Porto Alegre (RS). A pesquisa abordou metodologias de busca e análises sobre ferramentas de equidade em políticas, avaliação de equidade e inclusão social nos projetos de lei, assim como percepções de servidores e representantes sobre o tema.
Ao avaliar 278 projetos de lei de iniciativa parlamentar, a pesquisa identificou que mais de 70% não apresentavam impacto social frente às políticas existentes ou junto aos grupos sociais vulnerabilizados.
Dentre as lições na conclusão da pesquisa, ela aponta que os projetos de lei nem sempre são o melhor instrumento para promoção da equidade, sendo recomendada a ampliação da participação popular, o fortalecimento das comissões e a valorização de processos de co-criação. Também foi ressaltado o papel da academia no fortalecimento institucional, apoiando a produção e interpretação de dados, assim como na co-criação de projetos de lei.
Laura Boeira é psicóloga (UFRGS), mestre em Bioética (UnB) e doutora em Psicologia Social (PUCRS), e atua como gestora de redes e parcerias no Instituto Veredas e co-diretora do Hub de Evidências da América Latina e do Caribe (HubLAC).
2. Roda de diálogo: “Diagnósticos Situacionais em Políticas Informadas por Evidências (PIE): análises e aplicações no contexto brasileiro”
Painel 1: “Como os fatores sociais e políticos fortaleceram a institucionalização das PIE no Brasil”
A pesquisadora Veronica Osorio Calderón compartilhou achados de sua pesquisa de doutorado na University College London (UCL), abordando os fatores políticos e sociais que influenciam a institucionalização de políticas informadas por evidências na América Latina e Caribe, incluindo estudo de caso do Brasil.
Segundo ela, esses fatores variam em importância ao longo do tempo, interagindo com diferentes domínios de institucionalização, como governança, cultura, recursos, liderança, parcerias e processos. No estudo de caso brasileiro, observou-se que a institucionalização depende da capacidade de adaptação das instituições e dos atores frente às mudanças no contexto político.
“Aqui o papel dos pesquisadores e servidores da gestão pública é muito relevante porque são muito bem capacitados, conhecendo bem o sistema de evidências do Brasil, mas também todo o funcionamento e características do governo e sociedade brasileira”, destaca Veronica.
Veronica Osorio é economista e doutora (PhD) pela University College London (UCL), especializada em políticas públicas baseadas em evidências e saúde global.
Painel 2: “Projeto EVIPolicy: Adaptação e Aplicação da Checklist da Organização Mundial da Saúde (OMS) para fortalecer as PIE no Brasil”
A pesquisadora Luciane Lopes apresentou a experiência da adaptação transcultural da Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ela detalhou as fases de adaptação transcultural da ferramenta, que possui 73 itens, organizados em 6 domínios e 5 fases de desenvolvimento. Os domínios incluem: (1) Governança; (2) Normas e processos rotinizados; (3) Liderança e compromissos; (4) Recursos e desenvolvimento; (5) Parcerias e ação coletiva; e (6) Cultura e apoio.
A aplicação do checklist foi realizada com diferentes núcleos de evidência e pesquisadores(as) no Brasil, como ferramenta estratégica para estimular reflexão institucional, orientar ações e apoiar o fortalecimento do uso sistemático de evidências na tomada de decisão.
“Foi muito comentado que quem participava desse processo de aplicação, saía diferente. Isso foi avaliado por meio de questionário. Alguns grupos conseguiram enxergar em que fases eles estavam e em que domínios precisavam amadurecer.”, destacou Luciane.
Luciane Lopes é coordenadora do Núcleo de Evidências para Políticas (NEv Seriema) e professora titular do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (PPGCF-Uniso).
Para saber mais sobre o Evipolicy, acesse a página do Núcleo de Evidências para Políticas Nev SERIEMA ou a página do projeto ECOEVI da coalizão.
Acesse os materiais na íntegra:
Se você perdeu a reunião ou quer se aprofundar nos debates e metodologias apresentadas pelas especialistas, confira os conteúdos completos disponibilizados pela Coalizão:
Texto: Comunicação Colaborativa Coalizão Brasileira pelas Evidências
Institucionalizar uso de evidências pode ampliar capacidade do SUS, defendem especialistas em reunião da Coalizão Brasileira pelas Evidências
Durante a 48ª Reunião Ampliada, especialistas do Hospital Sírio-Libanês, HCor e Beneficência Portuguesa de São Paulo discutiram como projetos do Proadi-SUS podem fortalecer políticas informadas por evidências, ampliar a capacidade do SUS e garantir resultados sustentáveis por meio de governança, formação de lideranças e avaliação de impacto.
Como garantir que projetos de grande escala deixem um legado real, sustentável e duradouro para o Sistema Único de Saúde (SUS)? Essa foi a questão central da 48ª Reunião Ampliada da Coalizão Brasileira pelas Evidências, realizada de forma virtual, na segunda (29/07), e que reuniu cerca de 40 participantes para discutir a institucionalização das Políticas Informadas por Evidências (PIE) no desenho e na implementação de projetos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
Com o tema “Institucionalização das políticas informadas por evidências no desenho de projetos: experiências do Proadi-SUS”, o encontro promoveu a troca de experiências entre especialistas de hospitais de excelência envolvidos no programa e pesquisadoras(es) que atuam na promoção do uso de evidências na gestão pública.
Três frentes de inovação com Políticas Informadas por Evidências (PIE)
O painel central do webinário foi dividido em três apresentações:
1. Projeto Espie e a Formação de Lideranças
O médico Sílvio Fernandes, coordenador do projeto Estratégias para Políticas Informadas por Evidências (Espie) pelo Hospital Sírio-Libanês, detalhou os esforços de mais de uma década da iniciativa, que já formou mais de 100 especialistas em PIE em todas as regiões do Brasil. Hoje, o projeto apoia secretarias estaduais e municipais na implementação de Núcleos de Evidências (NEV), mudando a cultura organizacional de dentro para fora.
“Não adianta o projeto passar pelo SUS. Precisa deixar mudanças concretas e duradouras. Essa é uma preocupação que nós temos: o projeto precisa deixar mudanças concretas como contribuição para o que ele se propõe”, afirma Sílvio Fernandes (Hospital Sírio-Libanês)
2. Capacitação e Diretrizes Metodológicas
A especialista do HCor, Tatiana Yonekura, trouxe a experiência de anos de atuação da instituição que une a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) às PIE. A instituição já capacitou cerca de 1,5 mil profissionais de saúde e se concentra, sobretudo, na tradução do conhecimento por meio do desenvolvimento de diretrizes e sínteses de evidências. Tatiana ressaltou as parcerias interinstitucionais.
“A gente nunca trabalha sozinho, todo esse percurso só foi possível pela colaboração. (…) É muito caro pra gente apoiar a sustentabilidade dos processos. Queremos que de fato tudo o que a gente produz seja implementado e não seja apenas engavetado”, afirma Tatiana Yonekura (HCor)
3. Avaliação de Impacto e Causalidade
O painel foi concluído com a apresentação de Cleyton Zanardo, líder de dados e estatísticas da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP). Cleyton detalhou a rigorosa abordagem econométrica e quantitativa adotada pelo hospital para medir a inferência causal de projetos estratégicos, como o PlanificaSUS e o QualiGuia, e reforçou a importância da união entre os olhares quantitativos e qualitativos.
“É um desafio, não é fácil. Mas cada vez que a gente consegue executar uma avaliação, mesmo ela às vezes não sendo positiva, eu fico muito feliz porque é uma vitória”, avalia Cleyton.
A mediação do diálogo foi conduzida por Jessica Farias, representante da Coalizão, e Frederik Dejonghe, pesquisador do Insper.
O debate trouxe reflexões sobre os benefícios das parcerias no âmbito do Proadi-SUS, especialmente na transferência de capacidades técnicas para o SUS, e sobre os riscos relacionados à necessidade de maior apropriação institucional e governança. Frederik mencionou os recursos investidos no programa, que somam cerca de R$3 bilhões no último ciclo, e apontou para o principal desafio das parcerias público-privadas na saúde.
“O risco de delegar parte da responsabilidade para um parceiro privado é que às vezes o Ministério [da Saúde] não consegue se apropriar disso. Então, tem que ter uma governança que se preocupa com a troca de conhecimentos e o estabelecimento disso na prática”, avaliou Frederik Dejonghe.
Além das reflexões sobre os desafios em relação às abordagens para monitoramento e compreensão dos resultados do programa, participantes levantaram também o ponto da sustentabilidade dos conhecimentos produzidos e transferidos aos territórios, incluindo a importância de adaptações locais para garantir a aplicabilidade das estratégias em diferentes contextos do SUS.
Acesse os materiais na íntegra:
Se você perdeu a reunião ou quer se aprofundar nos debates e metodologias apresentadas pelos especialistas, confira os conteúdos completos disponibilizados pela Coalizão:
Texto: Comunicação Colaborativa Coalizão Brasileira pelas Evidências
Ipea lança livro sobre Políticas Públicas Informadas por Evidências, com artigos de autoria da Coalizão
A coletânea possui 21 artigos, escritos por mais de 70 autores(as), e aponta caminhos para uma governança informada por evidências.
*Além de saber mais sobre o evento de lançamento, confira no fim da matéria a entrevista exclusiva com Natália Massaco Koga, que comenta sobre a trajetória de organização e elaboração da publicação
A publicação é composta por 21 capítulos que reúnem mais de 70 autores(as) de cerca de 60 organizações nacionais e internacionais. Para organizar as diferentes linhas de pesquisa, o livro foi dividido em 4 seções: desafios contemporâneos; Modelo moderado de evidências;experiências de institucionalização de uso de evidências; e práticas de intermediação e coprodução de evidências.
Autoras(es) e organizadoras(es) apontam o cenário atual, marcado por diversas transformações tecnológicas e as disputas de narrativa no contexto informacional, como ponto de partida para a ideia do livro. Nesse contexto, a produção de conhecimento para subsidiar a formulação das políticas públicas torna-se um debate cada vez mais relevante na agenda política. Apesar do avanço desse debate, ainda persistem importantes assimetrias na forma como evidências são produzidas, traduzidas e incorporadas aos processos decisórios.
“A coletânea é fruto de uma comunidade que, desde 2019, vem dialogando sobre esse tema. Nesses anos de pesquisa empírica, percebemos que o termo ‘evidência’ passou a fazer parte do nosso cotidiano. E é impossível falar em ampliar o uso de evidências sem também discutir o aprimoramento da governança democrática. As evidências são mais um elemento desse arranjo, e o livro traz contribuições importantes para sinalizar caminhos nesse sentido”, afirma Natália. Koga, pesquisadora do Ipea e organizadora da publicação.
(imagens: Flickr Semana da Avaliação – IPEA)
“O livro mostra que não basta mais evidências e uma defesa geral da ciência. Não basta comunicar melhor evidências. É preciso realizar um trabalho ‘de base’ para construir legitimidade, confiança e uma cultura de evidências a nível local para passar essa barreira da bolha.”, complementa Marisa von Büllow, diretora do Instituto de Ciência Política e membro do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB).
“Um dos maiores desafios para o uso de evidências nas políticas públicas são produções descoladas da realidade concreta da administração pública, que não dialogam com o dia a dia da política”, completa Tamile Dias, Coordenadora-Geral de Avaliação e Organização de Evidências da Diretoria de Altos Estudos da Escola Nacional de Administração Pública (Enap).
Além de Natália e Marisa, a mesa do debate foi composta por Pedro Palotti, que também é um dos organizadores da publicação, e Luseni de Aquino, da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest/Ipea).
Colaboração da Coalizão Brasileira pelas Evidências
(imagens: Flickr Semana da Avaliação – IPEA)
A Coalizão Brasileira pelas Evidências está presente na publicação por meio da contribuição de diversos autores e autoras. Essa participação reflete não apenas a capacidade de produção de conhecimento da rede, mas também os aprendizados acumulados a partir de experiências concretas de uso de evidências em políticas públicas. Além disso, reforça o potencial da articulação multissetorial para fortalecer capacidades, promover o diálogo entre diferentes atores e construir arranjos colaborativos que favoreçam a governança democrática das evidências.
“No nosso capítulo a gente traz um grande desafio, que é como poder unir essas diferente vozes das políticas informadas por evidências, dando as condições para que todas as pessoas possam desde um início de um problema de política pensar junto como ele pode se desdobrar em um produto de evidência que informe realmente a tomada de decisão. A gente revisou experiências do mundo todo que trazem exemplos muito interessantes, além das experiências do Brasil”, afirma Laura Boeira, gestora de Redes e Parcerias do Instituto Veredas.
“A mensagem que deixamos aos gestores é que integrem a ciência à experiência das comunidades. Por que as melhores políticas nascem da colaboração”, completa Ingrid Abdala, diretora-executiva do Instituto Veredas
Doutora em Ciência Política pela University of Westminster e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG). Natália é pesquisadora do Ipea e organizadora da publicação.
(imagens: Flickr Semana da Avaliação – IPEA)
1. A coletânea reúne mais de 70 autores(as) de diferentes setores e organizações. Quais foram os principais desafios no processo de articulação, organização e síntese de tantas perspectivas? E, ao mesmo tempo, quais os maiores ganhos de construir uma visão multidisciplinar sobre Políticas Informadas por Evidências?
Natália: Entendo que a reunião desse coletivo foi possível graças a uma série de circunstâncias favoráveis. A primeira delas foi o estágio de maior maturidade dos estudos sobre temáticas que as/os organizadoras/es avaliaram como centrais e urgentes no campo das Políticas Públicas Informadas por Evidências, como o desmonte de políticas, a desinformação, o negacionismo, a institucionalização do uso de evidências e a coprodução do conhecimento.
O desafio inicial foi reunir representantes desses diferentes campos de estudo em uma mesma coletânea. Nossa primeira satisfação foi constatar que os convites foram prontamente aceitos por essas dezenas de autoras(es). O fato de contarmos com sete organizadoras/es, que mobilizaram redes, perspectivas e expertises igualmente diversas, certamente viabilizou esse engajamento inicial.
A partir de então, nossos principais desafios passaram a ser garantir a publicação da coletânea em tempo hábil para que ela permanecesse atual — especialmente em um ano eleitoral — e construir uma narrativa que representasse, ainda que minimamente, o conjunto dessas múltiplas contribuições. Novamente, a colaboração de todos os envolvidos — autoras(es), pareceristas, direção da Diest/Ipea, equipe técnica, editorial e de comunicação do Ipea — foi essencial para que o lançamento ocorresse durante a Semana da Avaliação, ampliando o alcance da publicação e sua aderência tanto ao público leitor almejado quanto às mensagens centrais da obra.
Quanto à narrativa construída pela(os) organizadoras(es), ela foi elaborada não apenas por meio do diálogo entre nós, mas também em interação com autoras(es) em encontros virtuais, e durante a elaboração e a troca de pareceres. Acreditamos, assim, que a busca por um processo plural e dialógico de produção da coletânea foi justamente um dos seus principais ganhos, por ter permitido o fortalecimento das relações desse coletivo e o aprofundamento de suas reflexões.Esperamos que o resultado desse esforço pela pluralidade na construção do livro torne a coletânea acessível e significativa para diferentes comunidades.
2. Como você enxerga o papel da articulação em redes para o avanço da institucionalização do uso de evidências na gestão pública, sobretudo nos parâmetros discutidos no livro, como o fortalecimento de capacidades e arranjos para uma governança democrática?
Natália: É fundamental. O que aprendemos ao longo destes anos de pesquisa é que a evidência é definida e circula de diferentes formas, a depender do contexto da política pública e do contexto decisório. Portanto, não existe uma forma certa ou errada de institucionalizar o uso de evidências. É necessário compreender as especificidades de cada contexto e desenvolver arranjos institucionais mais adequados para promover culturas situadas de uso de evidências.
Redes plurais comprometidas com o compartilhamento de aprendizados, experiências e conhecimentos, levando em conta essa perspectiva contextual, como a Coalizão Brasileira pelas Evidências e a ReneDH no Brasil — tema abordado em um capítulo escrito por vários colegas dessas redes —, são essenciais para compreender essas especificidades e explorar caminhos para a boa institucionalização do uso de evidências considerando o contexto.
3. Quais são os principais legados que vocês esperam deixar com esta publicação para o campo das Políticas Informadas por Evidências? E que aprendizados ou agendas futuras vocês acreditam que podem inspirar uma próxima edição?
Natália: Pessoalmente, espero que a coletânea contribua para trazer a política e os valores para o centro do campo das Políticas Informadas por Evidências. Precisamos, sim, investir no desenvolvimento e na sustentabilidade da técnica, mas o momento atual nos ensina que, para preservar o papel da técnica, é imprescindível e urgente fortalecer a política — entendida aqui como o processo democrático e plural de construção de ações públicas voltadas ao enfrentamento de desafios coletivos.
Para isso, a produção e a mobilização de conhecimento para a governança democrática das políticas públicas também precisam explicitar os valores e interesses que vêm sendo representados em seus processos, reconhecer aqueles que têm ficado de fora e revisar suas práticas para que possam incorporá-los.
Como muitos puderam acompanhar durante o lançamento, ainda há diversas frentes que precisam ser desenvolvidas e aprofundadas. Além de ampliar o entendimento sobre os diferentes processos de institucionalização e as distintas culturas de evidências nas áreas de políticas públicas, é essencial expandir os estudos sobre esses temas nos governos locais e nos Poderes Legislativo e Judiciário, de modo a compreender melhor os desafios e as possibilidades do uso de evidências para a governança democrática.
Também é um campo promissor avançar em estudos comparativos internacionais, capazes de analisar as relações entre diferentes culturas de evidências e fenômenos globais, como a desinformação, o enfraquecimento democrático e as transformações trazidas pela inteligência artificial.
Por último, tenho que destacar que um grande desafio que nós mesmos/as enfrentamos em nossa agenda de pesquisa é como avançar na coprodução de evidências em nossos próprios estudos. Novamente, as experiências das redes mencionadas e retratadas em vários capítulos de colegas no livro, abrem vários caminhos de experimentação e aprendizado.
Em síntese, creio que esta coletânea é também um convite a novas interações, colaborações e processos de aprendizagem em rede.
GT Comunicação Coalizão
Coalizão Brasileira pelas Evidências lança o Relatório de Atividades de 2025 e destaca mapeamento inédito do campo das evidências para saúde no Brasil
A publicação traz o mapa com 336 profissionais e organizações que formam a Rede de Evidências do SUS e destaca a importância das redes colaborativas para a produção de ferramentas para a gestão pública e a expansão das Políticas Informadas por Evidências (PIE) em todo o território nacional.
A Coalizão Brasileira pelas Evidências lançou o Relatório de Atividades 2025, que revela um ano de intensa articulação entre a academia, a gestão pública e a sociedade civil, e reflete o amadurecimento da rede e o aprofundamento das Políticas Informadas por Evidências (PIE) em todas as regiões do país.
Articulação em rede e projeção internacional
A forte atuação em rede e a presença em eventos estratégicos marcaram o ano de 2025, projetando a Coalizão nacional e internacionalmente. As nove Reuniões Ampliadas mensais revelaram as iniciativas inovadoras da rede, mantendo um forte engajamento, com a participação média de 32 pessoas por encontro. No cenário externo, o grupo assumiu uma posição de liderança e voz ativa do Sul Global ao integrar o consórcio internacional Evidence Synthesis Infrastructure Collaborative (Esic) e participar do encontro Cape Town Consensus, realizado em junho de 2025, na África do Sul.
“A articulação entre diferentes atores é um mecanismo poderoso para superar a lacuna entre a produção do conhecimento científico e a sua aplicação nas políticas públicas, gerando transformações reais no Brasil, América Latina e em outros cenários mundo afora”, afirma Cintia de Freitas Oliveira, representante do Instituto de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES) de São Paulo.
Esse intercâmbio foi complementado por uma participação intensa em eventos nacionais de grande relevância, como o 14º Abrascão, a Semana da Avaliação 2025 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília e o 2º Seminário Internacional de Avaliação de Políticas Públicas em Saúde da Universidade de São Paulo (USP). “A participação de membros da Coalizão no Esic foi fundamental para orientar as prioridades de financiamento para o Sul Global, destacando nossas competências de produção e intermediação de evidências”, afirma Laura Boeira, responsável por Parcerias e Redes do Instituto Veredas.
A força dos Grupos de Trabalho
Para responder às agendas emergentes e garantir a sustentabilidade das ações, a rede expandiu a atuação criando novos Grupos de Trabalho (GTs) temáticos dedicados à Inteligência Artificial e à intersecção entre Educação e Evidências. Esse movimento estratégico foi acompanhado pela elaboração do Plano de Ação 2025 a 2027, cuidadosamente estruturado para conectar a oferta e a demanda de conhecimento, capacitar profissionais e institucionalizar processos. Em paralelo, a metodologia de compartilhar experiências reais de transformação foi consolidada por meio da iniciativa “Histórias de Mudança”, com três novas edições ao longo do ano – duas em formato inédito e interativo com transmissão ao vivo.
As frentes de Desenvolvimento e Comunicação ganharam novas ferramentas para multiplicar o alcance da ciência no país. O GT de Educação Permanente atuou efetivamente promovendo oficinas e debates relevantes por meio das “Quartas de Evidência”, e celebrou o lançamento da terceira edição do curso de Tradução do Conhecimento em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
“Ter um GT voltado para a educação básica é vital para o fortalecimento da pesquisa em educação que se propõe a contribuir com as políticas públicas e seu aprimoramento”, completa Julciane Rocha, representante da PUC-SP que também integra o GT Educação.
Já a área de Comunicação deu um grande salto qualitativo com a criação da Rede de Comunicadoras(es), criada para fortalecer a divulgação científica de forma colaborativa, além de promover a repaginação completa do site oficial da Coalizão, que agora tem foco em acessibilidade e recursos avançados de inclusão, como o VLibras, que traduz trechos selecionados do site para Língua Brasileira de Sinais (Libras).
“As Quartas de Evidência se destacam como momentos formativos voltados ao debate sobre indicadores para subsidiar nosso planejamento estratégico, com abordagens complementares. Outra ação importante desenvolvida pelo GT foi o mapeamento do perfil em docência e em pesquisa dos participantes da Coalizão”, avalia Maíra Barroso Pereira, representante da EPM-Unifesp e integrante do GT de Educação Permanente
Ecoevi-Brasil
Um dos principais destaques do relatório é o Projeto Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil (Ecoevi-Brasil), que mapeou 336 organizações da infraestrutura estratégica de evidências no SUS. A partir das análises, foi possível identificar um dado que exige atenção. No cenário nacional, 85% do ecossistema se concentra na produção de conhecimento, mas apenas 12% atua na mediação e somente 3% no uso direto na gestão.
“Procuramos manter a Rede EvipNET viva e atuante de várias formas para que ela possa dar robustez às decisões do SUS. Com o Ecoevi-Brasil conseguimos fazer o reconhecimento e a qualificação dessa rede. Todos esses resultados vão dar suporte para a elaboração de futuros projetos do Ministério da Saúde, o que comprova a importância dessa parceria”, afirma Marta Roberta Santana Coelho, representante do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde.
As (Os) pesquisadoras (es) e gestoras (es) envolvidas (os) celebraram a entrega de ferramentas metodológicas validadas, como a versão adaptada da Lista de Verificação (checklist) da OMS para institucionalização de PIE, que permite a autoavaliação interna para o fortalecimento das organizações, e o Manual de Análise Situacional, adaptado ao contexto brasileiro, que está pronto para ser aplicado em outros níveis federativos.
“Formamos uma rede de pessoas comprometidas a estabelecer resultados que mostraram a potência de quem trabalha para e com o SUS. Esperamos melhorar a qualidade das políticas públicas, dos programas e ações que são feitos e monitorados no Sistema Único de Saúde”, afirma Fernanda Campos de Almeida Carrer, coordenadora científica do Ecoevi. Os resultados estão disponíveis nos cinco relatórios e cinco resumos executivos regionais em linguagem acessível, que sintetizam os principais achados e recomendações para o Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Financiado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e articulado com o Ministério da Saúde, o Ecoevi-Brasil contou com a parceria do Instituto Veredas, da Universidade de Sorocaba (Uniso) e da Universidade de São Paulo (USP), reunindo expertise técnica e acadêmica para o mapeamento do ecossistema de evidências em saúde no Brasil.
Múltiplas metodologias foram colocadas em prática num percurso que contribuiu para furar bolhas, reconhecer privilégios e, sobretudo, ampliar o olhar para a realidade e as necessidades de outros cenários”, conclui Alan Maicon de Oliveira, representante da Uniso.
Welcome Trust abre chamada para financiamento global de até £1,9 milhão de libras para criação de hubs de evidências. Inscrições até 7 de maio
A Wellcome Trust anunciou chamada de financiamento para estabelecer cinco novos hubs globais de infraestrutura de síntese de evidências em países de baixa e média renda (LMICs).
Se você ou sua organização tem experiência ou deseja atuar na produção de sínteses de evidências para políticas sociais, contribuindo para qualificar o uso de Inteligência Artificial no contexto da tomada de decisões, esta chamada é para você.
A convocatória integra a Evidence Synthesis Infrastructure Collaborative (ESIC), iniciativa lançada em 2024 com compromisso de investimento de £45 milhões de libras esterlinas para fortalecer e modernizar a produção de síntese de evidências, tornando-as mais rápidas, acessíveis e relevantes para tomadores de decisão em políticas públicas para o desenvolvimento social.
O objetivo da convocatória é apoiar estruturas capazes de produzir sínteses de evidências de forma contínua, rápida e com uso estratégico de tecnologias, incluindo Inteligência Artificial.
Localização da organização administradora dos recursos: Países de baixa ou média renda (exceto China continental)
Frequência: Única
Valor do financiamento: £1,5 a £1,9 milhão (espera-se realizar 5 premiações nesta chamada)
Duração do financiamento: 3 a 5 anos
Quem pode se candidatar
O candidato principal ou a organização administradora devem estar sediados em qualquer país ou região do Sul Global, mas a equipe pode incluir pesquisadores de qualquer país (exceto China continental). As equipes devem ter entre 4 e 8 integrantes, combinar expertise em produção e uso de evidências, metodologia, tecnologia e formulação de políticas, e seguir princípios de equidade e ciência aberta.
Cada hub deve atuar em um dos cinco setores alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU:
sistemas alimentares;
assistência humanitária;
crescimento econômico;
paz e instituições eficazes;
proteção social.
Ao mesmo tempo, os projetos precisam ter conexão clara com pelo menos uma das prioridades estratégicas da Wellcome em saúde: 1) clima e saúde, 2) doenças infecciosas, 3) saúde mental ou 4) pesquisa de descoberta.
São incentivadas candidaturas de equipes que:
tragam diversidade de expertise e perspectivas, com colaborações interdisciplinares cobrindo múltiplas áreas
incluam pesquisadores em diferentes estágios de carreira, de experientes a iniciantes
Outras informações relevantes sobre o perfil e condições para a candidatura estão na página oficial.
Datas importantes
7 de abril de 2026 — Prazo para verificação de escopo
7 de maio de 2026 — Prazo para submissão das candidaturas (até 15h BST)
Junho de 2026 — Revisão pelo comitê
Julho de 2026 — Decisão
Webinar informativo
No dia 18 de março, a organização realizará um webinar de esclarecimento para potenciais candidatos, com informações detalhadas sobre elegibilidade, critérios e processo de submissão. Inscreva-se aqui.
Base de dados Hub LAC e Coalizão Brasileira pelas Evidências: conecte-se a potenciais parceiros
O Hub de Evidências da América Latina e Caribe (Hub LAC) e a Coalizão Brasileira pelas Evidências (CBE) estão mobilizando agentes-chave interessados na formação de hubs regionais e candidaturas colaborativas para esta chamada.
Mapear organizações e profissionais interessados via formulário em 3 idiomas (Por, Esp, Ing);
Facilitar conexões estratégicas entre atores da América Latina e Caribe.
Como faço para me conectar?
A página funciona como uma janela pública de visibilidade para organizações e profissionais que autorizaram a divulgação de seus dados no formulário.
O Hub LAC e a Coalizão Brasileira pelas Evidências não realizam a intermediação nem a articulação direta entre os cadastrados. Nosso papel é disponibilizar, de forma transparente, as informações enviadas.
As conexões devem acontecer de maneira autônoma e voluntária, a partir do interesse direto entre profissionais e organizações listadas na página.
➡️ Interessados podem se cadastrar por meio do formulário e acessar a base para se conectar a organizações e profissionais, gerando colaborações estratégicas para esta oportunidade.
✨ Nossa expectativa é que este espaço fortaleça a presença da região nesse contexto global de investimento estratégico no futuro da síntese de evidências e
Comunicação HubLAC e CBE
Coalizão Brasileira pelas Evidências mapeia 336 organizações que formam Rede de Evidências do SUS
Pesquisa nacional inédita revela a infraestrutura de produção, tradução e uso de evidências para a saúde pública, identificando pontos fortes e desafios de articulação em cada região do país
Um levantamento inédito, realizado ao longo de 14 meses, identificou e catalogou a rede de 336 organizações e indivíduos que constituem a infraestrutura estratégica para produzir e usar evidências no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. O mapeamento é o principal resultado do Projeto Ecoevi-Brasil, desenvolvido entre outubro de 2024 e dezembro de 2025.
A iniciativa é fruto das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais da Coalizão Brasileira pelas Evidências e foi realizada por uma parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (Uniso) e a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e financiamento da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O diagnóstico foi construído a partir de quatro componentes metodológicos principais que se complementaram para fornecer uma visão abrangente do ecossistema:
Mapeamento de organizações atuantes;
Autoetnografia organizacional, para compreender histórias e dinâmicas internas;
Aplicação da Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), adaptada para avaliar a institucionalização do uso de evidências; e
Análise Situacional, por meio de oficinas regionais que cruzaram dados oficiais com a percepção de agentes-chave.
O estudo revela uma rede diversa, mas com uma concentração massiva na área da produção de conhecimento (85% dos mapeados) e uma fragilidade na ponte entre a ciência e a tomada de decisão, com apenas 12% atuando na mediação e 3% no uso direto de evidências.
“Queríamos saber quem tá produzindo evidências para o SUS, quem tá consumindo essas evidências e quem tá ajudando a aproximar essas evidências de quem toma decisão”, explica Fernanda Carrer, coordenadora-científica do projeto. “Com o resultado, queremos melhorar a qualidade das políticas públicas de saúde, dos programas e das ações que são feitas, monitoradas e avaliadas no SUS”, completa.
A supervisora geral do projeto, Bethânia Suano, destaca que, além do diagnóstico, o Ecoevi entrega duas ferramentas validadas para o contexto nacional: “um manual de análise situacional e a lista de verificação da OMS, que não prevê uma avaliação comparativa nem um ranking, mas uma autoavaliação interna que poderá ser utilizada pelas organizações para seu próprio fortalecimento”.
Retrato Nacional
Do total mapeado, 167 são pesquisadores e núcleos de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vinculados ao Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), evidenciando a força da ciência orientada para as prioridades do SUS. Em seguida, aparecem 36 Núcleos de Evidências (NEVs) da rede EVIPNet Brasil – número que já subiu para 40 após a conclusão do mapeamento –, 33 núcleos de ciência e tecnologia, 20 instâncias governamentais e 76 indivíduos ou instituições cadastrados na Coalizão Brasileira pelas Evidências.
“Ao percorrer as cinco regiões foi possível perceber um ecossistema emergente, diverso, que tem desafios, que tem potencialidades, que é vivo e está se transformando”, avalia Júlia, pesquisadora do projeto. A distribuição dos NEVs, estruturas-chave para traduzir ciência em política, revela certa desigualdade regional: Nordeste (16), Sudeste (14), Centro-Oeste (6), Sul (2) e Norte (2).
“Queremos atuar para fortalecer cada vez mais essa rede, não só ampliando o número de NEVs reconhecidos, mas toda a rede em si porque esses resultados vão dar suporte para o planejamento do Ministério da Saúde”, afirma Marta Coelho, representante do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde.
Desafios e potenciais em cada região
Entre os produtos que resultaram do Ecoevi-Brasil, estão cinco relatórios regionais que detalham as características singulares e os obstáculos comuns enfrentados pelo ecossistema de evidências:
Região Norte (27 organizações mapeadas): O diagnóstico aponta um ecossistema emergente e marcado por contrastes, com apenas dois NEVs para atender uma vasta região. A autoetnografia mostrou organizações lutando contra o isolamento geográfico e institucional. Um achado positivo foi a identificação de iniciativas bem-sucedidas de tradução do conhecimento, como o Projeto Ofídio-Venom-Saúde em Rondônia, que integra pesquisa, política pública e comunidade.
Região Nordeste (103 organizações mapeadas): Possui a maior rede de NEVs do país (16), com destaque para a forte vocação territorial e pluralismo epistemológico identificado na autoetnografia. As organizações da região se caracterizam por integrar saberes tradicionais e científicos. No entanto, a Análise Situacional apontou fragilidades digitais e a Lista de Verificação revelou limitações em “Recursos e Desenvolvimento”, comprometendo a sustentabilidade.
Região Centro-Oeste (26 organizações mapeadas): A região apresenta governança interna relativamente estruturada, segundo a Lista de Verificação, mas sofre com fragilidade na coordenação regional. Os desafios são agravados pela alta rotatividade de gestores e pela fragmentação dos sistemas de informação, conforme a Análise Situacional.
Região Sudeste (104 organizações mapeadas): É o polo de maior capacidade científica e concentração de NEVs (14). A Lista de Verificação da OMS revelou uma cultura organizacional madura, mas apontou a Governança como uma fragilidade. A Análise Situacional destacou o gargalo da conectividade (apenas 31% das UBS com internet adequada) como um limitante crítico.
Região Sul (62 organizações mapeadas): Possui uma base sólida de produção científica, mas a infraestrutura para aplicar evidências na gestão é limitada. Com apenas dois NEVs, a região enfrenta uma deficiência crítica na mediação do conhecimento. A Análise Situacional identificou a ausência de mecanismos sistemáticos de articulação entre governo, universidades e núcleos.
Caminhos para o Futuro
Os resultados convergentes de todas as regiões apontam para dois caminhos estratégicos para o fortalecimento do ecossistema. O primeiro é a institucionalização de mecanismos de governança que criem comitês, fluxos e mandatos formais para o uso de evidências, superando a dependência de iniciativas individuais. O segundo é o fortalecimento da capilaridade e articulação em rede, especialmente por meio dos NEVs, para que funcionem como hubs regionais que conectem a produção científica às secretarias de saúde municipais e estaduais.
O Projeto Ecoevi-Brasil deixa um legado duplo: um mapa vivo dos atores que podem tornar o SUS cada vez mais fundamentado em ciência robusta e contextualizada, e as ferramentas metodológicas validadas para que esses próprios atores possam continuar a se avaliar e fortalecer. A tarefa agora, como indica o estudo, é transformar essa capacidade instalada em impacto concreto e sistêmico na saúde pública brasileira.
Coalizão Brasileira pelas Evidências apresenta plano para disseminar resultados de projeto que mapeia núcleos de evidências para saúde no país
A Coalizão Brasileira pelas Evidências apresenta nesta quinta (11/12) um Plano de Disseminação estruturado para divulgar os principais resultados do Projeto Ecoevi-Brasil – Ecossistema de evidências para saúde do Brasil. O objetivo é garantir que as informações alcancem públicos estratégicos, formados por tomadoras(es) de decisão, gestoras(es) e sociedade civil, promovendo a utilização de evidências na formulação de políticas públicas de saúde no Brasil.
O projeto é resultado das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais da Coalizão e realizado por uma parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (Uniso) e a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e com financiamento da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).
Com objetivo de mapear, analisar e consolidar o ecossistema de produção, tradução e aplicação de evidências científicas no Brasil, dentre as metodologias, o Ecoevi-Brasil adotou o uso de ferramentas validadas, como a Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma ferramenta desenvolvida pela Rede para Políticas Informadas por Evidências (EVIPNet Global) que permite mapear domínios relacionados à institucionalização do uso de evidências na formulação de políticas de saúde. A ferramenta avalia a capacidade organizacional e os processos associados.
O plano de disseminação contempla:
Públicos estratégicos: gestoras(es) públicas(os), pesquisadoras(es), sociedade civil, profissionais de saúde e financiadoras(es).
Produtos e plataformas: relatórios regionais, sumários acessíveis, artigos científicos, webinários, oficinas presenciais e um mapa colaborativo digital.
Cronograma de atividades: oficinas, treinamentos, webinários e encontros presenciais em todas as regiões do país.
Estratégias de comunicação: site da Coalizão, redes sociais, parcerias institucionais e participação em eventos científicos.
O documento também inclui uma análise de riscos, estratégias de mitigação, monitoramento contínuo e a apresentação da equipe técnica multidisciplinar responsável pela execução.
OMS divulga material sobre Agenda Global de Pesquisa sobre Tradução do Conhecimento e Políticas Informadas por Evidências
A iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), tem agora material acessível também em português. A Coalizão Brasileira pelas Evidências (CBE) e outras redes estão convidadas a apoiar a disseminação e implementação das ações
🔗 Você pode consultar a apresentação da Agenda em português aqui.
O que é a Agenda Global de Pesquisa?
A Agenda Global de Pesquisa sobre Tradução do Conhecimento e Formulação de Políticas Informadas por Evidências (PIE) é uma iniciativa liderada pela OMS para identificar e definir prioridades de pesquisa. O objetivo final é apresentar uma Agenda Global baseada em consenso entre os diferentes participantes do ecossistema, que impulsione pesquisas impactantes sobre Tradução do Conhecimento e PIE, bem como e fortaleça os vínculos entre pesquisa e políticas públicas.
Como foi elaborada a Agenda Global de Pesquisa?
Em dezembro de 2023, a OMS lançou uma Chamada Pública de Especialistas para convidar pesquisadoras(es) e profissionais de Tradução do Conhecimento de todas as regiões da OMS (5 continentes) a participar do processo de desenvolvimento da Agenda.
Um grupo diverso de 131 especialistas de mais de 40 países, abrangendo os setores de saúde e políticas sociais, sociedade civil, academia, governos, agências da Organização das Nações Unidas (ONU), além de organizações internacionais — contribuiu para o desenvolvimento do projeto.
Esses especialistas identificaram e refinaram conjuntamente as prioridades de pesquisa, culminando na criação da Agenda Global de Pesquisa.
O trabalho de identificação e definição das prioridades de pesquisa concentra-se em:
Melhorar a eficiência e as sinergias na pesquisa em Tradução do Conhecimento;
Compreender o uso bem-sucedido de evidências na formulação de políticas;
Direcionar o financiamento para as áreas prioritárias identificadas;
Aumentar a conscientização sobre a pesquisa em Tradução do Conhecimento e o uso de evidências;
Fortalecer a colaboração em todo o ecossistema de evidências.
“Uma parte importante é envolver grupos que já estão profundamente engajados na tradução do conhecimento, […] grupos que possam orientar a contextualização dessa agenda global para a região.” disse Rose Oronje, Diretora da Public Policy and Knowledge Translation at the African Institute of Development Policy.
Por que precisamos de uma Agenda Global de Pesquisa?
Na era atual de narrativas concorrentes e desinformação, é fundamental que as políticas sejam informadas pelas melhores evidências disponíveis. Apesar do progresso significativo em Tradução do Conhecimento e PIE, ao longo dos anos, os resultados de pesquisas e outras formas de evidência ainda são subutilizados nos processos de formulação de políticas.
A pesquisa em Tradução do Conhecimento, que estuda os métodos para promover a incorporação de evidências para as políticas públicas, enfrenta desafios devido à falta de coordenação de esforços entre quem pesquisa e quem toma decisão na gestão pública, o que leva tanto à duplicação de esforços quanto a estudos com poucos recursos. Uma agenda de pesquisa unificada pode fornecer orientação e diretrizes para melhorar a colaboração e a coordenação estratégicas entre as partes interessadas, a fim de impulsionar melhores resultados nas intervenções sociais.
Próximos passos em disseminação
Em breve, serão publicados outros produtos de disseminação, como um relatório da OMS, uma publicação acadêmica, um kit de ferramentas de implementação, entre outros recursos para apoiar a Agenda Global de Pesquisa.
“O primeiro passo deve ser garantir que haja uma ampla aceitação da agenda entre os atores nacionais e regionais, ou seja, eles devem estar convencidos do valor da agenda antes que haja, de fato, uma verdadeira adesão.” Donald Simeon, diretor do Caribbean Centre for Health Systems Research and Development, University of the West Indies.
Como posso me envolver?
Utilize a apresentação disponível aqui para apoiar o compartilhamento e a divulgação da iniciativa.