Em evento sediado na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (SP), Coalizão Brasileira pelas Evidências se reúne para dialogar sobre Ciência da Implementação.

Entre os dias 25 e 27 de setembro de 2026, a Coalizão Brasileira pelas Evidências esteve em Campinas (SP) para o 1º Congresso Latino-Americano de Ciência da Implementação Aplicado aos Sistemas Públicos de Saúde (Clacis 2026) . O evento reuniu pesquisadoras(es), profissionais, gestoras(es) e estudantes com o objetivo debater a aplicação da ciência da implementação nos sistemas públicos de saúde, considerando os desafios e as singularidades da América Latina.
Encontro Integrado de Redes de Evidências e Ciência da Implementação

Em parceria com a organização do Clacis, a Rede de Ciência da Implementação em Saúde (Recis), a Rede Nacional de Evidências em Direitos Humanos (ReneDH) e a Rede Colaborativa Centro de Pesquisa em Regulação, Gestão e Avaliação em Sistemas e Serviços de Saúde (Cepe Gera), a Coalizão articulou a atividade pré-congresso “Encontro Integrado de Redes de Evidências e Ciência da Implementação”. A atividade teve como objetivo reunir redes estratégicas que atuam na interface entre produção, tradução e uso de evidências, promovendo um espaço de diálogo sobre engajamento, sustentabilidade, financiamento e articulação de redes de evidências.
Jéssica Farias, articuladora da Coalizão Brasileira pelas Evidências, pontuou as expectativas em torno da integração entre as diversas iniciativas de evidências espalhadas pelo país:
“Temos o objetivo de integrar as redes de evidências que o nosso Brasil tem espalhadas. Para nós, é um orgulho estar nesse evento para promover o que a Coalizão considera mais importante: espaços de fato co-geridos, participativos, onde a gente possa se conhecer, trocar e pensar em projetos conjuntos”, disse.

Reforçando essa perspectiva, Ana Lígia Passos Meira, da Rede Colaborativa Cepe Gera e integrante da Coalizão, enfatizou a potência da união regional e do levantamento de evidências robustas para apoiar a tomada de decisões:
“É por isso que a gente está aqui conectando saberes, pessoas, redes, instituições. Queremos integrar nossa voz, nosso jeito, nosso conhecer, nosso traduzir e nosso fazer ciência da implementação com outras experiências latino-americanas”, afirmou.
Carlos Treichel, mediador da mesa de diálogo e membro da comissão organizadora do evento, destacou a potencialidade das Políticas Informadas por Evidências (PIE) e da Ciência da Implementação caminharem cada vez mais juntas e em redes colaborativas, a fim de fortalecer as políticas públicas de saúde de maneira crítica e considerando os desafios e as singularidades da América Latina.
As falas convergiram para um chamado à ação coordenado entre organizações-chave das redes. O engajamento em redes colaborativas é um processo, uma jornada conquistada diariamente. Iniciativas, como as apresentadas, fortalecem os processos de avaliação dos resultados e dos impactos das redes de evidências no ecossistema brasileiro.

Coalizão e sua diversidade temática
A Coalizão levou aos debates um percurso que vai da formulação à prática das políticas de saúde. Os trabalhos apresentados abordam a institucionalização das PIE no SUS, questões de vigilância em saúde, e exemplos de implementação concreta: do Programa PACK na atenção primária de Porto Alegre à co-construção de uma pesquisa de implementação no rastreamento do câncer. A participação social também aparece nos resumos, como no painel de cidadãs sobre as barreiras ao cuidado em saúde mental de crianças autistas. Sustentando tudo isso, a Coalizão apresentou ferramentas e métodos para qualificar a tomada de decisão, como a adaptação transcultural de um checklist da OMS, a tradução da taxonomia Health Systems Evidence, o mapeamento do ecossistema de evidências e a modelagem integrada para avaliar a implementação.









Gestão e institucionalização no SUS: as pesquisadoras Sandra Maria do Valle Leone de Oliveira e Camila Cunha Maia Nogueira Nunes apresentaram avanços na institucionalização das PIE e em sua aplicação na vigilância em saúde do Ministério da Saúde. Sobre as ferramentas de avaliação, Luis Phillipe Nagem Lopes (Universidade de Sorocaba) discutiu a adaptação transcultural de um checklist da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o contexto brasileiro.
- Equidade e Atenção Primária: A implementação prática de intervenções em saúde foi exemplificada por Ana Maria Bim Gomes com o programa Practical Approach to Care Kit (Pack) na Atenção Primária de Porto Alegre (RS). No campo da saúde mental, Luis Phillipe Nagem Lopes também abordou as barreiras de acesso aos serviços para crianças autistas.
- Inovação Metodológica e Monitoramento: O mapeamento do ecossistema de evidências e a adaptação da taxonomia Health Systems Evidence (um sistema de classificação estruturado, que organiza as evidências científicas1) foram conduzidos por Hadassa Barros de Pieri. Já Ana Lígia Passos Meira trouxe abordagens de modelagem integrada, enquanto Cintia Freitas debateu a co-construção de pesquisas participativas no rastreamento oncológico.

Compromisso coletivo
A Coalizão assina o compromisso coletivo assumido no CLACIS 2026: expandir as linhas de pesquisa em sustentabilidade e fortalecimento de uma Ciência da Implementação latinoamericana. Fortalecer os espaços participativos e capilarizar a cooperação, garantindo que o conhecimento científico somado à experiência acumulada ao contexto de cada região ecoe diretamente na melhoria dos serviços prestados pelos sistemas públicos de saúde.
GT de Comunicação da Coalizão
Participação da Coalizão
| Sessão | Título do trabalho | Apresentação |
| Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 03 – Evidências, Gestão e Cuidado: Inovações e Desafios para a Institucionalização no SUS | Apoio à institucionalização de políticas informadas por evidências no SUS | Sandra Maria do Valle Leone de Oliveira | Fiocruz MS) |
| Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 05 – Equidade e Qualidade no Cuidado às Condições Crônicas: Desafios de Implementação | Implementação do Programa PACK na atenção primária de Porto Alegre (RS) | Ana Maria Bim Gomes | Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) |
| Apresentação Oral 01 – Implementações participativas: co-criações, co-construções, desafios e potencialidades | Co-construção de uma pesquisa de implementação no rastreamento do câncer | Cintia Freitas | Hospital Israelita Albert Einstein |
| Apresentação Oral 04 – Da Evidência à Prática: Implementação de PIE em Sistemas Públicos | Adaptação transcultural de um checklist da OMS para avaliação da institucionalização das Políticas Informadas por Evidências no Brasil: estudo metodológico | Luis Phillipe Nagem Lopes | Universidade de Sorocaba (Uniso) |
| Apresentação Oral 04 – Da Evidência à Prática: Implementação de PIE em Sistemas Públicos | Institucionalização de PIE na vigilância em saúde do Ministério da Saúde | Camila Cunha Maia Nogueira Nunes | Ministério da Saúde |
| Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 14 – Saúde Biopsicossocial: diálogos entre saúde mental, bucal, cuidados paliativos e garantia de direitos | Barreiras aos serviços de saúde mental para crianças autistas no Brasil: resultados de um painel de cidadãs | Luis Phillipe Nagem Lopes | Universidade de Sorocaba (Uniso) |
| Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 13 – Territorialização, segurança alimentar e ferramentas de avaliação no SUS | Modelagem integrada para avaliação da implementação no SUS | Ana Ligia Passos Meira (Rede Colaborativa GERA de Pesquisas em Regulação e Avaliação em Saúde) |
| Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 09 – Protocolos, Métodos, Taxonomias e Indicadores | Mapeamento do ecossistema de evidências e sua produção em implementação | Hadassa Barros de Pieri | Núcleo de Evidências e Análises Econômicas em Saúde Bucal da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo |
| Roda de Conversa / Círculo de Diálogo 09 – Protocolos, Métodos, Taxonomias e Indicadores | Tradução e adaptação transcultural da taxonomia Health Systems Evidence | Hadassa Barros de Pieri |
| Mesa-redonda | Por que boas políticas nem sempre se implementam? Desafios da gestão em Sistemas Públicos de Saúde | Convidados: Andrés Felipe Agudelo-Hernández (Universidad de Burgos); Gastão Wagner (Unicamp); Jorge Otávio Maia Barreto (Fiocruz) |