Entre o planejamento e a sala de aula: especialistas debatem os caminhos dinâmicos das diretrizes curriculares no Brasil
Terceiro encontro do do 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora abordou a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a formação docente e os desafios das políticas educacionais.
A distância entre as diretrizes curriculares e sua aplicação nas salas de aula brasileiras foi um dos principais temas do terceiro encontro do 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora, realizado no dia 9 de outubro, em formato online. O painel “Currículos em Movimento” reuniu a professora e pesquisadora Isabel Saccoman, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), campus Sorocaba, e Antônio Bara Bresolin, diretor-executivo do Movimento pela Base.
Os especialistas discutiram os desafios para implementar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as condições necessárias para fortalecer a formação docente e a importância de aproximar as políticas educacionais das realidades vividas por professores e estudantes.
Sob a coordenação geral da professora Luciane Cruz Lopes, o ciclo foi promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (PPGCF-Uniso), pelo Núcleo de Evidências Seriema (NEv-Seriema) e pela Coalizão Brasileira pelas Evidências. A iniciativa busca estimular reflexões críticas sobre processos de ensino e aprendizagem, jornada educacional e formação de professores na área da Saúde e no Ensino Superior.
A importância central dos currículos
A abertura do painel reafirmou a premissa de que os currículos escolares não podem ser compreendidos apenas como documentos que organizam disciplinas, conteúdos e metas de aprendizagem. Além disso, eles representam uma decisão sobre os direitos de aprendizagem e as competências essenciais para a vida em sociedade.
Um dos pontos centrais da discussão foi a distância que ainda separa o currículo prescrito (presente nas leis e diretrizes oficiais) do currículo efetivamente vivido no cotidiano das aulas. Os palestrantes analisaram os gargalos estruturais e institucionais que impedem que as mudanças normativas se traduzam em transformações concretas na prática de quem ensina.
“O currículo não é uma lista estática de conteúdos a cumprir. Ele é uma escolha viva sobre o que é indispensável para formar o cidadão. Nosso maior desafio hoje é encurtar a distância entre o documento oficial e a realidade vivida por professores e estudantes no cotidiano e na prática”, afirma Isabel Saccoman, professora e pesquisadora da PUC-SP.
O contorno legal e a trajetória da BNCC no Brasil
Durante sua apresentação, Antônio Bara Bresolin resgatou os marcos históricos e normativos que fundamentaram a construção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como a Constituição Federal de 1988, que fixou conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental, de modo a garantir uma formação básica comum e o respeito aos valores culturais e regionais; e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que instituiu a obrigatoriedade de uma base nacional comum, a ser complementada por uma parte diversificada local.
Ele abordou também o Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014 a 2024 , que estabeleceu questões relacionadas à elaboração da BNCC, e o processo participativo de construção do documento, conduzido pelo Ministério da Educação (MEC), com a contribuição de especialistas e representantes de diferentes setores da educação. Com 13 anos dedicados ao fortalecimento da educação básica, o Movimento pela Base já conduziu mais de 34 estudos nos últimos cinco anos, avaliando a implementação da BNCC nos eixos de políticas públicas, avaliação, formação docente e materiais didáticos.
“A BNCC não veio para padronizar ou engessar o trabalho pedagógico, mas para assegurar que todas as crianças e jovens brasileiros tenham os mesmos direitos, com um critério mínimo de aprendizagem garantidos, independentemente do município ou região onde estejam”, afirma Bresolin.
A oficina apresentou dados e pesquisas sobre como educadores de diferentes etapas de ensino e regiões do país têm se apropriado da BNCC. O painel abordou também a presença do currículo em debates contemporâneos urgentes, como educação ambiental e crise climática, uso de inteligência artificial, fomento à robótica, olimpíadas de matemática e uso responsável de telas no ambiente escolar.
“Quando alinhamos currículo, materiais didáticos, formação docente e avaliações, criamos um sistema educacional muito mais coerente. A BNCC ganha vida quando traz nitidez para a intencionalidade pedagógica do professor em sala de aula”, completa Bresolin.
Formação, inovação e o PNE (2026–2036)
Projetando os rumos das políticas educacionais, o encontro discutiu as diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE) para o período de 2026 a 2036, que reafirma a BNCC como eixo estruturante das metas de aprendizagem e aponta a necessidade de revisões e aperfeiçoamentos contínuos nos currículos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
A professora Isabel Saccoman enfatizou que qualquer aperfeiçoamento curricular exige valorizar o protagonismo docente e incorporar metodologias ativas de ensino-aprendizagem. Para a pesquisadora, inovar na educação exige criar condições institucionais para que o professor reflita criticamente sobre a própria prática e supere o modelo tradicional de mera transmissão de informações.
“Inovar no ensino exige superar a lógica tradicional da transmissão de conteúdos. Precisamos garantir formação continuada e suporte institucional para que os professores utilizem metodologias ativas e assumam um papel verdadeiramente orientador no processo de aprendizagem”, afirma Isabel.
Sobre o Ciclo de Oficinas
O 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora reúne pesquisadores, docentes e profissionais interessados em discutir os desafios contemporâneos da educação e da formação de professores, especialmente no ensino superior e na área da saúde.
A programação incluiu cinco atividades online e gratuitas. Participantes que acompanharam ao menos três sessões têm direito a certificado.
GT Comunicação — Coalizão Brasileira pelas Evidências
Coalizão Brasileira pelas Evidências debate política pública, saúde e equidade em simpósio internacional
Integrantes da Coalizão participaram de debates e apresentaram trabalhos sobre o uso de evidências para a formulação de políticas públicas, a qualificação dos serviços de saúde e a promoção da equidade.
A Coalizão Brasileira pelas Evidências participou do 2º Simpósio Internacional de Síntese e Implementação de Evidências em Saúde (2º Siies), promovido pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (Eeusp) e pelo Centro Brasileiro para o Cuidado à Saúde Baseado em Evidências (JBI Brasil) nos dias 14 a 16 de outubro, em São Paulo(SP). O evento reuniu pesquisadoras(es), profissionais da saúde, gestoras(es) públicos e representantes de organizações nacionais e internacionais para discutir caminhos para fortalecer o uso de evidências científicas na prática clínica, na gestão dos serviços e na formulação de políticas públicas.
Representando o Instituto Veredas, Laura Boeira, gestora de redes e parcerias, participou de duas atividades. Em uma das mesas, sobre teorias, modelos e frameworks da ciência da implementação, ela contribuiu para o debate sobre as abordagens que orientam a incorporação do conhecimento científico às práticas e aos serviços. A atividade contou também com a participação de Carlos Alberto dos Santos e Maria Clara Padoveze, da Universidade de São Paulo (USP), e Craig Lockwood, da Adelaide University; JBI Australia, com mediação de Ivone Evangelista Cabral (Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro e core staff do JBI Brasil).
Laura também foi palestrante na mesa-redonda “Política de Implementação da Ciência no Mundo Contemporâneo”, com a apresentação “Implementação de Evidências na Formulação de Política Pública”. O debate abordou questões fundamentais para aproximar a produção científica dos processos de decisão e implementação de políticas, em diálogo com as contribuições de Stephen Timmons, da University of Nottingham, sobre equidade na ciência da implementação, e de Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, sobre ciência da implementação na saúde digital.
Ana Estela Haddad, Stephen Timmons, Karina Sichieri e Laura Boeira
“A nossa participação reforça a importância de avançar não apenas na produção e síntese de evidências, mas na compreensão dos fatores institucionais, políticos e sociais que influenciam sua utilização. Esse é um desafio central para organizações que atuam na promoção de políticas informadas por evidências, especialmente diante da necessidade de construir respostas mais efetivas, equitativas e contextualizadas aos problemas de saúde”, compartilhou Laura.
Produção científica e colaboração em rede
Liza Yurie Teruya Uchimura, Roberta Alvarenga, Laura Boeira e Maritsa Bortoli (integrantes da Coalizão)
Integrantes da Coalizão também apresentaram trabalhos que demonstram a diversidade de temas e abordagens mobilizados por essa rede. As contribuições incluíram sínteses de evidências para políticas públicas, revisões rápidas, revisões de escopo e estudos sobre a organização e o funcionamento do ecossistema de evidências em saúde.
Entre os temas apresentados por Maritsa Carla de Bortoli, do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IS-SES/SP) destacaram-se a experiência do projeto Primeira Infância Para Adultos Saudáveis (Pipas) na implementação de ações de desenvolvimento infantil, da pesquisa à ação; estratégias de educação em saúde para crianças na atenção primária; e evidências sobre intervenções para melhorar o acesso à saúde de populações vulnerabilizadas.
Hadassa Barros de Pieri, do Núcleo de Evidências e Análises Econômicas em Saúde Bucal da Faculdade de Odontologia da USP, apresentou um estudo sobre as conexões entre produção, financiamento e intermediação no ecossistema brasileiro de evidências em saúde bucal. Já Bruna Carolina de Araújo, do Hospital Sírio Libanês, contribuiu com trabalhos sobre competências profissionais em avaliação de tecnologias em saúde e sobre o uso de revisões sistemáticas para subsidiar decisões judiciais em saúde no Brasil.
A ampliação do acesso aos serviços de saúde também esteve em destaque. Letícia Aparecida Lopes Bezerra da Silva, do IS-SES/SP, apresentou estudos sobre as barreiras enfrentadas por puérperas no acesso aos serviços de saúde e sobre estratégias para ampliar esse acesso. Taís Rodrigues Tesser, do mesmo instituto, abordou uma revisão de escopo sobre programas e políticas de apoio ao cuidador domiciliar e estratégias de prevenção e redução da violência escolar, a partir de uma síntese de evidências.
Outras contribuições de Liza Yurie Teruya Uchimura, do Hcor, abordaram três temas relevantes para a saúde: a efetividade da recuperação intraoperatória de sangue em pacientes cirúrgicos, (técnica de autotransfusão que permite coletar, processar e reinfundir o sangue perdido durante a cirurgia com maior risco de sangramento), a segurança do tratamento preventivo da tuberculose em crianças em menores de 5 anos, e o papel de mediadores interculturais na qualificação do acesso à Atenção Primária à Saúde de migrantes, refugiados e solicitantes de asilo. Esses profissionais atuam como facilitadores da comunicação e da compreensão entre pessoas de diferentes origens culturais, contribuindo para um cuidado mais acessível e culturalmente.
O conjunto dos trabalhos evidencia como a síntese e a implementação de evidências podem apoiar decisões em diferentes áreas, desde a saúde materno-infantil até a equidade no acesso aos serviços, a segurança do cuidado e a qualificação das políticas públicas. O evento contou ainda com a presença de Roberta Alvarenga Reis, fonoaudióloga e professora do Departamento de Odontologia Preventiva e Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), membro da Coalizão.
Colaboração para fortalecer o uso de evidências
Liza Yurie Teruya Uchimura, Taís Tesser,Letícia Bezerra da Silva, Bruna Araújo, Maritsa Bortoli e Laura Boeira.
A presença de integrantes da Coalizão no 2º Siies evidencia a relevância da colaboração entre pesquisadoras(es), instituições de ensino, organizações de intermediação do conhecimento e gestores públicos para fortalecer a conexão entre ciência e tomada de decisão.
Para as(os) participantes do evento, o desafio é criar condições para que as melhores evidências disponíveis sejam consideradas na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas e práticas clínicas, respeitando os contextos locais e as necessidades das populações.
Como próximos passos, almeja-se ampliar o diálogo entre diferentes iniciativas e fortalecer uma agenda compartilhada de promoção de políticas informadas por evidências no Brasil, com atenção à equidade, à efetividade das intervenções e à melhoria dos sistemas de saúde.
GT de Comunicação da Coalizão
Congresso Latino-Americano debate Ciência da Implementação e Redes de Evidências se unem para fortalecer sistemas públicos de saúde
Em evento sediado na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (SP), Coalizão Brasileira pelas Evidências se reúne para dialogar sobre Ciência da Implementação.
Entre os dias 25 e 27 de setembro de 2026, a Coalizão Brasileira pelas Evidências esteve em Campinas (SP) para o 1º Congresso Latino-Americano de Ciência da Implementação Aplicado aos Sistemas Públicos de Saúde (Clacis 2026) . O evento reuniu pesquisadoras(es), profissionais, gestoras(es) e estudantes com o objetivo debater a aplicação da ciência da implementação nos sistemas públicos de saúde, considerando os desafios e as singularidades da América Latina.
Encontro Integrado de Redes de Evidências e Ciência da Implementação
Ana Lígia Meira – Rede Colaborativa Cepe Gera; Danila Paquier Sala – Recis; Carlos Treichel – USP; Daniela Rêgo – ReneDH; Jéssica Farias Dantas Medeiros – Coalizão Brasileira pelas Evidências)
Em parceria com a organização do Clacis, a Rede de Ciência da Implementação em Saúde (Recis), a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH) e a Rede Colaborativa Centro de Pesquisa em Regulação, Gestão e Avaliação em Sistemas e Serviços de Saúde (Cepe Gera), a Coalizão articulou a atividade pré-congresso “Encontro Integrado de Redes de Evidências e Ciência da Implementação”. A atividade teve como objetivo reunir redes estratégicas que atuam na interface entre produção, tradução e uso de evidências, promovendo um espaço de diálogo sobre engajamento, sustentabilidade, financiamento e articulação de redes de evidências.
Jéssica Farias, articuladora da Coalizão Brasileira pelas Evidências, pontuou as expectativas em torno da integração entre as diversas iniciativas de evidências espalhadas pelo país:
“Temos o objetivo de integrar as redes de evidências que o nosso Brasil tem espalhadas. Para nós, é um orgulho estar nesse evento para promover o que a Coalizão considera mais importante: espaços de fato co-geridos, participativos, onde a gente possa se conhecer, trocar e pensar em projetos conjuntos”, disse.
Reforçando essa perspectiva, Ana Lígia Passos Meira, da Rede Colaborativa Cepe Gera e integrante da Coalizão, enfatizou a potência da união regional e do levantamento de evidências robustas para apoiar a tomada de decisões:
“É por isso que a gente está aqui conectando saberes, pessoas, redes, instituições. Queremos integrar nossa voz, nosso jeito, nosso conhecer, nosso traduzir e nosso fazer ciência da implementação com outras experiências latino-americanas”, afirmou.
Carlos Treichel, mediador da mesa de diálogo e membro da comissão organizadora do evento, destacou a potencialidade das Políticas Informadas por Evidências (PIE) e da Ciência da Implementação caminharem cada vez mais juntas e em redes colaborativas, a fim de fortalecer as políticas públicas de saúde de maneira crítica e considerando os desafios e as singularidades da América Latina.
As falas convergiram para um chamado à ação coordenado entre organizações-chave das redes. O engajamento em redes colaborativas é um processo, uma jornada conquistada diariamente. Iniciativas, como as apresentadas, fortalecem os processos de avaliação dos resultados e dos impactos das redes de evidências no ecossistema brasileiro.
Ana Lígia Meira (Rede Colaborativa Cepe Gera) e Jéssica Farias (Coalizão Brasileira pelas Evidências)
Coalizão e sua diversidade temática
A Coalizão levou aos debates um percurso que vai da formulação à prática das políticas de saúde. Os trabalhos apresentados abordam a institucionalização das PIE no SUS, questões de vigilância em saúde, e exemplos de implementação concreta: do Programa PACK na atenção primária de Porto Alegre à co-construção de uma pesquisa de implementação no rastreamento do câncer. A participação social também aparece nos resumos, como no painel de cidadãs sobre as barreiras ao cuidado em saúde mental de crianças autistas. Sustentando tudo isso, a Coalizão apresentou ferramentas e métodos para qualificar a tomada de decisão, como a adaptação transcultural de um checklist da OMS, a tradução da taxonomia Health Systems Evidence, o mapeamento do ecossistema de evidências e a modelagem integrada para avaliar a implementação.
Apresentações de paineis e resumos por representantes da Coalizão
Gestão e institucionalização no SUS: as pesquisadoras Sandra Maria do Valle Leone de Oliveira e Camila Cunha Maia Nogueira Nunes apresentaram avanços na institucionalização das PIE e em sua aplicação na vigilância em saúde do Ministério da Saúde. Sobre as ferramentas de avaliação, Luis Phillipe Nagem Lopes (Universidade de Sorocaba) discutiu a adaptação transcultural de um checklist da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o contexto brasileiro.
Equidade e Atenção Primária: A implementação prática de intervenções em saúde foi exemplificada por Ana Maria Bim Gomes com o programa Practical Approach to Care Kit (Pack) na Atenção Primária de Porto Alegre (RS). No campo da saúde mental, Luis Phillipe Nagem Lopes também abordou as barreiras de acesso aos serviços para crianças autistas.
Inovação Metodológica e Monitoramento: O mapeamento do ecossistema de evidências e a adaptação da taxonomia Health Systems Evidence (um sistema de classificação estruturado, que organiza as evidências científicas1) foram conduzidos por Hadassa Barros de Pieri. Já Ana Lígia Passos Meira trouxe abordagens de modelagem integrada, enquanto Cintia Freitas debateu a co-construção de pesquisas participativas no rastreamento oncológico.
(Jorge Barreto, painel “Por que boas políticas nem sempre se implementam? Desafios da gestão em Sistemas Públicos de Saúde”)
Compromisso coletivo
A Coalizão assina o compromisso coletivo assumido no CLACIS 2026: expandir as linhas de pesquisa em sustentabilidade e fortalecimento de uma Ciência da Implementação latinoamericana. Fortalecer os espaços participativos e capilarizar a cooperação, garantindo que o conhecimento científico somado à experiência acumulada ao contexto de cada região ecoe diretamente na melhoria dos serviços prestados pelos sistemas públicos de saúde.
GT de Comunicação da Coalizão
Participação da Coalizão
Sessão
Título do trabalho
Apresentação
Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 03 – Evidências, Gestão e Cuidado: Inovações e Desafios para a Institucionalização no SUS
Apoio à institucionalização de políticas informadas por evidências no SUS
Sandra Maria do Valle Leone de Oliveira | Fiocruz MS)
Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 05 – Equidade e Qualidade no Cuidado às Condições Crônicas: Desafios de Implementação
Implementação do Programa PACK na atenção primária de Porto Alegre (RS)
Ana Maria Bim Gomes | Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC)
Co-construção de uma pesquisa de implementação no rastreamento do câncer
Cintia Freitas | Hospital Israelita Albert Einstein
Apresentação Oral 04 – Da Evidência à Prática: Implementação de PIE em Sistemas Públicos
Adaptação transcultural de um checklist da OMS para avaliação da institucionalização das Políticas Informadas por Evidências no Brasil: estudo metodológico
Luis Phillipe Nagem Lopes | Universidade de Sorocaba (Uniso)
Apresentação Oral 04 – Da Evidência à Prática: Implementação de PIE em Sistemas Públicos
Institucionalização de PIE na vigilância em saúde do Ministério da Saúde
Camila Cunha Maia Nogueira Nunes | Ministério da Saúde
Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 14 – Saúde Biopsicossocial: diálogos entre saúde mental, bucal, cuidados paliativos e garantia de direitos
Barreiras aos serviços de saúde mental para crianças autistas no Brasil: resultados de um painel de cidadãs
Luis Phillipe Nagem Lopes | Universidade de Sorocaba (Uniso)
Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 13 – Territorialização, segurança alimentar e ferramentas de avaliação no SUS
Modelagem integrada para avaliação da implementação no SUS
Ana Ligia Passos Meira (Rede Colaborativa GERA de Pesquisas em Regulação e Avaliação em Saúde)
Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 09 – Protocolos, Métodos, Taxonomias e Indicadores
Mapeamento do ecossistema de evidências e sua produção em implementação
Hadassa Barros de Pieri | Núcleo de Evidências e Análises Econômicas em Saúde Bucal da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo
Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 09 – Protocolos, Métodos, Taxonomias e Indicadores
Tradução e adaptação transcultural da taxonomia Health Systems Evidence
Hadassa Barros de Pieri
Mesa-redonda
Por que boas políticas nem sempre se implementam? Desafios da gestão em Sistemas Públicos de Saúde
Convidados: Andrés Felipe Agudelo-Hernández (Universidad de Burgos); Gastão Wagner (Unicamp); Jorge Otávio Maia Barreto (Fiocruz)
Coalizão Brasileira pelas Evidências celebra 5 anos de atuação em rede
A programação especial da 7ª Reunião Ampliada de 2026 incluiu uma roda de conversa sobre a trajetória da Coalizão, o cenário das Políticas Informadas por Evidências (PIE) no país e a importância da atuação em redes colaborativas de evidências.
Na última segunda (28/09), a Coalizão reuniu mais de 30 pessoas para celebrar o aniversário de cinco anos da rede. A programação encerrou o mês comemorativo, onde os membros compartilharam memórias, depoimentos e iniciativas de destaque que fazem parte dessa trajetória.
Roda de diálogo: “Coalizão 5 anos: o cenário de PIE no Brasil e a importância da atuação em redes colaborativas de evidências”
Jorge Barreto, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília, Natalia Koga, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Tamille Dias, da Escola Nacional de Administração Pública (Enap) compartilharam olhares sobre a trajetória da Coalizão, as transformações observadas no campo das PIEs e a importância da atuação em redes colaborativas.
O diálogo recuperou a origem da Coalizão, que nasceu durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021, em um contexto marcado por incertezas e pela necessidade de aproximar evidências e processos de decisão pública.
“Nesse contexto nós vimos florescer iniciativas que se transformaram em movimentos muito amplos, como a Covid-END, a nível internacional, que lançou elementos importantes que hoje a gente vê progredir em outros campos. A Coalizão é um desses resultados de processos muito dolorosos, como a pandemia, mas que causam muita felicidade depois, uma vez que gera oportunidades de aprendizagem mútua, a partir do trabalho de pessoas muito bem intencionadas.”, reflete Jorge Barreto.
Entre os exemplos de iniciativas apresentadas, destacou-se o Evidência Express, da Enap, criado para apoiar gestoras(es) públicas(os) por meio da produção de respostas rápidas e do fortalecimento da capacidade de utilização de evidências nas decisões públicas.
“Nosso desafio era juntar fortalecimento de capacidades, inovação e pesquisa em apoio rotineiro para pessoas enfrentando desafios públicos a partir da melhor evidência disponível. Então, o espaço da Coalizão nos ajudou a construir esse serviço de referência”, comenta Tamille Dias.
Foram lembradas produções coletivas, eventos, publicações, como o Manifesto da Coalizão, publicado em 2023, um marco relevante da articulação e da visibilidade pública da rede. Também foi mencionado o projeto Ecossistema de evidências para saúde do Brasil (Ecoevi), que realizou o mapeamento de organizações da área e que, posteriormente, desdobrou-se em diferentes produções e iniciativas de pesquisa.
“A Coalizão veio num momento extremamente necessário e oportuno de gerar o sentimento de acreditar: que era possível resistir, fazer algo coletivamente e transformar aquele contexto. Foi um aparato de sustentação fundamental para os anos seguintes”, reforçou Natália Koga.
Entre os desafios para os próximos anos, foram destacados: a importância dos encontros presenciais para fortalecer vínculos e colaborações; a ampliação da diversidade regional; o fortalecimento da diversidade temática e intersetorial da rede; a articulação entre a oferta e a demanda de evidências para ampliar a oferta de conhecimento acessível e acionável para gestoras(es) públicas(os); e os riscos relacionados a desmontes institucionais e cortes de financiamento.
Materiais de PIE da Coalizão mencionados durante a reunião:
A reunião teve início com a proposta de construção de um mural colaborativo, como expressão livre de agradecimento e recordação de conquistas e momentos especiais da Coalizão. Os(as) participantes contribuíram com a atividade por meio da ferramenta Padlet.
GT de Comunicação
Trajetória dos estudantes e responsabilidade compartilhada pela aprendizagem são destaques no 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora
Segundo encontro do ciclo discutiu acesso, permanência, qualidade e equidade na educação e os diferentes fatores que influenciam o percurso dos estudantes da educação básica ao ensino superior
Os desafios que atravessam a trajetória das(os) estudantes brasileiras(os), da educação básica à universidade, e a responsabilidade de diferentes agentes-chave pelo sucesso ou fracasso desse percurso estiveram no centro do segundo encontro do 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora, realizado na sexta-feira (2/10).
Com o tema “Quando o percurso falha, quem leva a culpa? Desafios da jornada de aprendizagem do fundamental à universidade”, o painel reuniu Vinícius Espaúcioli Campos, coordenador-geral de Articulação da Infraestrutura Nacional de Dados da Educação do Ministério da Educação (MEC), Claudia Costin, presidente-executiva do Instituto Salto, e Ernesto Martins Faria, pesquisador e diretor-fundador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). A professora e pesquisadora Luciane Lopes, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso), mediou o debate.
A trajetória educacional não depende apenas do estudante
O debate apontou que o Brasil avançou significativamente na ampliação do acesso à educação, especialmente entre crianças e adolescentes em idade escolar. No ensino médio, entretanto, persistem desafios relacionados à permanência e à adequação da trajetória escolar, com estudantes que frequentam a escola, mas não necessariamente avançam no percurso esperado.
Uma das principais reflexões apresentadas foi a necessidade de compreender a trajetória educacional para além do desempenho individual. Durante o painel, Vinícius Campos definiu a trajetória do estudante como um percurso construído ao longo da vida educacional e determinado pela interação entre a escola, a estrutura familiar, as instituições sociais e o contexto econômico.
Para ele, a aprendizagem é influenciada simultaneamente por fatores intraescolares (qualidade docente, gestão escolar, infraestrutura e expectativas) e extraescolares, como condições socioeconômicas, ambiente familiar, saúde física e mental e contexto territorial.“A responsabilidade pelo sucesso na jornada do estudante é compartilhada entre múltiplos atores e todo mundo pode cooperar. Quando o percurso falha, a gente pergunta de quem é a responsabilidade, mas e quando ele é bem-sucedido?”, provocou Campos.
Ampliar o acesso não basta: é preciso discutir qualidade e equidade
Os avanços no acesso à escola tornam mais evidente outro desafio: garantir que a expansão seja acompanhada de qualidade, equidade e inclusão. Dados apresentados durante o painel mostram, por exemplo, o crescimento da presença de estudantes da educação especial em classes comuns. Ao mesmo tempo, persistem desigualdades importantes nos resultados de aprendizagem, relacionadas a fatores como nível socioeconômico, raça, gênero, território e deficiência.
“A qualidade não pode vir dissociada da equidade”, afirma Campos ao destacar que a ampliação do acesso modifica o perfil de quem chega ao ensino superior e exige que as instituições reconheçam as diferentes condições e trajetórias que interferem na aprendizagem.
Para Ernesto Martins Faria, a desigualdade é um dos grandes desafios da educação brasileira. “Apesar dos avanços e das experiências positivas observadas em estados como Ceará e Piauí, ainda é necessário ampliar as oportunidades para que estudantes do ensino fundamental e médio avancem em suas trajetórias educacionais”, afirma.
“É necessário remover barreiras à aprendizagem e assegurar que a escola seja capaz de acolher diferentes estudantes”, avalia Cláudia Costin ao relacionar o desafio da equidade ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que prevê assegurar, até 2030, educação inclusiva, equitativa e de qualidade e oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas as pessoas.
Uma escola que ensine a pensar e também aprenda
Para ela, responder aos desafios atuais exige mudanças na própria concepção de escola e de aprendizagem. Entre as tendências educacionais discutidas durante sua apresentação, estiveram a resolução colaborativa de problemas complexos, a interdisciplinaridade, as metodologias ativas, a aprendizagem profunda, a cultura digital, a educação midiática e a inteligência artificial, além do desenvolvimento de competências socioemocionais e do protagonismo juvenil.
A educadora defendeu uma escola em que estudantes e professoras(es) aprendam continuamente, trabalhem de maneira colaborativa e tenham condições de desenvolver autonomia e pensamento crítico.“Sonho com uma escola em que todos aprendam, tanto os alunos quanto os professores. Em que ambos também trabalhem colaborativamente e sejam valorizados”, afirmou.
E quem forma quem ensina?
Ao aproximar a discussão da educação superior, o encontro retomou uma das questões centrais desta edição do ciclo: a formação de quem ocupa a posição de docente.
Durante o debate, Luciane Lopes chamou a atenção para uma contradição presente na pós-graduação: enquanto os programas são estruturados prioritariamente para formar pesquisadores, muitos de seus egressos assumem posteriormente a docência sem ter recebido formação pedagógica equivalente.
“A pós-graduação forma pesquisador, não forma professor. Por que a medicina baseada em evidências não tem dificuldade em se autodenominar como tal, mas ainda temos dificuldade em assumir um ensino baseado em evidências? O que está faltando para sairmos do documento e trazermos isso para a prática?”, questiona.
A ideia de que estudantes universitários, por serem adultos, já chegam à graduação preparados para estudar e aprender com autonomia também foi questionada pelos participantes. As manifestações trouxeram uma provocação para o debate: é possível exigir autonomia sem antes criar condições para que o estudante aprenda a aprender?
Sobre o Ciclo de Oficinas
O 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora é uma iniciativa do programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso), do Núcleo de Evidências Seriema (Nev Seriema) e da Coalizão Brasileira pelas Evidências. O ciclo reúne doutorandos, docentes universitários e pesquisadores da área da saúde para refletir criticamente sobre a formação de professores para a educação superior em saúde.
Os próximos encontros estão programados para:
Quando: 09/10 (sexta-feira), das 14h às 16h Painel: Currículos em Movimento Convidada: Isabel Saccoman (PUC Sorocaba) e Antônio Bara Bresolin (MNB)
Quando: 14/10 (quarta-feira), das 13h às 15h Painel: Avaliação: o que conta como evidência de aprendizagem? Convidados: Domingos Fernandes (ISCTE-IUL, Lisboa), Luiz Ernesto Troncon (FMRP-USP) e Angélica Bicudo (Unicamp)
Quando: 16/10 (sexta-feira), das 14h às 16h Painel: A pós-graduação forma pesquisadores ou professores? Convidados: Valdes Bollela (FMRP-USP) e Carlinda Leite (Universidade do Porto)
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio de um formulário online.
GT Comunicação Coalizão Brasileira pelas Evidências
Foto: Imagem meramente ilustrativa criada com recursos de I.A.
Coalizão Brasileira pelas Evidências apoia campanha internacional pelo Dia Mundial da Saúde Informada por Evidências 2026
A data é celebrada anualmente em 20 de outubro. Em 2026, o tema da campanha é “Evidências e Inteligência Artificial: As Pessoas no Centro”.
A Coalizão Brasileira pelas Evidências apoia o Dia Mundial da Saúde Informada por Evidências (EBHC) 2026, campanha lançada no dia 24 de junho, com o tema “Evidências e Inteligência Artificial: As Pessoas no Centro”. A campanha é organizada por uma coalizão internacional de organizações dedicadas à promoção da tomada de decisão informada por evidências, como JBI, Cochrane, The Campbell Collaboration, Institute of Development Studies (IDS), Centre for Evidence-based Health Care. São parceiros da campanha também a Guidelines International Network (GIN), Health Technology Assessment International (HTAi) e a Africa Evidence Youth League.
Realizado anualmente em 20 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Informada por Evidências busca conscientizar sobre a necessidade de produzir e utilizar melhores evidências para orientar políticas públicas, práticas assistenciais e processos de tomada de decisão em saúde, contribuindo para melhores resultados de saúde em todo o mundo.
A campanha de 2026 explora o papel cada vez mais relevante da Inteligência Artificial (IA) na saúde informada em evidências e discute como garantir que as pessoas permaneçam no centro do desenvolvimento, da implementação, da governança, da avaliação e do uso da IA nos sistemas de saúde e nos ecossistemas de evidências.
À medida que a IA passa a mediar cada vez mais a produção, a síntese, a comunicação e a aplicação das evidências em saúde, a campanha destaca tanto as oportunidades quanto os riscos desse processo.
“A inteligência artificial já está transformando a assistência à saúde e todo o ecossistema das evidências”, afirma Bianca Pilla, presidente do Comitê Gestor do Dia Mundial da Saúde Informada por Evidências. “A IA tem enorme potencial para tornar as evidências mais oportunas, acessíveis e responsivas. No entanto, essas tecnologias precisam ser orientadas por princípios de transparência, responsabilidade, equidade e participação humana significativa”, completa.
Campanha
A campanha do Dia Mundial da Saúde Informada por Evidências 2026 reconhece que a IA já influencia a forma como as pessoas acessam informações sobre saúde, como profissionais clínicos tomam decisões, como formuladores de políticas elaboram diretrizes e como as evidências são comunicadas globalmente.
Desde sínteses automatizadas de evidências e ferramentas de apoio à decisão clínica até traduções multilíngues e conteúdos em saúde gerados por inteligência artificial, a IA está transformando rapidamente a maneira como as evidências circulam pelos sistemas de saúde.
Ao mesmo tempo, a campanha reconhece desafios importantes relacionados ao uso da IA, incluindo:
vieses algorítmicos;
desinformação;
processos decisórios pouco transparentes;
desigualdades no acesso às tecnologias;
potencial erosão da confiança pública.
“As ferramentas são poderosas, mas as escolhas continuam sendo nossas”, afirma Pilla. “Esta campanha busca garantir que comunidades, pacientes, profissionais de saúde, pesquisadores, formuladores de políticas públicas e toda a sociedade permaneçam participantes ativos na definição de como a inteligência artificial será utilizada na saúde baseada em evidências.”
A campanha de 2026 está estruturada em quatro pilares:
Comunidades, pacientes e sociedade como parceiros na saúde baseada em evidências apoiada por IA;
Ética, integridade e governança da inteligência artificial na saúde baseada em evidências;
Inovação, automação e transformação dos ecossistemas de evidências;
Comunicação de evidências confiáveis na era da inteligência artificial.
Dando continuidade às campanhas anteriores do Dia Mundial da Saúde Informada por Evidências — que abordaram temas como equidade global em saúde, evidências em tempos de infodemia, parcerias com propósito e comunicação colaborativa do conhecimento —, a campanha de 2026 reflete o crescente reconhecimento internacional de que evidências confiáveis, parcerias inclusivas e o engajamento público continuam sendo essenciais em um mundo cada vez mais mediado pela inteligência artificial.
A campanha também destaca a crescente importância da alfabetização em evidências (evidence literacy) e da comunicação confiável, à medida que conteúdos gerados por IA e plataformas baseadas em algoritmos passam a influenciar cada vez mais as informações que as pessoas encontram na internet.
O Dia Mundial da Saúde Informada por Evidências 2026 convida pesquisadores, profissionais da saúde, comunicadores, formuladores de políticas públicas, especialistas em tecnologia, pacientes, comunidades e o público em geral a participar do debate global por meio do envio de blogs, vídeos, podcasts ou da realização de eventos.
Para saber mais sobre o Dia Mundial da Saúde Informada por Evidências e participar da campanha de 2026, acesse o site.
Informações do Comitê Gestor do Dia Mundial da Saúde Informada por Evidências
Inteligência artificial é tema de debates sobre currículo, avaliação e formação docente no 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora
Evento produzido pela Universidade de Sorocaba, Nev Seriema e Coalizão Brasileira pelas Evidências começou nesta quarta (16/09) com discussão sobre os impactos da inteligência artificial no ensino superior
A presença crescente do uso de Inteligência Artificial (IA) nas universidades e os desafios que ela impõe à formação de estudantes e docentes marcaram a abertura do 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora, nesta quarta (16/09). Promovido pelo programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba Universidade de Sorocaba (Uniso), pelo Núcleo de Evidências Seriema (Nev Seriema) e pela Coalizão Brasileira pelas Evidências, o ciclo segue até 16 de outubro, em formato online e aberto à comunidade acadêmica e ao público em geral.
Com o tema “Quem forma quem ensina? Rupturas necessárias na jornada de aprendizagem em saúde”, a sétima edição reúne doutorandas(os), docentes universitárias(os), pesquisadoras(es), educadoras(es) e gestoras(es) para refletir sobre a formação de professoras(es) para a educação superior, especialmente na área da saúde.
A programação foi aberta pela conferência “IA, currículo e docência: o que a graduação decidiu não discutir”, ministrada pelo professor Marcos Garcia Neira, da Universidade de São Paulo (USP). Ao longo do encontro, Neira defendeu que a discussão sobre inteligência artificial nas universidades precisa avançar para além da oposição entre permitir ou proibir o uso de ferramentas.
“A questão não é mais aceitar ou rejeitar a IA; ela já está. Os estudantes e docentes usam de várias maneiras. A nossa preocupação tem sido como orientar pedagogicamente a presença da IA e subordiná-la aos objetivos educacionais”, afirma o professor.
IA como uma questão curricular
Durante a aula inaugural, Neira propôs compreender o uso da IA como parte de uma discussão mais ampla sobre currículo. Segundo ele, currículo não se limita ao conteúdo prescrito no programa de uma disciplina, mas envolve a própria experiência de formação dos sujeitos e a constituição de suas identidades. Nessa perspectiva, decidir como e para quê utilizar a IA também se torna uma decisão curricular.
A reflexão passa ainda pela autoria e pela responsabilidade de quem utiliza essas ferramentas. Entre os pontos apresentados durante a conferência estiveram a necessidade de definir com clareza as finalidades formativas, estabelecer critérios pedagógicos e considerar a responsabilidade pública das instituições de ensino.
O professor destacou que a IA pode contribuir para a produção de recursos educacionais e para o acompanhamento da aprendizagem, mas alertou para situações em que seu uso substitui etapas importantes do processo formativo. “Quando a ferramenta passa a elaborar, pelo estudante, aquilo que ele próprio deveria construir, perde-se parte da experiência de pesquisar, errar, revisar e reelaborar”, avalia.
Avaliação precisa acompanhar processos, não apenas entregas
Outro ponto central da conferência foi a forma de avaliação dos estudantes. Para Neira, a popularização da IA tornou ainda mais evidente a necessidade de rever modelos centrados apenas no produto final entregue pelo estudante. “Não podemos reduzir a avaliação à entrega de atividades”, destaca o professor, ao defender uma concepção de avaliação capaz de identificar evidências de aprendizagem e acompanhar o percurso do estudante.
A apresentação propôs uma avaliação processual que considere diferentes etapas do percurso formativo, como diagnóstico inicial, feedback, reelaboração, argumentação e síntese do aprendizado. Também ressaltou a importância de tornar visível o processo de construção dos trabalhos, inclusive por meio do registro do histórico de interações com ferramentas de IA.
Acesso à tecnologia também é questão de equidade
O professor também chamou a atenção para as desigualdades no acesso às ferramentas de IA, especialmente aos recursos pagos. Para o professor, a incorporação dessas tecnologias à educação superior exige que as instituições estabeleçam normas claras sobre os usos permitidos e assumam responsabilidade pelas condições de acesso.
A discussão apresentada no encontro relacionou a equidade educacional a fatores como o acesso a ferramentas, infraestrutura e conectividade, os riscos de vieses algorítmicos e o letramento para o uso crítico da tecnologia. A ideia central é que a inovação tecnológica, quando não acompanhada de preocupações com justiça social, pode aprofundar desigualdades já existentes.
A pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação da Uniso, Luciane Lopes, que mediou o debate, destaca as trajetórias desiguais que as(os) estudantes percorrem desde o ensino fundamental até chegarem à universidade. “Muitas vezes lemos essas diferenças como fracasso individual, quando não o são. Com a IA, quem já tem repertório tende a usá-la para aprender mais, e quem não tem, para substituir o próprio esforço. É preciso discutir um projeto curricular que possa evitar que a IA aprofunde essas desigualdades”, avalia.
Ciclo segue até outubro
O debate sobre inteligência artificial inaugura uma programação de cinco oficinas que se estende até 16 de outubro. Os próximos encontros abordarão desafios na jornada educacional, currículos em movimento, avaliação e o papel da pós-graduação na formação de pesquisadoras(es) e professoras(es).
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por formulário online.
GT Comunicação Coalizão Brasileira pelas Evidências
6ª Reunião Ampliada da Coalizão Brasileira pelas Evidências debate monitoramento de políticas públicas
O encontro de agosto contou com uma edição especial da Vitrine das Evidências, dedicada aos sistemas de monitoramento e avaliação para aprendizagem organizacional, e com a Roda de Diálogo sobre iniciativas de Diagnóstico Situacional em Políticas Informadas por Evidências (PIE) no Brasil.
A Coalizão Brasileira pelas Evidências realizou, na segunda (31/08), a 6ª Reunião Ampliada de 2026, dando continuidade a um espaço de intercâmbio de experiências, pesquisas e iniciativas voltadas ao fortalecimento das Políticas Informadas por Evidências (PIE) no Brasil.
O encontro reuniu duas agendas complementares: uma edição especial da Vitrine das Evidências, dedicada aos sistemas de monitoramento e avaliação para aprendizagem organizacional, e a continuidade da Roda de Diálogo sobre iniciativas de Diagnóstico Situacional em PIE no Brasil.
Vitrine das Evidências
Com o tema “De avaliações úteis a sistemas que favorecem a aprendizagem: fatores que influenciam o uso de evidências para a tomada de decisão”, a Vitrine das Evidências recebeu Débora Paim, analista de Políticas Públicas e Gestão Governamental da Prefeitura de São Paulo.
A partir de sua pesquisa sobre sistemas de avaliação e aprendizagem organizacional no Centro Operacional de Bruxelas dos Médicos Sem Fronteiras, Débora discutiu um desafio central para organizações que buscam trabalhar com evidências: produzir avaliações e conhecimento não significa, automaticamente, produzir aprendizagem.
Seu estudo aponta que fatores como fragmentação dos sistemas, alta rotatividade de profissionais, pouca integração entre diferentes áreas e níveis da organização e uma “cultura de emergência” podem dificultar a transformação de dados e avaliações em aprendizagem institucional. Ao mesmo tempo, mostra que o uso do conhecimento pode gerar desde ajustes cotidianos em projetos até mudanças mais profundas em estratégias e políticas.
A principal mensagem é que a aprendizagem organizacional não é consequência automática da existência de avaliações. Para que aconteça de maneira sistemática, são necessárias produção intencional de conhecimento, estratégias de intermediação das evidências, acesso às informações e envolvimento de quem irá utilizá-las.
Diagnóstico do ecossistema brasileiro de evidências
Na sequência, a Roda de Diálogo avançou na discussão sobre o ecossistema brasileiro de evidências com Fernanda Carrer, professora associada da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo e coordenadora do Núcleo de Evidências em Políticas e Análises Econômicas (Nepae-USP). Sua apresentação, “Mapeamento do Ecossistema de Evidências no Brasil”, trouxe um panorama sobre instituições, capacidades, redes e barreiras relacionadas à produção, intermediação e uso de evidências no país.
Os resultados apresentados indicam um ecossistema de evidências em saúde em processo de consolidação, marcado pela coexistência de capacidades científicas e institucionais relevantes com fragilidades estruturais persistentes. Entre os principais obstáculos apareceram falta de financiamento, insuficiência de recursos humanos, necessidade de capacitação técnica, pouco tempo de dedicação aos Núcleos de Evidências, dificuldades de institucionalização das PIE e baixa articulação com gestores.
Também foram destacadas assimetrias regionais, dispersão das capacidades existentes e baixa visibilidade de instituições e agentes-chave que já atuam com evidências. O diagnóstico reforça que o fortalecimento do ecossistema depende de uma articulação mais efetiva entre produção de conhecimento, gestão pública e necessidades sociais.
Ecoevi Brasil
A reunião foi mediada por Cecilia Setti, coordenadora de projetos do Instituto Veredas, que apresentou o Projeto Ecossistema de Evidências em Saúde (Ecoevi Brasil), que mapeou, em níveis federal, estadual e municipal, instituições e agentes-chave, apontando ferramentas para institucionalização do uso de evidências, por meio de metodologias de autoetnografia e disseminação dos resultados.
Edição especial
A próxima Reunião Ampliada será realizada em 28 de setembro, com programação especial para celebrar os 5 anos da Coalizão Brasileira pelas Evidências. Em breve, mais informações no nosso site.
GT Comunicação Coalizão
Universidade de Sorocaba e Coalizão pelas Evidências discutirão formação de professoras(es) em Saúde durante 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação. Inscreva-se
O evento gratuito será realizado entre 16 de setembro e 16 de outubro, com atividades sobre temas relacionados à formação, currículo, docência, avaliação e aprendizagem. As inscrições já estão abertas
A Universidade de Sorocaba (Uniso), o Núcleo de Evidências Seriema (Nev Seriema) e a Coalizão Brasileira pelas Evidências, realizarão entre os dias 16 de setembro e 16 de outubro o VII Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora. Com o tema “Quem forma quem ensina? Rupturas necessárias na jornada de aprendizagem em saúde”, o evento será online e aberto à comunidade acadêmica e público em geral. As inscrições devem ser realizadas via formulário online.
Em sua sétima edição, o ciclo reúne doutorandas(os), docentes universitárias(os) e pesquisadoras(es) da área da saúde para refletir criticamente sobre a formação de professoras(es) para a educação superior. A programação inclui cinco atividades, entre conferências e painéis, com educadoras(es) e gestoras(es) de referência no Brasil e no exterior.
A aula inaugural, no dia 16 de setembro, aborda “IA, currículo e docência: o que a graduação decidiu não discutir”, com o professor Marcos Garcia Neira, da Universidade de São Paulo (USP). Na sequência, estão previstos painéis sobre desafios na jornada educacional, currículos em movimento, avaliação e o papel da pós-graduação na formação de pesquisadoras(es) e professoras(es).
O evento propõe examinar como desigualdades acumuladas ao longo da trajetória educacional são frequentemente interpretadas como fracasso individual do estudante na educação superior em saúde. A iniciativa é coordenada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Uniso (PPGCF) Nev Seriema e conta com o apoio da Coalizão Brasileira pelas Evidências.
Programação
16/09 (quarta-feira), 13h–15h Aula Inaugural: IA, currículo e docência: o que a graduação decidiu não discutir Marcos Garcia Neira (USP)
02/10 (sexta-feira), 14h–16h Painel: Desafios e barreiras: a jornada de aprendizagem do ensino fundamental à formação universitária Cláudia Costin (Instituto Salto) e Ernesto Martins Faria (Iede)
09/10 (sexta-feira), 14h–16h Currículos em Movimento Isabel Saccoman (PUC Sorocaba)
14/10 (quarta-feira), 13h–15h Painel: Avaliação: o que conta como evidência de aprendizagem? Domingos Fernandes (ISCTE-IUL, Lisboa), Luiz Ernesto Troncon (FMRP-USP) e Angélica Bicudo (Unicamp)
16/10 (sexta-feira), 14h–16h Painel: A pós-graduação forma pesquisadores ou professores? Valdes Bollela (FMRP-USP) e Carlinda Leite (U. Porto)
As(Os) participantes podem se inscrever para acompanhar uma ou mais atividades, mas a certificação única de 10 horas será emitida exclusivamente para quem registrar presença em pelo menos três dos cinco encontros. Não haverá certificação parcial ou por atividade isolada. Todas as atividades serão realizadas online, ao vivo.
Serviço: O que: 7º Ciclo de Oficinas sobre Educação Problematizadora Quando: 16 de setembro a 16 de outubro de 2026 Onde: Online, ao vivo Inscrições: gratuitas pelo formulário online Certificação: 10 horas para quem participar de pelo menos 3 atividades
Coalizão Brasileira pelas Evidências será parceira do Global Town Hall 2026, encontro internacional que reúne participantes de todo o mundo
Evento virtual e gratuito será realizado em 19 de setembro e promoverá 12 horas de debates sobre desenvolvimento, justiça, tecnologia, cooperação internacional e os desafios da ordem global
A Coalizão Brasileira pelas Evidências é uma das apoiadoras do Global Town Hall, conferência internacional promovida pela Foreign Policy Community of Indonesia (FPCI) que conecta organizações da sociedade civil, universidades, centros de pesquisa, lideranças e especialistas de diferentes regiões do mundo. A sétima edição do encontro será realizada no dia 19 de setembro de 2026, em formato virtual, gratuito e aberto ao público. As inscrições estão abertas no site e haverá entrega de certificado eletrônico.
Com o tema “Calling for a Global U-Turn: Recentering Development, Reclaiming Humanity, Restoring Justice in a Crazi(er) World” – em tradução livre, “Um chamado por uma mudança de rumo global: recolocar o desenvolvimento no centro, recuperar a humanidade e restaurar a justiça em um mundo cada vez mais caótico” – o Global Town Hall 2026 propõe uma reflexão sobre os rumos da ordem internacional e os desafios para recolocar desenvolvimento, justiça e humanidade no centro das decisões globais.
A parceria reforça a presença brasileira em uma rede internacional de organizações comprometidas com o debate público e a construção de respostas para desafios que ultrapassam fronteiras.
Debate global, participação brasileira
Criado pela FPCI, organização dedicada a impulsionar a diplomacia cidadã sediada na Indonésia, o Global Town Hall chega à sua sétima edição com a proposta de promover uma grande conversa global, fomentando a participação significativa de representantes do mundo todo em discussões sobre os desafios globais mais urgentes. Para isso, se preocupou em organizar uma agenda que permita a participação de um público diverso em diferentes fusos horários.
A programação terá duração de 12 horas, reunindo participantes e debatedores de regiões como Sudeste Asiático, Austrália e Nova Zelândia, Sul da Ásia, Oriente Médio, África, Europa, Rússia, Canadá, América do Norte e América Latina. A operação técnica e a organização do evento serão conduzidas a partir de Jacarta, na Indonésia.
A dimensão alcançada pela iniciativa pode ser observada nos números da edição anterior. Em 2025, sob o tema “The Future We Need”, o Global Town Hall reuniu mais de 7.900 participantes de 116 países, em parceria com 74 think tanks, 89 organizações da sociedade civil e 63 universidades. A Coalizão Brasileira pelas Evidências também esteve entre as organizações parceiras daquela edição.
Para 2026, os organizadores pretendem ampliar esse alcance e fortalecer a participação de diferentes vozes e perspectivas no debate internacional. Entre os temas previstos estão a nova ordem mundial; justiça e humanidade; inteligência artificial e tecnologia; manipulação e desinformação; desenvolvimento e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS); diálogo e cooperação entre Norte e Sul Global; o futuro das Nações Unidas; e uma sessão especial sobre a Palestina.
Sociedade civil diante dos desafios globais
A escolha do tema desta edição parte da avaliação dos organizadores de que o cenário internacional atravessa um período de crescente fragmentação geopolítica, multiplicação de conflitos armados, enfraquecimento do respeito ao direito internacional humanitário e perda de impulso no cumprimento dos ODS.
Diante desse contexto, o Global Town Hall busca oferecer uma plataforma aberta, inclusiva e independente para que os participantes possam discutir questões de alcance global a partir de diferentes perspectivas políticas e regionais.
Saiba mais
O quê: Global Town Hall 2026 – 7ª edição Quando: 19 de setembro (sábado) Onde: Online (12 horas de programação internacional) Inscrições:Pelo site oficial do Global Town Hall