16 abr 2026

Coalizão Brasileira pelas Evidências lança o Relatório de Atividades de 2025 e destaca mapeamento inédito do campo das evidências para saúde no Brasil

A publicação traz o mapa com 336 profissionais e organizações que formam a Rede de Evidências do SUS e destaca a importância das redes colaborativas para a produção de ferramentas para a gestão pública e a expansão das Políticas Informadas por Evidências (PIE) em todo o território nacional.

A Coalizão Brasileira pelas Evidências lançou o Relatório de Atividades 2025, que revela um ano de intensa articulação entre a academia, a gestão pública e a sociedade civil, e reflete o amadurecimento da rede e o aprofundamento das Políticas Informadas por Evidências (PIE) em todas as regiões do país.

Articulação em rede e projeção internacional

A forte atuação em rede e a presença em eventos estratégicos marcaram o ano de 2025, projetando a Coalizão nacional e internacionalmente. As nove Reuniões Ampliadas mensais revelaram as iniciativas inovadoras da rede, mantendo um forte engajamento, com a participação média de 32 pessoas por encontro. No cenário externo, o grupo assumiu uma posição de liderança e voz ativa do Sul Global ao integrar o consórcio internacional Evidence Synthesis Infrastructure Collaborative (Esic) e participar do encontro Cape Town Consensus, realizado em junho de 2025, na África do Sul.

“A articulação entre diferentes atores é um mecanismo poderoso para superar a lacuna entre a produção do conhecimento científico e a sua aplicação nas políticas públicas, gerando transformações reais no Brasil, América Latina e em outros cenários mundo afora”, afirma Cintia de Freitas Oliveira, representante do Instituto de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SES) de São Paulo.

Esse intercâmbio foi complementado por uma participação intensa em eventos nacionais de grande relevância, como o 14º Abrascão, a Semana da Avaliação 2025 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília e o 2º Seminário Internacional de Avaliação de Políticas Públicas em Saúde da Universidade de São Paulo (USP).
“A participação de membros da Coalizão no Esic foi fundamental para orientar as prioridades de financiamento para o Sul Global, destacando nossas competências de produção e intermediação de evidências”, afirma Laura Boeira, responsável por Parcerias e Redes do Instituto Veredas.

A força dos Grupos de Trabalho

Para responder às agendas emergentes e garantir a sustentabilidade das ações, a rede expandiu a atuação criando novos Grupos de Trabalho (GTs) temáticos dedicados à Inteligência Artificial e à intersecção entre Educação e Evidências. Esse movimento estratégico foi acompanhado pela elaboração do Plano de Ação 2025 a 2027, cuidadosamente estruturado para conectar a oferta e a demanda de conhecimento, capacitar profissionais e institucionalizar processos. Em paralelo, a metodologia de compartilhar experiências reais de transformação foi consolidada por meio da iniciativa “Histórias de Mudança”, com três novas edições ao longo do ano – duas em formato inédito e interativo com transmissão ao vivo.

As frentes de Desenvolvimento e Comunicação ganharam novas ferramentas para multiplicar o alcance da ciência no país. O GT de Educação Permanente atuou efetivamente promovendo oficinas e debates relevantes por meio das “Quartas de Evidência”, e celebrou o lançamento da terceira edição do curso de Tradução do Conhecimento em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

“Ter um GT voltado para a educação básica é vital para o fortalecimento da pesquisa em educação que se propõe a contribuir com as políticas públicas e seu aprimoramento”, completa Julciane Rocha, representante da PUC-SP que também integra o GT Educação.

Já a área de Comunicação deu um grande salto qualitativo com a criação da Rede de Comunicadoras(es), criada para fortalecer a divulgação científica de forma colaborativa, além de promover a repaginação completa do site oficial da Coalizão, que agora tem foco em acessibilidade e recursos avançados de inclusão, como o VLibras, que traduz trechos selecionados do site para Língua Brasileira de Sinais (Libras).

“As Quartas de Evidência se destacam como momentos formativos voltados ao debate sobre indicadores para subsidiar nosso planejamento estratégico, com abordagens complementares. Outra ação importante desenvolvida pelo GT foi o mapeamento do perfil em docência e em pesquisa dos participantes da Coalizão”, avalia Maíra Barroso Pereira, representante da EPM-Unifesp e integrante do GT de Educação Permanente

Ecoevi-Brasil

Um dos principais destaques do relatório é o Projeto Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil (Ecoevi-Brasil), que mapeou 336 organizações da infraestrutura estratégica de evidências no SUS. A partir das análises, foi possível identificar um dado que exige atenção. No cenário nacional, 85% do ecossistema se concentra na produção de conhecimento, mas apenas 12% atua na mediação e somente 3% no uso direto na gestão.

“Procuramos manter a Rede EvipNET viva e atuante de várias formas para que ela possa dar robustez às decisões do SUS. Com o Ecoevi-Brasil conseguimos fazer o reconhecimento e a qualificação dessa rede. Todos esses resultados vão dar suporte para a elaboração de futuros projetos do Ministério da Saúde, o que comprova a importância dessa parceria”, afirma Marta Roberta Santana Coelho, representante do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde.

As (Os) pesquisadoras (es) e gestoras (es) envolvidas (os) celebraram a entrega de ferramentas metodológicas validadas, como a versão adaptada da Lista de Verificação (checklist) da OMS para institucionalização de PIE, que permite a autoavaliação interna para o fortalecimento das organizações, e o Manual de Análise Situacional, adaptado ao contexto brasileiro, que está pronto para ser aplicado em outros níveis federativos.

“Formamos uma rede de pessoas comprometidas a estabelecer resultados que mostraram a potência de quem trabalha para e com o SUS. Esperamos melhorar a qualidade das políticas públicas, dos programas e ações que são feitos e monitorados no Sistema Único de Saúde”, afirma Fernanda Campos de Almeida Carrer, coordenadora científica do Ecoevi.
Os resultados estão disponíveis nos cinco relatórios e cinco resumos executivos regionais em linguagem acessível, que sintetizam os principais achados e recomendações para o Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Financiado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e articulado com o Ministério da Saúde, o Ecoevi-Brasil contou com a parceria do Instituto Veredas, da Universidade de Sorocaba (Uniso) e da Universidade de São Paulo (USP), reunindo expertise técnica e acadêmica para o mapeamento do ecossistema de evidências em saúde no Brasil.

Múltiplas metodologias foram colocadas em prática num percurso que contribuiu para furar bolhas, reconhecer privilégios e, sobretudo, ampliar o olhar para a realidade e as necessidades de outros cenários”, conclui Alan Maicon de Oliveira, representante da Uniso.

Acesse o Relatório 2025 completo

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Comunicação Coalizão Brasileira pelas Evidências