Ipea lança livro sobre Políticas Públicas Informadas por Evidências, com artigos de autoria da Coalizão
A coletânea possui 21 artigos, escritos por mais de 70 autores(as), e aponta caminhos para uma governança informada por evidências.
*Além de saber mais sobre o evento de lançamento, confira no fim da matéria a entrevista exclusiva com Natália Massaco Koga, que comenta sobre a trajetória de organização e elaboração da publicação
A publicação é composta por 21 capítulos que reúnem mais de 70 autores(as) de cerca de 60 organizações nacionais e internacionais. Para organizar as diferentes linhas de pesquisa, o livro foi dividido em 4 seções: desafios contemporâneos; Modelo moderado de evidências;experiências de institucionalização de uso de evidências; e práticas de intermediação e coprodução de evidências.
Autoras(es) e organizadoras(es) apontam o cenário atual, marcado por diversas transformações tecnológicas e as disputas de narrativa no contexto informacional, como ponto de partida para a ideia do livro. Nesse contexto, a produção de conhecimento para subsidiar a formulação das políticas públicas torna-se um debate cada vez mais relevante na agenda política. Apesar do avanço desse debate, ainda persistem importantes assimetrias na forma como evidências são produzidas, traduzidas e incorporadas aos processos decisórios.
“A coletânea é fruto de uma comunidade que, desde 2019, vem dialogando sobre esse tema. Nesses anos de pesquisa empírica, percebemos que o termo ‘evidência’ passou a fazer parte do nosso cotidiano. E é impossível falar em ampliar o uso de evidências sem também discutir o aprimoramento da governança democrática. As evidências são mais um elemento desse arranjo, e o livro traz contribuições importantes para sinalizar caminhos nesse sentido”, afirma Natália. Koga, pesquisadora do Ipea e organizadora da publicação.
(imagens: Flickr Semana da Avaliação – IPEA)
“O livro mostra que não basta mais evidências e uma defesa geral da ciência. Não basta comunicar melhor evidências. É preciso realizar um trabalho ‘de base’ para construir legitimidade, confiança e uma cultura de evidências a nível local para passar essa barreira da bolha.”, complementa Marisa von Büllow, diretora do Instituto de Ciência Política e membro do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB).
“Um dos maiores desafios para o uso de evidências nas políticas públicas são produções descoladas da realidade concreta da administração pública, que não dialogam com o dia a dia da política”, completa Tamile Dias, Coordenadora-Geral de Avaliação e Organização de Evidências da Diretoria de Altos Estudos da Escola Nacional de Administração Pública (Enap).
Além de Natália e Marisa, a mesa do debate foi composta por Pedro Palotti, que também é um dos organizadores da publicação, e Luseni de Aquino, da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest/Ipea).
Colaboração da Coalizão Brasileira pelas Evidências
(imagens: Flickr Semana da Avaliação – IPEA)
A Coalizão Brasileira pelas Evidências está presente na publicação por meio da contribuição de diversos autores e autoras. Essa participação reflete não apenas a capacidade de produção de conhecimento da rede, mas também os aprendizados acumulados a partir de experiências concretas de uso de evidências em políticas públicas. Além disso, reforça o potencial da articulação multissetorial para fortalecer capacidades, promover o diálogo entre diferentes atores e construir arranjos colaborativos que favoreçam a governança democrática das evidências.
“No nosso capítulo a gente traz um grande desafio, que é como poder unir essas diferente vozes das políticas informadas por evidências, dando as condições para que todas as pessoas possam desde um início de um problema de política pensar junto como ele pode se desdobrar em um produto de evidência que informe realmente a tomada de decisão. A gente revisou experiências do mundo todo que trazem exemplos muito interessantes, além das experiências do Brasil”, afirma Laura Boeira, gestora de Redes e Parcerias do Instituto Veredas.
“A mensagem que deixamos aos gestores é que integrem a ciência à experiência das comunidades. Por que as melhores políticas nascem da colaboração”, completa Ingrid Abdala, diretora-executiva do Instituto Veredas
Doutora em Ciência Política pela University of Westminster e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG). Natália é pesquisadora do Ipea e organizadora da publicação.
(imagens: Flickr Semana da Avaliação – IPEA)
1. A coletânea reúne mais de 70 autores(as) de diferentes setores e organizações. Quais foram os principais desafios no processo de articulação, organização e síntese de tantas perspectivas? E, ao mesmo tempo, quais os maiores ganhos de construir uma visão multidisciplinar sobre Políticas Informadas por Evidências?
Natália: Entendo que a reunião desse coletivo foi possível graças a uma série de circunstâncias favoráveis. A primeira delas foi o estágio de maior maturidade dos estudos sobre temáticas que as/os organizadoras/es avaliaram como centrais e urgentes no campo das Políticas Públicas Informadas por Evidências, como o desmonte de políticas, a desinformação, o negacionismo, a institucionalização do uso de evidências e a coprodução do conhecimento.
O desafio inicial foi reunir representantes desses diferentes campos de estudo em uma mesma coletânea. Nossa primeira satisfação foi constatar que os convites foram prontamente aceitos por essas dezenas de autoras(es). O fato de contarmos com sete organizadoras/es, que mobilizaram redes, perspectivas e expertises igualmente diversas, certamente viabilizou esse engajamento inicial.
A partir de então, nossos principais desafios passaram a ser garantir a publicação da coletânea em tempo hábil para que ela permanecesse atual — especialmente em um ano eleitoral — e construir uma narrativa que representasse, ainda que minimamente, o conjunto dessas múltiplas contribuições. Novamente, a colaboração de todos os envolvidos — autoras(es), pareceristas, direção da Diest/Ipea, equipe técnica, editorial e de comunicação do Ipea — foi essencial para que o lançamento ocorresse durante a Semana da Avaliação, ampliando o alcance da publicação e sua aderência tanto ao público leitor almejado quanto às mensagens centrais da obra.
Quanto à narrativa construída pela(os) organizadoras(es), ela foi elaborada não apenas por meio do diálogo entre nós, mas também em interação com autoras(es) em encontros virtuais, e durante a elaboração e a troca de pareceres. Acreditamos, assim, que a busca por um processo plural e dialógico de produção da coletânea foi justamente um dos seus principais ganhos, por ter permitido o fortalecimento das relações desse coletivo e o aprofundamento de suas reflexões.Esperamos que o resultado desse esforço pela pluralidade na construção do livro torne a coletânea acessível e significativa para diferentes comunidades.
2. Como você enxerga o papel da articulação em redes para o avanço da institucionalização do uso de evidências na gestão pública, sobretudo nos parâmetros discutidos no livro, como o fortalecimento de capacidades e arranjos para uma governança democrática?
Natália: É fundamental. O que aprendemos ao longo destes anos de pesquisa é que a evidência é definida e circula de diferentes formas, a depender do contexto da política pública e do contexto decisório. Portanto, não existe uma forma certa ou errada de institucionalizar o uso de evidências. É necessário compreender as especificidades de cada contexto e desenvolver arranjos institucionais mais adequados para promover culturas situadas de uso de evidências.
Redes plurais comprometidas com o compartilhamento de aprendizados, experiências e conhecimentos, levando em conta essa perspectiva contextual, como a Coalizão Brasileira pelas Evidências e a ReneDH no Brasil — tema abordado em um capítulo escrito por vários colegas dessas redes —, são essenciais para compreender essas especificidades e explorar caminhos para a boa institucionalização do uso de evidências considerando o contexto.
3. Quais são os principais legados que vocês esperam deixar com esta publicação para o campo das Políticas Informadas por Evidências? E que aprendizados ou agendas futuras vocês acreditam que podem inspirar uma próxima edição?
Natália: Pessoalmente, espero que a coletânea contribua para trazer a política e os valores para o centro do campo das Políticas Informadas por Evidências. Precisamos, sim, investir no desenvolvimento e na sustentabilidade da técnica, mas o momento atual nos ensina que, para preservar o papel da técnica, é imprescindível e urgente fortalecer a política — entendida aqui como o processo democrático e plural de construção de ações públicas voltadas ao enfrentamento de desafios coletivos.
Para isso, a produção e a mobilização de conhecimento para a governança democrática das políticas públicas também precisam explicitar os valores e interesses que vêm sendo representados em seus processos, reconhecer aqueles que têm ficado de fora e revisar suas práticas para que possam incorporá-los.
Como muitos puderam acompanhar durante o lançamento, ainda há diversas frentes que precisam ser desenvolvidas e aprofundadas. Além de ampliar o entendimento sobre os diferentes processos de institucionalização e as distintas culturas de evidências nas áreas de políticas públicas, é essencial expandir os estudos sobre esses temas nos governos locais e nos Poderes Legislativo e Judiciário, de modo a compreender melhor os desafios e as possibilidades do uso de evidências para a governança democrática.
Também é um campo promissor avançar em estudos comparativos internacionais, capazes de analisar as relações entre diferentes culturas de evidências e fenômenos globais, como a desinformação, o enfraquecimento democrático e as transformações trazidas pela inteligência artificial.
Por último, tenho que destacar que um grande desafio que nós mesmos/as enfrentamos em nossa agenda de pesquisa é como avançar na coprodução de evidências em nossos próprios estudos. Novamente, as experiências das redes mencionadas e retratadas em vários capítulos de colegas no livro, abrem vários caminhos de experimentação e aprendizado.
Em síntese, creio que esta coletânea é também um convite a novas interações, colaborações e processos de aprendizagem em rede.
GT Comunicação Coalizão
Coalizão Brasileira pelas Evidências lança o Relatório de Atividades de 2025 e destaca mapeamento inédito do campo das evidências para saúde no Brasil
A publicação traz o mapa com 336 profissionais e organizações que formam a Rede de Evidências do SUS e destaca a importância das redes colaborativas para a produção de ferramentas para a gestão pública e a expansão das Políticas Informadas por Evidências (PIE) em todo o território nacional.
A Coalizão Brasileira pelas Evidências lançou o Relatório de Atividades 2025, que revela um ano de intensa articulação entre a academia, a gestão pública e a sociedade civil, e reflete o amadurecimento da rede e o aprofundamento das Políticas Informadas por Evidências (PIE) em todas as regiões do país.
Articulação em rede e projeção internacional
A forte atuação em rede e a presença em eventos estratégicos marcaram o ano de 2025, projetando a Coalizão nacional e internacionalmente. As nove Reuniões Ampliadas mensais revelaram as iniciativas inovadoras da rede, mantendo um forte engajamento, com a participação média de 32 pessoas por encontro. No cenário externo, o grupo assumiu uma posição de liderança e voz ativa do Sul Global ao integrar o consórcio internacional Evidence Synthesis Infrastructure Collaborative (Esic) e participar do encontro Cape Town Consensus, realizado em junho de 2025, na África do Sul.
“A articulação entre diferentes atores é um mecanismo poderoso para superar a lacuna entre a produção do conhecimento científico e a sua aplicação nas políticas públicas, gerando transformações reais no Brasil, América Latina e em outros cenários mundo afora”, afirma Cintia de Freitas Oliveira, representante do Instituto de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES) de São Paulo.
Esse intercâmbio foi complementado por uma participação intensa em eventos nacionais de grande relevância, como o 14º Abrascão, a Semana da Avaliação 2025 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília e o 2º Seminário Internacional de Avaliação de Políticas Públicas em Saúde da Universidade de São Paulo (USP). “A participação de membros da Coalizão no Esic foi fundamental para orientar as prioridades de financiamento para o Sul Global, destacando nossas competências de produção e intermediação de evidências”, afirma Laura Boeira, responsável por Parcerias e Redes do Instituto Veredas.
A força dos Grupos de Trabalho
Para responder às agendas emergentes e garantir a sustentabilidade das ações, a rede expandiu a atuação criando novos Grupos de Trabalho (GTs) temáticos dedicados à Inteligência Artificial e à intersecção entre Educação e Evidências. Esse movimento estratégico foi acompanhado pela elaboração do Plano de Ação 2025 a 2027, cuidadosamente estruturado para conectar a oferta e a demanda de conhecimento, capacitar profissionais e institucionalizar processos. Em paralelo, a metodologia de compartilhar experiências reais de transformação foi consolidada por meio da iniciativa “Histórias de Mudança”, com três novas edições ao longo do ano – duas em formato inédito e interativo com transmissão ao vivo.
As frentes de Desenvolvimento e Comunicação ganharam novas ferramentas para multiplicar o alcance da ciência no país. O GT de Educação Permanente atuou efetivamente promovendo oficinas e debates relevantes por meio das “Quartas de Evidência”, e celebrou o lançamento da terceira edição do curso de Tradução do Conhecimento em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
“Ter um GT voltado para a educação básica é vital para o fortalecimento da pesquisa em educação que se propõe a contribuir com as políticas públicas e seu aprimoramento”, completa Julciane Rocha, representante da PUC-SP que também integra o GT Educação.
Já a área de Comunicação deu um grande salto qualitativo com a criação da Rede de Comunicadoras(es), criada para fortalecer a divulgação científica de forma colaborativa, além de promover a repaginação completa do site oficial da Coalizão, que agora tem foco em acessibilidade e recursos avançados de inclusão, como o VLibras, que traduz trechos selecionados do site para Língua Brasileira de Sinais (Libras).
“As Quartas de Evidência se destacam como momentos formativos voltados ao debate sobre indicadores para subsidiar nosso planejamento estratégico, com abordagens complementares. Outra ação importante desenvolvida pelo GT foi o mapeamento do perfil em docência e em pesquisa dos participantes da Coalizão”, avalia Maíra Barroso Pereira, representante da EPM-Unifesp e integrante do GT de Educação Permanente
Ecoevi-Brasil
Um dos principais destaques do relatório é o Projeto Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil (Ecoevi-Brasil), que mapeou 336 organizações da infraestrutura estratégica de evidências no SUS. A partir das análises, foi possível identificar um dado que exige atenção. No cenário nacional, 85% do ecossistema se concentra na produção de conhecimento, mas apenas 12% atua na mediação e somente 3% no uso direto na gestão.
“Procuramos manter a Rede EvipNET viva e atuante de várias formas para que ela possa dar robustez às decisões do SUS. Com o Ecoevi-Brasil conseguimos fazer o reconhecimento e a qualificação dessa rede. Todos esses resultados vão dar suporte para a elaboração de futuros projetos do Ministério da Saúde, o que comprova a importância dessa parceria”, afirma Marta Roberta Santana Coelho, representante do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde.
As (Os) pesquisadoras (es) e gestoras (es) envolvidas (os) celebraram a entrega de ferramentas metodológicas validadas, como a versão adaptada da Lista de Verificação (checklist) da OMS para institucionalização de PIE, que permite a autoavaliação interna para o fortalecimento das organizações, e o Manual de Análise Situacional, adaptado ao contexto brasileiro, que está pronto para ser aplicado em outros níveis federativos.
“Formamos uma rede de pessoas comprometidas a estabelecer resultados que mostraram a potência de quem trabalha para e com o SUS. Esperamos melhorar a qualidade das políticas públicas, dos programas e ações que são feitos e monitorados no Sistema Único de Saúde”, afirma Fernanda Campos de Almeida Carrer, coordenadora científica do Ecoevi. Os resultados estão disponíveis nos cinco relatórios e cinco resumos executivos regionais em linguagem acessível, que sintetizam os principais achados e recomendações para o Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Financiado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e articulado com o Ministério da Saúde, o Ecoevi-Brasil contou com a parceria do Instituto Veredas, da Universidade de Sorocaba (Uniso) e da Universidade de São Paulo (USP), reunindo expertise técnica e acadêmica para o mapeamento do ecossistema de evidências em saúde no Brasil.
Múltiplas metodologias foram colocadas em prática num percurso que contribuiu para furar bolhas, reconhecer privilégios e, sobretudo, ampliar o olhar para a realidade e as necessidades de outros cenários”, conclui Alan Maicon de Oliveira, representante da Uniso.
Welcome Trust abre chamada para financiamento global de até £1,9 milhão de libras para criação de hubs de evidências. Inscrições até 7 de maio
A Wellcome Trust anunciou chamada de financiamento para estabelecer cinco novos hubs globais de infraestrutura de síntese de evidências em países de baixa e média renda (LMICs).
Se você ou sua organização tem experiência ou deseja atuar na produção de sínteses de evidências para políticas sociais, contribuindo para qualificar o uso de Inteligência Artificial no contexto da tomada de decisões, esta chamada é para você.
A convocatória integra a Evidence Synthesis Infrastructure Collaborative (ESIC), iniciativa lançada em 2024 com compromisso de investimento de £45 milhões de libras esterlinas para fortalecer e modernizar a produção de síntese de evidências, tornando-as mais rápidas, acessíveis e relevantes para tomadores de decisão em políticas públicas para o desenvolvimento social.
O objetivo da convocatória é apoiar estruturas capazes de produzir sínteses de evidências de forma contínua, rápida e com uso estratégico de tecnologias, incluindo Inteligência Artificial.
Localização da organização administradora dos recursos: Países de baixa ou média renda (exceto China continental)
Frequência: Única
Valor do financiamento: £1,5 a £1,9 milhão (espera-se realizar 5 premiações nesta chamada)
Duração do financiamento: 3 a 5 anos
Quem pode se candidatar
O candidato principal ou a organização administradora devem estar sediados em qualquer país ou região do Sul Global, mas a equipe pode incluir pesquisadores de qualquer país (exceto China continental). As equipes devem ter entre 4 e 8 integrantes, combinar expertise em produção e uso de evidências, metodologia, tecnologia e formulação de políticas, e seguir princípios de equidade e ciência aberta.
Cada hub deve atuar em um dos cinco setores alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU:
sistemas alimentares;
assistência humanitária;
crescimento econômico;
paz e instituições eficazes;
proteção social.
Ao mesmo tempo, os projetos precisam ter conexão clara com pelo menos uma das prioridades estratégicas da Wellcome em saúde: 1) clima e saúde, 2) doenças infecciosas, 3) saúde mental ou 4) pesquisa de descoberta.
São incentivadas candidaturas de equipes que:
tragam diversidade de expertise e perspectivas, com colaborações interdisciplinares cobrindo múltiplas áreas
incluam pesquisadores em diferentes estágios de carreira, de experientes a iniciantes
Outras informações relevantes sobre o perfil e condições para a candidatura estão na página oficial.
Datas importantes
7 de abril de 2026 — Prazo para verificação de escopo
7 de maio de 2026 — Prazo para submissão das candidaturas (até 15h BST)
Junho de 2026 — Revisão pelo comitê
Julho de 2026 — Decisão
Webinar informativo
No dia 18 de março, a organização realizará um webinar de esclarecimento para potenciais candidatos, com informações detalhadas sobre elegibilidade, critérios e processo de submissão. Inscreva-se aqui.
Base de dados Hub LAC e Coalizão Brasileira pelas Evidências: conecte-se a potenciais parceiros
O Hub de Evidências da América Latina e Caribe (Hub LAC) e a Coalizão Brasileira pelas Evidências (CBE) estão mobilizando agentes-chave interessados na formação de hubs regionais e candidaturas colaborativas para esta chamada.
Mapear organizações e profissionais interessados via formulário em 3 idiomas (Por, Esp, Ing);
Facilitar conexões estratégicas entre atores da América Latina e Caribe.
Como faço para me conectar?
A página funciona como uma janela pública de visibilidade para organizações e profissionais que autorizaram a divulgação de seus dados no formulário.
O Hub LAC e a Coalizão Brasileira pelas Evidências não realizam a intermediação nem a articulação direta entre os cadastrados. Nosso papel é disponibilizar, de forma transparente, as informações enviadas.
As conexões devem acontecer de maneira autônoma e voluntária, a partir do interesse direto entre profissionais e organizações listadas na página.
➡️ Interessados podem se cadastrar por meio do formulário e acessar a base para se conectar a organizações e profissionais, gerando colaborações estratégicas para esta oportunidade.
✨ Nossa expectativa é que este espaço fortaleça a presença da região nesse contexto global de investimento estratégico no futuro da síntese de evidências e
Comunicação HubLAC e CBE
Coalizão Brasileira pelas Evidências mapeia 336 organizações que formam Rede de Evidências do SUS
Pesquisa nacional inédita revela a infraestrutura de produção, tradução e uso de evidências para a saúde pública, identificando pontos fortes e desafios de articulação em cada região do país
Um levantamento inédito, realizado ao longo de 14 meses, identificou e catalogou a rede de 336 organizações e indivíduos que constituem a infraestrutura estratégica para produzir e usar evidências no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. O mapeamento é o principal resultado do Projeto Ecoevi-Brasil, desenvolvido entre outubro de 2024 e dezembro de 2025.
A iniciativa é fruto das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais da Coalizão Brasileira pelas Evidências e foi realizada por uma parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (Uniso) e a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e financiamento da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O diagnóstico foi construído a partir de quatro componentes metodológicos principais que se complementaram para fornecer uma visão abrangente do ecossistema:
Mapeamento de organizações atuantes;
Autoetnografia organizacional, para compreender histórias e dinâmicas internas;
Aplicação da Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), adaptada para avaliar a institucionalização do uso de evidências; e
Análise Situacional, por meio de oficinas regionais que cruzaram dados oficiais com a percepção de agentes-chave.
O estudo revela uma rede diversa, mas com uma concentração massiva na área da produção de conhecimento (85% dos mapeados) e uma fragilidade na ponte entre a ciência e a tomada de decisão, com apenas 12% atuando na mediação e 3% no uso direto de evidências.
“Queríamos saber quem tá produzindo evidências para o SUS, quem tá consumindo essas evidências e quem tá ajudando a aproximar essas evidências de quem toma decisão”, explica Fernanda Carrer, coordenadora-científica do projeto. “Com o resultado, queremos melhorar a qualidade das políticas públicas de saúde, dos programas e das ações que são feitas, monitoradas e avaliadas no SUS”, completa.
A supervisora geral do projeto, Bethânia Suano, destaca que, além do diagnóstico, o Ecoevi entrega duas ferramentas validadas para o contexto nacional: “um manual de análise situacional e a lista de verificação da OMS, que não prevê uma avaliação comparativa nem um ranking, mas uma autoavaliação interna que poderá ser utilizada pelas organizações para seu próprio fortalecimento”.
Retrato Nacional
Do total mapeado, 167 são pesquisadores e núcleos de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vinculados ao Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), evidenciando a força da ciência orientada para as prioridades do SUS. Em seguida, aparecem 36 Núcleos de Evidências (NEVs) da rede EVIPNet Brasil – número que já subiu para 40 após a conclusão do mapeamento –, 33 núcleos de ciência e tecnologia, 20 instâncias governamentais e 76 indivíduos ou instituições cadastrados na Coalizão Brasileira pelas Evidências.
“Ao percorrer as cinco regiões foi possível perceber um ecossistema emergente, diverso, que tem desafios, que tem potencialidades, que é vivo e está se transformando”, avalia Júlia, pesquisadora do projeto. A distribuição dos NEVs, estruturas-chave para traduzir ciência em política, revela certa desigualdade regional: Nordeste (16), Sudeste (14), Centro-Oeste (6), Sul (2) e Norte (2).
“Queremos atuar para fortalecer cada vez mais essa rede, não só ampliando o número de NEVs reconhecidos, mas toda a rede em si porque esses resultados vão dar suporte para o planejamento do Ministério da Saúde”, afirma Marta Coelho, representante do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde.
Desafios e potenciais em cada região
Entre os produtos que resultaram do Ecoevi-Brasil, estão cinco relatórios regionais que detalham as características singulares e os obstáculos comuns enfrentados pelo ecossistema de evidências:
Região Norte (27 organizações mapeadas): O diagnóstico aponta um ecossistema emergente e marcado por contrastes, com apenas dois NEVs para atender uma vasta região. A autoetnografia mostrou organizações lutando contra o isolamento geográfico e institucional. Um achado positivo foi a identificação de iniciativas bem-sucedidas de tradução do conhecimento, como o Projeto Ofídio-Venom-Saúde em Rondônia, que integra pesquisa, política pública e comunidade.
Região Nordeste (103 organizações mapeadas): Possui a maior rede de NEVs do país (16), com destaque para a forte vocação territorial e pluralismo epistemológico identificado na autoetnografia. As organizações da região se caracterizam por integrar saberes tradicionais e científicos. No entanto, a Análise Situacional apontou fragilidades digitais e a Lista de Verificação revelou limitações em “Recursos e Desenvolvimento”, comprometendo a sustentabilidade.
Região Centro-Oeste (26 organizações mapeadas): A região apresenta governança interna relativamente estruturada, segundo a Lista de Verificação, mas sofre com fragilidade na coordenação regional. Os desafios são agravados pela alta rotatividade de gestores e pela fragmentação dos sistemas de informação, conforme a Análise Situacional.
Região Sudeste (104 organizações mapeadas): É o polo de maior capacidade científica e concentração de NEVs (14). A Lista de Verificação da OMS revelou uma cultura organizacional madura, mas apontou a Governança como uma fragilidade. A Análise Situacional destacou o gargalo da conectividade (apenas 31% das UBS com internet adequada) como um limitante crítico.
Região Sul (62 organizações mapeadas): Possui uma base sólida de produção científica, mas a infraestrutura para aplicar evidências na gestão é limitada. Com apenas dois NEVs, a região enfrenta uma deficiência crítica na mediação do conhecimento. A Análise Situacional identificou a ausência de mecanismos sistemáticos de articulação entre governo, universidades e núcleos.
Caminhos para o Futuro
Os resultados convergentes de todas as regiões apontam para dois caminhos estratégicos para o fortalecimento do ecossistema. O primeiro é a institucionalização de mecanismos de governança que criem comitês, fluxos e mandatos formais para o uso de evidências, superando a dependência de iniciativas individuais. O segundo é o fortalecimento da capilaridade e articulação em rede, especialmente por meio dos NEVs, para que funcionem como hubs regionais que conectem a produção científica às secretarias de saúde municipais e estaduais.
O Projeto Ecoevi-Brasil deixa um legado duplo: um mapa vivo dos atores que podem tornar o SUS cada vez mais fundamentado em ciência robusta e contextualizada, e as ferramentas metodológicas validadas para que esses próprios atores possam continuar a se avaliar e fortalecer. A tarefa agora, como indica o estudo, é transformar essa capacidade instalada em impacto concreto e sistêmico na saúde pública brasileira.
Coalizão Brasileira pelas Evidências apresenta plano para disseminar resultados de projeto que mapeia núcleos de evidências para saúde no país
A Coalizão Brasileira pelas Evidências apresenta nesta quinta (11/12) um Plano de Disseminação estruturado para divulgar os principais resultados do Projeto Ecoevi-Brasil – Ecossistema de evidências para saúde do Brasil. O objetivo é garantir que as informações alcancem públicos estratégicos, formados por tomadoras(es) de decisão, gestoras(es) e sociedade civil, promovendo a utilização de evidências na formulação de políticas públicas de saúde no Brasil.
O projeto é resultado das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais da Coalizão e realizado por uma parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (Uniso) e a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e com financiamento da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).
Com objetivo de mapear, analisar e consolidar o ecossistema de produção, tradução e aplicação de evidências científicas no Brasil, dentre as metodologias, o Ecoevi-Brasil adotou o uso de ferramentas validadas, como a Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma ferramenta desenvolvida pela Rede para Políticas Informadas por Evidências (EVIPNet Global) que permite mapear domínios relacionados à institucionalização do uso de evidências na formulação de políticas de saúde. A ferramenta avalia a capacidade organizacional e os processos associados.
O plano de disseminação contempla:
Públicos estratégicos: gestoras(es) públicas(os), pesquisadoras(es), sociedade civil, profissionais de saúde e financiadoras(es).
Produtos e plataformas: relatórios regionais, sumários acessíveis, artigos científicos, webinários, oficinas presenciais e um mapa colaborativo digital.
Cronograma de atividades: oficinas, treinamentos, webinários e encontros presenciais em todas as regiões do país.
Estratégias de comunicação: site da Coalizão, redes sociais, parcerias institucionais e participação em eventos científicos.
O documento também inclui uma análise de riscos, estratégias de mitigação, monitoramento contínuo e a apresentação da equipe técnica multidisciplinar responsável pela execução.
OMS divulga material sobre Agenda Global de Pesquisa sobre Tradução do Conhecimento e Políticas Informadas por Evidências
A iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), tem agora material acessível também em português. A Coalizão Brasileira pelas Evidências (CBE) e outras redes estão convidadas a apoiar a disseminação e implementação das ações
🔗 Você pode consultar a apresentação da Agenda em português aqui.
O que é a Agenda Global de Pesquisa?
A Agenda Global de Pesquisa sobre Tradução do Conhecimento e Formulação de Políticas Informadas por Evidências (PIE) é uma iniciativa liderada pela OMS para identificar e definir prioridades de pesquisa. O objetivo final é apresentar uma Agenda Global baseada em consenso entre os diferentes participantes do ecossistema, que impulsione pesquisas impactantes sobre Tradução do Conhecimento e PIE, bem como e fortaleça os vínculos entre pesquisa e políticas públicas.
Como foi elaborada a Agenda Global de Pesquisa?
Em dezembro de 2023, a OMS lançou uma Chamada Pública de Especialistas para convidar pesquisadoras(es) e profissionais de Tradução do Conhecimento de todas as regiões da OMS (5 continentes) a participar do processo de desenvolvimento da Agenda.
Um grupo diverso de 131 especialistas de mais de 40 países, abrangendo os setores de saúde e políticas sociais, sociedade civil, academia, governos, agências da Organização das Nações Unidas (ONU), além de organizações internacionais — contribuiu para o desenvolvimento do projeto.
Esses especialistas identificaram e refinaram conjuntamente as prioridades de pesquisa, culminando na criação da Agenda Global de Pesquisa.
O trabalho de identificação e definição das prioridades de pesquisa concentra-se em:
Melhorar a eficiência e as sinergias na pesquisa em Tradução do Conhecimento;
Compreender o uso bem-sucedido de evidências na formulação de políticas;
Direcionar o financiamento para as áreas prioritárias identificadas;
Aumentar a conscientização sobre a pesquisa em Tradução do Conhecimento e o uso de evidências;
Fortalecer a colaboração em todo o ecossistema de evidências.
“Uma parte importante é envolver grupos que já estão profundamente engajados na tradução do conhecimento, […] grupos que possam orientar a contextualização dessa agenda global para a região.” disse Rose Oronje, Diretora da Public Policy and Knowledge Translation at the African Institute of Development Policy.
Por que precisamos de uma Agenda Global de Pesquisa?
Na era atual de narrativas concorrentes e desinformação, é fundamental que as políticas sejam informadas pelas melhores evidências disponíveis. Apesar do progresso significativo em Tradução do Conhecimento e PIE, ao longo dos anos, os resultados de pesquisas e outras formas de evidência ainda são subutilizados nos processos de formulação de políticas.
A pesquisa em Tradução do Conhecimento, que estuda os métodos para promover a incorporação de evidências para as políticas públicas, enfrenta desafios devido à falta de coordenação de esforços entre quem pesquisa e quem toma decisão na gestão pública, o que leva tanto à duplicação de esforços quanto a estudos com poucos recursos. Uma agenda de pesquisa unificada pode fornecer orientação e diretrizes para melhorar a colaboração e a coordenação estratégicas entre as partes interessadas, a fim de impulsionar melhores resultados nas intervenções sociais.
Próximos passos em disseminação
Em breve, serão publicados outros produtos de disseminação, como um relatório da OMS, uma publicação acadêmica, um kit de ferramentas de implementação, entre outros recursos para apoiar a Agenda Global de Pesquisa.
“O primeiro passo deve ser garantir que haja uma ampla aceitação da agenda entre os atores nacionais e regionais, ou seja, eles devem estar convencidos do valor da agenda antes que haja, de fato, uma verdadeira adesão.” Donald Simeon, diretor do Caribbean Centre for Health Systems Research and Development, University of the West Indies.
Como posso me envolver?
Utilize a apresentação disponível aqui para apoiar o compartilhamento e a divulgação da iniciativa.
Em dezembro, Coalizão Brasileira pelas Evidências realizará encontros regionais para apresentar diagnóstico sobre evidências em saúde. Participe!
Eventos presenciais em todas as regiões do país apresentarão diagnósticos inéditos sobre o uso de evidências na tomada de decisão em saúde
O Projeto Ecoevi: Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil, uma iniciativa articulada pela Coalizão Brasileira pelas Evidências, entra em sua etapa final, dedicada à disseminação dos resultados por meio de encontros regionais. Serão realizados cinco encontros em formato híbrido (presencial e online) para apresentar, discutir e aprofundar o diagnóstico situacional sobre o uso de evidências na tomada de decisão em saúde em todas as regiões do país. Para participar, presencial ou online, é necessário preencher o formulário de inscrição. Após o registro, enviaremos o link de acesso virtual.
O objetivo dos encontros é fomentar o intercâmbio entre instituições, serviços, núcleos de evidências e gestoras (es) do Sistema Único de Saúde (SUS). A programação de cada evento inclui a apresentação dos resultados do mapeamento regional, rodadas de debate para coletar feedbacks sobre o diagnóstico e identificar necessidades de apoio, além de uma construção coletiva sobre os próximos passos para avançar a agenda de Políticas Informadas por Evidências (PIE) em cada território.
Confira a programação completa dos encontros regionais:
Região Centro-Oeste – Brasília (DF) Data: 05/12 (sexta-feira) Horário: 14h às 17h (horário de Brasília) Local: Fiocruz Brasília, Sala 6, 1º andar
Região Norte – Porto Velho (RO) Data: 08/12 (segunda-feira) Horário: Brasília – 10h às 12h e 15h às 17h30 /Acre – 8h às 10h e 13h às 15h30 / Rondônia: 9h às 11h e 14h às 16h30 Local: Centro Universitário São Lucas – Afya, Campus I (Auditório)
Região Sul – Porto Alegre (RS) Data: 09/12 (terça-feira) Horário: 16h às 18h30 (horário de Brasília) Local: PUC, Sala 326 – Living 360º
Região Nordeste – Recife (PE) Data: 10/12 (quarta-feira) Horário: 9h30 às 12h (horário de Brasília) Local: Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (UPE), Sala de Reuniões do MOI, Recife/PE
Região Sudeste – São Paulo (SP) Data: 12/12 (sexta-feira) Horário: a partir das 8h30 (horário de Brasília) Local: Faculdade de Odontologia da USP, Anfiteatro CRAI
A participação nos encontros é gratuita e aberta a gestoras(es) públicas(os), pesquisadoras(es), profissionais de saúde, estudantes e a todas as pessoas interessadas em Políticas Informadas por Evidências (PIE). Haverá certificado de participação.
Sobre o Projeto Ecoevi
O Projeto “Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil: diagnóstico situacional do uso de evidências nos níveis federal, estadual e municipal” visa mapear, analisar e fortalecer o ecossistema de produção, intermediação e uso de evidências para políticas públicas de saúde no Brasil.
A iniciativa é resultado das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais da Coalizão Brasileira pelas Evidências e é realizada por uma parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (Uniso) e a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e com financiamento da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Para mais informações, acesse o site do Projeto Ecoevi.
por: Comunicação Veredas
Foto: Coalizão Brasileira pelas Evidências no 1º Encontro da Coalizão, em agosto de 2024.
Coalizão no ABRASCÃO 2025: democracia, equidade e justiça climática no centro do debate no 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que começa no dia 28, em Brasília, com transmissão ao vivo
O Seminário “Políticas Públicas Informadas por Evidências” abre o pré-congresso com debates importantes na Fiocruz Brasília, sobre uso de dados, capacidade estatal e formação de profissionais em Monitoramento e Avaliação (M&A).
O 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão 2025) destaca o tema “Democracia, equidade e justiça climática: a saúde e o enfrentamento dos desafios do século XXI” –um chamado à Saúde Coletiva para debater o papel do SUS frente às novas crises, incluindo as emergências climáticas. O evento vai até o dia 03 de dezembro, com dois dias de pré-congresso (28 e 29/11) dedicados exclusivamente aos cursos e oficinas.
O Seminário “Políticas Públicas Informadas por Evidências”, marcado para sexta, dia 28, tem duas mesas previstas:
Mesa 1 – Conhecimentos, Arranjos e Capacidades para a Governança Democrática
→ Horário: 9h às 12h
→ Foco: Pré-lançamento do livro “Políticas públicas informadas por evidências:
conhecimentos, arranjos e capacidades para a governança democrática”, coletânea do Ipea com a colaboração de pesquisadoras e pesquisadores de diversas instituições, sobre condições, proposições e práticas voltadas ao aprimoramento da governança democrática e ao fortalecimento da capacidade do Estado na produção e no uso do conhecimento técnico-científico para a formulação e implementação de políticas públicas. Serão discutidos casos de institucionalização de monitoramento e avaliação em áreas como saúde, agropecuária, direitos humanos e assistência social.
→ Participam: Wesley Matheus de Oliveira, secretário de M&A (Ministério do Planejamento), Natália Massaco Koga (Ipea), Rafael T. Schleicher (Fiocruz Brasília), Adriana Bueno & Daniela Carmo (Embrapa) e Fernanda Borges Serpa (ENAP).
Mesa 2 – Formação e Desenvolvimento de Pessoas no Campo de M&A no Brasil
→ Horário: 14h às 17h
→ Foco: Diante da crescente demanda por evidências e das novas iniciativas no Governo Federal –Análise de Impacto Regulatório (AIR) e o fortalecimento do Conselho de Monitoramento e Avaliação (M&A)–, a mesa vai debater a lacuna entre a necessidade por M&A e a ampliação das estruturas de formação de profissionais na área. As perguntas orientadoras abordam desde o perfil e a formação média dos profissionais até as trilhas de aprendizagem mais promissoras.
→ Participam: Kátia Zeredo (Fiocruz Brasília), Camila Porto Fasolo (Ministério da Educação), Márcia Joppert (RBMA), Amanda Arabage (FGV-CLEAR), Regina Luna (ENAP), Maria de Nazaré (UFC) e Sandra Leone (Fiocruz Mato Grosso do Sul).
Além do seminário de abertura, diversos representantes da Coalizão Brasileira pelas Evidências estarão presentes no Congresso Abrascão, do dia 30 de novembro a 3 de dezembro. Acompanhe nossas redes para os principais destaques.
ABRASCÃO 2025:
De 28 de novembro a 03 de dezembro.
Pré-congresso (cursos e oficinas): 28 e 29 de novembro.
Congresso principal: 30 de novembro a 03 de dezembro.
Fiocruz Brasília (auditório interno) e Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) – Brasília (DF)
Coalizão participa do Encontro Nacional de Agentes Territoriais de Cultura do Ministério da Cultura
Jéssica Farias representou a Coalizão, conduzindo atividades na roda de conversa sobre Comunicação Comunitária, Popular, Acessível e Inclusiva
No dia 15 de novembro de 2025, a Coalizão Brasileira pelas Evidências, representada por Jéssica Farias, integrante do GT de Comunicação, facilitou atividades na Roda de Conversa: Comunicação Comunitária, Popular, Acessível e Inclusiva. A ação integrou o Encontro Nacional de Formação de Coordenações e Tutorias de Agentes Territoriais de Cultura, parte do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, promovido pelo Ministério da Cultura, em colaboração com a Diretoria de Educação Popular da Secretaria Nacional de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Realizado no SESI LAB, em Brasília (DF), o encontro reuniu agentes e coordenações de todo o país, fortalecendo o processo de territorialização das políticas públicas federais e qualificando práticas de cultura e participação social. A Coalizão contribuiu com reflexões e ferramentas para fortalecer uma comunicação enraizada nos territórios, acessível e engajadora — articulando saberes comunitários, participação social e práticas de tradução do conhecimento.
Divulgação: Minc
Durante a atividade, Jéssica Farias destacou a potência de vivenciar uma comunicação construída a partir do olhar de quem faz política pública no cotidiano:
“Foi um momento muito rico para contribuir com uma comunicação situada no território e de estar olho no olho com quem constrói as políticas públicas culturais no dia a dia. Mediamos com arte, diálogo e com referências das experiências da própria Coalizão e do nosso GT de Comunicação no campo das políticas sociais, da participação social e do SUS. Esses encontros reforçam a potência de comunicar para fortalecer direitos.”
A presença da Coalizão foi reconhecida pela equipe organizadora da formação. Para Clóvis Souza, integrante da equipe da Diretoria de Educação Popular, Secretaria Nacional de Participação Social, Secretaria-Geral da Presidência da República, a participação agregou tanto conteúdo quanto método:
“A contribuição da Coalizão foi preciosa. A atividade foi organizada de maneira bem direcionada aos desafios da comunicação popular, com experiências e ferramentas que dão concretude às práticas tão necessárias de comunicação libertadora para a garantia de direitos.”
Quem quiser saber mais sobre os dias de formação pode acessar o registro oficial publicado pela organização no Instagram. A apresentação utilizada pelo GT de Comunicação também está disponível online, assim como a publicação da Coalizão com roteiro e orientações para montar campanhas de comunicação popular, recomendada durante o encontro.
Que a Coalizão Brasileira pelas Evidências siga contribuindo com boas práticas e referências em disseminação de conteúdo para fortalecer políticas sociais, utilizando metodologias de comunicação popular, com foco em Linguagem Simples e Acessibilidade.
Coalizão Brasileira pelas Evidências e Hub LAC presentes no II Seminário Internacional de Avaliação de Políticas Públicas em Saúde
As redes participaram da mesa de abertura e painel do evento organizado pela Faculdade de Saúde Pública da USP com a temática: Contribuições da Ciência da Implementação
Entre os dias 29 e 31 de outubro, a Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP/USP) foi palco do II Seminário Internacional de Avaliação de Políticas Públicas em Saúde: Contribuições da Ciência da Implementação. Nesse contexto, a Coalizão Brasileira pelas Evidências e o Hub LAC foram convidados a participar da mesa de abertura do encontro, que reúne pesquisadores, gestores, profissionais da saúde, docentes e estudantes para debater formas de aproximar a produção científica das políticas e práticas no campo da saúde.
O objetivo do seminário era o de debater a integração de duas áreas fundamentais para a tradução do conhecimento produzido pelas pesquisas: A Ciência da Implementação (CI) e a Avaliação em Saúde. Além disso, com a participação de especialistas, foram trazidas as principais teorias, modelos e frameworks da Ciência da Implementação de forma contextualizada, com exemplos reais de aplicação de diversas metodologias para melhorar práticas, políticas e programas de saúde.
Mesa de Abertura
Acompanhadas por José Leopoldo Antunes – FSP-USP, Marilia Louvison FSP-USP e Beatriz Caroline Dias – Grupo de Interesse em Ciência da Disseminação e Implementação de Países de Língua Portuguesa, Cecília Setti (Coalizão Brasileira pelas Evidências) e Jéssica Farias (Hub LAC), contribuíram com a experiência das redes no campo acadêmico e na Tradução de Conhecimento dentro da área da saúde.
“Estamos aqui para apoiar e fortalecer todas as iniciativas em prol do sistema de saúde e a saúde pública. Pensando em uma saúde que não é presa em si. A saúde também é segurança pública, também é direitos humanos, também é um ambiente adequado pra gente viver. Então a Coalizão está de portas abertas para todos que queiram circular, trazer conhecimentos, compartilhar e também para apoiar a construção dessa nova rede de avaliação.”
(Cecília Setti)
“A gente tem um compromisso muito grande, ao trabalhar com políticas públicas, para que a ciência de fato faça com que os brasileiros voltem a sonhar e a sorrir nesse processo.”
Reunião Técnica: I Encontro das Redes Colaborativas em Saberes e Práticas de Avaliação e Ciência da Implementação
Na parte da tarde do evento, que aconteceu de forma híbrida (presencial e com transmissão parcial), Cecília e Jéssica participaram do painel voltado ao encontro de redes no contexto das Práticas de Avaliação e Ciência da Implementação. A mesa contou com a participação de Stephen Timmons (Nottingham University Business School, Reino Unido), Ana Gama (ENSP Universidade NOVA de Lisboa) e Carolina Terra de Moraes Luizaga (Grupo de Interesse em Ciência da Disseminação e Implementação de Países de Língua Portuguesa).
Durante o painel, Jéssica Farias apresentou a trajetória do Hub de Evidências da América Latina e do Caribe – Hub LAC, sua estrutura e os principais projetos articulados pela rede. Dentre eles, o mapeamento de profissionais e instituições em Políticas Informadas por Evidências na região.
“Participar deste seminário me confirmou algo fundamental: redes importam. Quando diferentes atores se encontram para pensar ciência, implementação e políticas públicas, abrimos caminhos que sozinhos não conseguiríamos. A presença das redes aqui mostrou que colaboração não é complemento, é condição para transformar evidências em ação. Sigo inspirada a fortalecer esses laços e a apoiar o surgimento de novas redes com propósitos comuns. Foram trocas que só uma rede diversa e viva é capaz de produzir.As evidências orientam, mas é a presença, o afeto e o coletivo que movem transformação”
(Jéssica Farias)
Na sequência, Cecília Setti apresentou a Coalizão Brasileira pelas Evidências, sua jornada até aqui e destacou como a rede tem sido palco de sucesso no compartilhamento de saberes e experiências, promovendo a Tradução do Conhecimento e a institucionalização do uso de evidências na tomada de decisão, sobretudo no campo da saúde, onde redes exitosas coexistem e se apoiam.
“A participação do Hub Lac e da Coalizão Brasileira pelas Evidências no II Seminário Internacional de Avaliação de Políticas Públicas em Saúde: Contribuições da Ciência da Implementação foi fundamental para destacar o papel transformador do trabalho em redes. Ao compartilharem suas experiências de trabalho colaborativo, no contexto brasileiro e internacional, as nossas colegas Jéssica Farias e Cecilia Setti ilustraram de maneira inspiradora, técnica e poética, como a articulação entre diferentes atores é um mecanismo poderoso para superar a lacuna entre a produção do conhecimento científico e a sua aplicação nas políticas públicas, de modo a gerar transformações reais no Brasil, América Latina e em outros cenários mundo afora.” (Cintia de Freitas Oliveira – Instituto de Saúde – SES/SP, comissão organizadora do evento)
Saiba mais sobre o II Seminário Internacional de Avaliação de Políticas Públicas em Saúde aqui