16 out 2026

Coalizão Brasileira pelas Evidências debate política pública, saúde e equidade em simpósio internacional

Integrantes da Coalizão participaram de debates e apresentaram trabalhos sobre o uso de evidências para a formulação de políticas públicas, a qualificação dos serviços de saúde e a promoção da equidade.

A Coalizão Brasileira pelas Evidências participou do 2º Simpósio Internacional de Síntese e Implementação de Evidências em Saúde (2º Siies), promovido pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (Eeusp) e pelo Centro Brasileiro para o Cuidado à Saúde Baseado em Evidências (JBI Brasil) nos dias 14 a 16 de outubro, em São Paulo(SP). O evento reuniu pesquisadoras(es), profissionais da saúde, gestoras(es) públicos e representantes de organizações nacionais e internacionais para discutir caminhos para fortalecer o uso de evidências científicas na prática clínica, na gestão dos serviços e na formulação de políticas públicas.

Representando o Instituto Veredas, Laura Boeira, gestora de redes e parcerias, participou de duas atividades. Em uma das mesas, sobre teorias, modelos e frameworks da ciência da implementação, ela contribuiu para o debate sobre as abordagens que orientam a incorporação do conhecimento científico às práticas e aos serviços. A atividade contou também com a participação de Carlos Alberto dos Santos e Maria Clara Padoveze, da Universidade de São Paulo (USP), e Craig Lockwood, da Adelaide University; JBI Australia, com mediação de Ivone Evangelista Cabral (Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro e core staff do JBI Brasil).

Laura também foi palestrante na mesa-redonda “Política de Implementação da Ciência no Mundo Contemporâneo”, com a apresentação “Implementação de Evidências na Formulação de Política Pública”. O debate abordou questões fundamentais para aproximar a produção científica dos processos de decisão e implementação de políticas, em diálogo com as contribuições de Stephen Timmons, da University of Nottingham, sobre equidade na ciência da implementação, e de Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, sobre ciência da implementação na saúde digital.

Ana Estela Haddad, Stephen Timmons, Karina Sichieri e Laura Boeira

“A nossa participação reforça a importância de avançar não apenas na produção e síntese de evidências, mas na compreensão dos fatores institucionais, políticos e sociais que influenciam sua utilização. Esse é um desafio central para organizações que atuam na promoção de políticas informadas por evidências, especialmente diante da necessidade de construir respostas mais efetivas, equitativas e contextualizadas aos problemas de saúde”, compartilhou Laura.

Produção científica e colaboração em rede

Liza Yurie Teruya Uchimura, Roberta Alvarenga, Laura Boeira e Maritsa Bortoli (integrantes da Coalizão)

Integrantes da Coalizão também apresentaram trabalhos que demonstram a diversidade de temas e abordagens mobilizados por essa rede. As contribuições incluíram sínteses de evidências para políticas públicas, revisões rápidas, revisões de escopo e estudos sobre a organização e o funcionamento do ecossistema de evidências em saúde.

Entre os temas apresentados por Maritsa Carla de Bortoli, do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IS-SES/SP) destacaram-se a experiência do projeto Primeira Infância Para Adultos Saudáveis (Pipas) na implementação de ações de desenvolvimento infantil, da pesquisa à ação; estratégias de educação em saúde para crianças na atenção primária; e evidências sobre intervenções para melhorar o acesso à saúde de populações vulnerabilizadas.

Hadassa Barros de Pieri, do Núcleo de Evidências e Análises Econômicas em Saúde Bucal da Faculdade de Odontologia da USP, apresentou um estudo sobre as conexões entre produção, financiamento e intermediação no ecossistema brasileiro de evidências em saúde bucal. Já Bruna Carolina de Araújo, do Hospital Sírio Libanês, contribuiu com trabalhos sobre competências profissionais em avaliação de tecnologias em saúde e sobre o uso de revisões sistemáticas para subsidiar decisões judiciais em saúde no Brasil.

A ampliação do acesso aos serviços de saúde também esteve em destaque. Letícia Aparecida Lopes Bezerra da Silva, do  IS-SES/SP, apresentou estudos sobre as barreiras enfrentadas por puérperas no acesso aos serviços de saúde e sobre estratégias para ampliar esse acesso. Taís Rodrigues Tesser, do mesmo instituto, abordou uma revisão de escopo sobre programas e políticas de apoio ao cuidador domiciliar e estratégias de prevenção e redução da violência escolar, a partir de uma síntese de evidências.

Outras contribuições de Liza Yurie Teruya Uchimura, do Hcor, abordaram três temas relevantes para a saúde: a efetividade da recuperação intraoperatória de sangue em pacientes cirúrgicos, (técnica de autotransfusão que permite coletar, processar e reinfundir o sangue perdido durante a cirurgia com maior risco de sangramento), a segurança do tratamento preventivo da tuberculose em crianças em menores de 5 anos, e o papel de mediadores interculturais na qualificação do acesso à Atenção Primária à Saúde de migrantes, refugiados e solicitantes de asilo. Esses profissionais atuam como facilitadores da comunicação e da compreensão entre pessoas de diferentes origens culturais, contribuindo para um cuidado mais acessível e culturalmente.

O conjunto dos trabalhos evidencia como a síntese e a implementação de evidências podem apoiar decisões em diferentes áreas, desde a saúde materno-infantil até a equidade no acesso aos serviços, a segurança do cuidado e a qualificação das políticas públicas. O evento contou ainda com a presença de Roberta Alvarenga Reis, fonoaudióloga e professora do Departamento de Odontologia Preventiva e Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), membro da Coalizão.

Colaboração para fortalecer o uso de evidências 

Liza Yurie Teruya Uchimura, Taís Tesser,Letícia Bezerra da Silva, Bruna Araújo, Maritsa Bortoli e Laura Boeira.

A presença de integrantes da Coalizão no 2º Siies evidencia a relevância da colaboração entre pesquisadoras(es), instituições de ensino, organizações de intermediação do conhecimento e gestores públicos para fortalecer a conexão entre ciência e tomada de decisão.

Para as(os) participantes do evento, o desafio é criar condições para que as melhores evidências disponíveis sejam consideradas na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas e práticas clínicas, respeitando os contextos locais e as necessidades das populações.

Como próximos passos, almeja-se ampliar o diálogo entre diferentes iniciativas e fortalecer uma agenda compartilhada de promoção de políticas informadas por evidências no Brasil, com atenção à equidade, à efetividade das intervenções e à melhoria dos sistemas de saúde.

GT de Comunicação da Coalizão