Coalizão Brasileira pelas Evidências mapeia 336 organizações que formam Rede de Evidências do SUS

Pesquisa nacional inédita revela a infraestrutura de produção, tradução e uso de evidências para a saúde pública, identificando pontos fortes e desafios de articulação em cada região do país

Um levantamento inédito, realizado ao longo de 14 meses, identificou e catalogou a rede de 336 organizações e indivíduos que constituem a infraestrutura estratégica para produzir e usar evidências no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. O mapeamento é o principal resultado do Projeto Ecoevi-Brasil, desenvolvido entre outubro de 2024 e dezembro de 2025. 

A iniciativa é fruto das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais da Coalizão Brasileira pelas Evidências e foi realizada por uma parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (Uniso) e a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e financiamento da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O diagnóstico foi construído a partir de quatro componentes metodológicos principais que se complementaram para fornecer uma visão abrangente do ecossistema: 

  1. Mapeamento de organizações atuantes; 
  2. Autoetnografia organizacional, para compreender histórias e dinâmicas internas; 
  3. Aplicação da Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), adaptada para avaliar a institucionalização do uso de evidências; e 
  4. Análise Situacional, por meio de oficinas regionais que cruzaram dados oficiais com a percepção de agentes-chave.

O estudo revela uma rede diversa, mas com uma concentração massiva na área da produção de conhecimento (85% dos mapeados) e uma fragilidade na ponte entre a ciência e a tomada de decisão, com apenas 12% atuando na mediação e 3% no uso direto de evidências.

“Queríamos saber quem tá produzindo evidências para o SUS, quem tá consumindo essas evidências e quem tá ajudando a aproximar essas evidências de quem toma decisão”, explica Fernanda Carrer, coordenadora-científica do projeto. “Com o resultado, queremos melhorar a qualidade das políticas públicas de saúde, dos programas e das ações que são feitas, monitoradas e avaliadas no SUS”, completa.

A supervisora geral do projeto, Bethânia Suano, destaca que, além do diagnóstico, o Ecoevi entrega duas ferramentas validadas para o contexto nacional: “um manual de análise situacional e a lista de verificação da OMS, que não prevê uma avaliação comparativa nem um ranking, mas uma autoavaliação interna que poderá ser utilizada pelas organizações para seu próprio fortalecimento”.

Retrato Nacional

Do total mapeado, 167 são pesquisadores e núcleos de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vinculados ao Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), evidenciando a força da ciência orientada para as prioridades do SUS. Em seguida, aparecem 36 Núcleos de Evidências (NEVs) da rede EVIPNet Brasil – número que já subiu para 40 após a conclusão do mapeamento –, 33 núcleos de ciência e tecnologia, 20 instâncias governamentais e 76 indivíduos ou instituições cadastrados na Coalizão Brasileira pelas Evidências.

“Ao percorrer as cinco regiões foi possível perceber um ecossistema emergente, diverso, que tem desafios, que tem potencialidades, que é vivo e está se transformando”, avalia Júlia, pesquisadora do projeto. A distribuição dos NEVs, estruturas-chave para traduzir ciência em política, revela certa desigualdade regional: Nordeste (16), Sudeste (14), Centro-Oeste (6), Sul (2) e Norte (2).

“Queremos atuar para fortalecer cada vez mais essa rede, não só ampliando o número de NEVs reconhecidos, mas toda a rede em si porque esses resultados vão dar suporte para o planejamento do Ministério da Saúde”, afirma Marta Coelho, representante do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde.

Desafios e potenciais em cada região

Entre os produtos que resultaram do Ecoevi-Brasil, estão cinco relatórios regionais que detalham as características singulares e os obstáculos comuns enfrentados pelo ecossistema de evidências:

  • Região Norte (27 organizações mapeadas): O diagnóstico aponta um ecossistema emergente e marcado por contrastes, com apenas dois NEVs para atender uma vasta região. A autoetnografia mostrou organizações lutando contra o isolamento geográfico e institucional. Um achado positivo foi a identificação de iniciativas bem-sucedidas de tradução do conhecimento, como o Projeto Ofídio-Venom-Saúde em Rondônia, que integra pesquisa, política pública e comunidade.
  • Região Nordeste (103 organizações mapeadas): Possui a maior rede de NEVs do país (16), com destaque para a forte vocação territorial e pluralismo epistemológico identificado na autoetnografia. As organizações da região se caracterizam por integrar saberes tradicionais e científicos. No entanto, a Análise Situacional apontou fragilidades digitais e a Lista de Verificação revelou limitações em “Recursos e Desenvolvimento”, comprometendo a sustentabilidade.
  • Região Centro-Oeste (26 organizações mapeadas): A região apresenta governança interna relativamente estruturada, segundo a Lista de Verificação, mas sofre com fragilidade na coordenação regional. Os desafios são agravados pela alta rotatividade de gestores e pela fragmentação dos sistemas de informação, conforme a Análise Situacional.
  • Região Sudeste (104 organizações mapeadas): É o polo de maior capacidade científica e concentração de NEVs (14). A Lista de Verificação da OMS revelou uma cultura organizacional madura, mas apontou a Governança como uma fragilidade. A Análise Situacional destacou o gargalo da conectividade (apenas 31% das UBS com internet adequada) como um limitante crítico.
  • Região Sul (62 organizações mapeadas): Possui uma base sólida de produção científica, mas a infraestrutura para aplicar evidências na gestão é limitada. Com apenas dois NEVs, a região enfrenta uma deficiência crítica na mediação do conhecimento. A Análise Situacional identificou a ausência de mecanismos sistemáticos de articulação entre governo, universidades e núcleos.

Caminhos para o Futuro

Os resultados convergentes de todas as regiões apontam para dois caminhos estratégicos para o fortalecimento do ecossistema. O primeiro é a institucionalização de mecanismos de governança que criem comitês, fluxos e mandatos formais para o uso de evidências, superando a dependência de iniciativas individuais. O segundo é o fortalecimento da capilaridade e articulação em rede, especialmente por meio dos NEVs, para que funcionem como hubs regionais que conectem a produção científica às secretarias de saúde municipais e estaduais.

O Projeto Ecoevi-Brasil deixa um legado duplo: um mapa vivo dos atores que podem tornar o SUS cada vez mais fundamentado em ciência robusta e contextualizada, e as ferramentas metodológicas validadas para que esses próprios atores possam continuar a se avaliar e fortalecer. A tarefa agora, como indica o estudo, é transformar essa capacidade instalada em impacto concreto e sistêmico na saúde pública brasileira.

Confira os relatórios regionais e resumos executivos do Projeto Ecoevi-Brasil

Comunicação Veredas

Coalizão Brasileira pelas Evidências apresenta plano para disseminar resultados de projeto que mapeia núcleos de evidências para saúde no país

A Coalizão Brasileira pelas Evidências apresenta nesta quinta (11/12) um Plano de Disseminação estruturado para divulgar os principais resultados do Projeto Ecoevi-Brasil – Ecossistema de evidências para saúde do Brasil. O objetivo é  garantir que as informações alcancem públicos estratégicos, formados por tomadoras(es) de decisão, gestoras(es) e sociedade civil, promovendo a utilização de evidências na formulação de políticas públicas de saúde no Brasil.

O projeto é resultado das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais da Coalizão e realizado por uma parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (Uniso) e a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e com financiamento da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).

Acesso o Plano de Disseminação na íntegra

Com objetivo de mapear, analisar e consolidar o ecossistema de produção, tradução e aplicação de evidências científicas no Brasil, dentre as metodologias, o Ecoevi-Brasil adotou o uso de ferramentas validadas, como a Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma ferramenta desenvolvida pela Rede para Políticas Informadas por Evidências (EVIPNet Global) que permite mapear domínios relacionados à institucionalização do uso de evidências na formulação de políticas de saúde. A ferramenta avalia a capacidade organizacional e os processos associados. 

O plano de disseminação contempla:

  • Públicos estratégicos: gestoras(es) públicas(os), pesquisadoras(es), sociedade civil, profissionais de saúde e financiadoras(es).
  • Produtos e plataformas: relatórios regionais, sumários acessíveis, artigos científicos, webinários, oficinas presenciais e um mapa colaborativo digital.
  • Cronograma de atividades: oficinas, treinamentos, webinários e encontros presenciais em todas as regiões do país.
  • Estratégias de comunicação: site da Coalizão, redes sociais, parcerias institucionais e participação em eventos científicos.

O documento também inclui uma análise de riscos, estratégias de mitigação, monitoramento contínuo e a apresentação da equipe técnica multidisciplinar responsável pela execução.

Para acessar o plano completo, visite:
www.coalizaopelasevidencias.org.br

GT de Comunicação da CBE

Em dezembro, Coalizão Brasileira pelas Evidências realizará encontros regionais para apresentar diagnóstico sobre evidências em saúde. Participe!

Eventos presenciais em todas as regiões do país apresentarão diagnósticos inéditos sobre o uso de evidências na tomada de decisão em saúde 

O Projeto Ecoevi: Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil, uma iniciativa articulada pela Coalizão Brasileira pelas Evidências, entra em sua etapa final, dedicada à disseminação dos resultados por meio de encontros regionais. Serão realizados cinco encontros em formato híbrido (presencial e online) para apresentar, discutir e aprofundar o diagnóstico situacional sobre o uso de evidências na tomada de decisão em saúde em todas as regiões do país. Para participar, presencial ou online, é necessário preencher o formulário de inscrição. Após o registro, enviaremos o link de acesso virtual.

O objetivo dos encontros é fomentar o intercâmbio entre instituições, serviços, núcleos de evidências e gestoras (es) do Sistema Único de Saúde (SUS). A programação de cada evento inclui a apresentação dos resultados do mapeamento regional, rodadas de debate para coletar feedbacks sobre o diagnóstico e identificar necessidades de apoio, além de uma construção coletiva sobre os próximos passos para avançar a agenda de Políticas Informadas por Evidências (PIE) em cada território.

Confira a programação completa dos encontros regionais:

  • Região Centro-Oeste – Brasília (DF)
    Data:
     05/12 (sexta-feira)
    Horário: 14h às 17h (horário de Brasília)
    Local: Fiocruz Brasília, Sala 6, 1º andar
  • Região Norte – Porto Velho (RO)
    Data: 08/12 (segunda-feira)
    Horário: Brasília – 10h às 12h e 15h às 17h30 /Acre – 8h às 10h e 13h às 15h30 / Rondônia: 9h às 11h e 14h às 16h30
    Local: Centro Universitário São Lucas – Afya, Campus I (Auditório)
  • Região Sul – Porto Alegre (RS)
    Data: 09/12 (terça-feira)
    Horário: 16h às 18h30 (horário de Brasília)
    Local: PUC, Sala 326 – Living 360º
  • Região Nordeste – Recife (PE)
    Data: 10/12 (quarta-feira)
    Horário: 9h30 às 12h (horário de Brasília)
    Local: Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (UPE), Sala de Reuniões do MOI, Recife/PE
  • Região Sudeste – São Paulo (SP)
    Data: 12/12 (sexta-feira)
    Horário: a partir das 8h30 (horário de Brasília)
    Local: Faculdade de Odontologia da USP, Anfiteatro CRAI

A participação nos encontros é gratuita e aberta a gestoras(es) públicas(os), pesquisadoras(es), profissionais de saúde, estudantes e a todas as pessoas interessadas em Políticas Informadas por Evidências (PIE). Haverá certificado de participação.

Sobre o Projeto Ecoevi

O Projeto “Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil: diagnóstico situacional do uso de evidências nos níveis federal, estadual e municipal” visa mapear, analisar e fortalecer o ecossistema de produção, intermediação e uso de evidências para políticas públicas de saúde no Brasil. 

A iniciativa é resultado das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais da Coalizão Brasileira pelas Evidências e é realizada por uma parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (Uniso) e a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e com financiamento da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Para mais informações, acesse o site do Projeto Ecoevi.

por: Comunicação Veredas

Foto: Coalizão Brasileira pelas Evidências no 1º Encontro da Coalizão, em agosto de 2024.

Coalizão Brasileira pelas Evidências apresenta mapeamento com resultados do Ecossistema de Evidências em Saúde no Brasil

O próximo passo inclui a divulgação dos resultados em eventos científicos, como o 14º Abrascão (28 de novembro a 3 de dezembro) e Encontros Regionais do Projeto

A Coalizão Brasileira pelas Evidências realizou, nesta quinta (6/11), o 5º webinário do Projeto Ecoevi para apresentar o resultado da aplicação do Manual de Análise Situacional de Políticas Informadas por Evidências (PIE). A ferramenta original da EVIPNet Europa, após adaptação ao contexto brasileiro foi aplicada pelo Projeto Ecoevi, que busca mapear o ecossistema de evidências em saúde no Brasil.

O processo de adaptação da ferramenta para aplicação ao projeto contou com a realização de pilotos, oficinas temáticas e diálogo deliberativo com especialistas. Entre os temas abordados nas oficinas estão o sistema de saúde, sistema de informação em saúde, sistema de pesquisa em saúde e um panorama nacional da agenda das Políticas Informadas por Evidências (PIE) em saúde.  

A ferramenta foi traduzida para o português e teve sua primeira adaptação realizada pelo Hospital do Coração (HCor) e Ministério da Saúde. Ao longo de 2025, a equipe do Projeto Ecoevi conduziu um processo de adaptação contextual, chegando na versão aplicada em outubro para as cinco macrorregiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul), por meio de oficinas com as seguintes temáticas: : Contexto geral (político, socioeconômico e demográfico); Sistema de Saúde; Sistema de Informação e Tecnologia em Saúde; e Pesquisa e Políticas Informadas por Evidências em Saúde.

No Webinário foram apresentadas as  seis etapas adotadas para consolidar a adaptação contextual da ferramenta e aplicação da Análise Situacional pelo Projeto Ecoevi abrangendo todo o país. “É uma ferramenta muito importante para entendermos todo o contexto e os desafios e barreiras do ecossistema em PIE. E a gente tem um país continental e diverso, então a nossa proposta foi adaptar a ferramenta olhando para essas diversidades e entender que o Brasil é composto por diversos Brasis”, afirma Julia Castro Martins, pesquisadora pela Coalizão Brasileira pelas Evidências. 

Diversidade

Para a representatividade nacional, diversidade de agentes institucionais e legitimidade nas ferramentas validades, a estratégia metodológica da análise situacional contou com a participação de organizações produtoras, intermediárias e usuárias de evidências, entre as quais representantes da sociedade civil, institutos de pesquisa, universidades e gestoras(es).

“A nossa instituição, que é a Secretaria Estadual de Saúde de Sergipe, ficou honrosa em ser colaborativa nesse projeto. Foi excelente, nos fez parar e refletir sobre nossas atividades, onde estamos e onde queremos chegar”, disse Giselda Melo Fontes Silva, da Secretaria Estadual de Saúde de Sergipe (SES/SE).

“É bonito ver o percurso metodológico desse estudo e como foi possível gerar um movimento na rede. Estou convencida que temos que desenhar mais trabalhos em rede, que nos unam e nos fortaleçam”, Fernanda Carrer, da Faculdade de Odontologia (USP) e integrante da equipe que idealizou o Projeto Ecoevi.

“Grata pela oportunidade de poder participar das oficinas regionais e representar o meu Nordeste e Ceará”, Maíra Barroso, representante da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

 “O Rio Grande do Sul ficou muito feliz em participar. Nos colocamos à disposição para continuar contribuindo com o fortalecimento das Políticas Públicas Informadas por Evidências”, Suzana Souza, representante da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS)

Projeto Ecoevi

O Projeto Ecoevi tem como objetivo mapear, analisar e fortalecer o ecossistema de produção, intermediação e uso de evidências para políticas públicas de saúde no Brasil, olhando para cada uma das regiões e as especificidades, além de classificar os agentes que fazem parte desse ecossistema.

Entre as etapas que já aconteceram, estão o mapeamento do ecossistema de evidências para políticas públicas de saúde no Brasil, a autoetnografia, a aplicação da lista de verificação e o diagnóstico situacional regional. O projeto está na fase final de disseminação e produção científica.

A divulgação do resultado da aplicação do Manual de Análise Situacional  também será feita em eventos científicos, entre os quais o 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão), que será realizado de 28 de novembro a 3 de dezembro, em Brasília. No início de dezembro vão ocorrer os Encontros Regionais presenciais, em formato híbrido, organizados pelo projeto. Acompanhem nas redes sociais e na página do projeto: coalizaopelasevidencias.org.br/projeto-ecoevi-brasil/

Comunicação Veredas 

Coalizão Brasileira pelas Evidências apresenta resultados parciais de iniciativa da OMS para institucionalização do uso de evidências

4º Webinário do Projeto Ecoevi apresentou a adaptação da ferramenta, considerando o o contexto do SUS

por Comunicação Veredas

A Coalizão Brasileira pelas Evidências realizou, nesta terça (4/11), o 4º Webinário do Projeto Ecoevi: Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil, onde apresentou o resultado parcial da Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A ferramenta metodológica, traduzida pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), foi adaptada para aplicação no contexto brasileiro. 

O Projeto Ecoevi é uma iniciativa é resultado das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais, da Coalizão Brasileira pelas Evidências, e realizada por parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (Uniso), a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e com financiamento da Opas.

Desenvolvimento e aplicação

A Lista de Verificação da OMS é composta por 73 ítens e seis domínios relacionados à institucionalização do uso de evidências: Governança; Padrões e Processos Rotineiros; Parcerias, Ações Coletivas e Apoio Mútuo; Liderança e Comprometimento; Recursos; e Cultura. Ela é destinada a organizações que apoiam o uso de evidências no processo e elaboração de Políticas Informadas por Evidências (PIE), listando uma série de ações para que o uso de evidências se torne parte da rotina.

Com a adaptação, a ferramenta contextualizou itens considerando à realidade nacional. “Chamamos um painel de 30 especialistas, considerando gênero e região, entre tomadores de decisão, profissionais e pesquisadores, interessados envolvidos na aplicação de evidências em políticas. Esses painelistas contribuíram de maneira efetiva para adaptação dos itens proposta”, afirma Luciane Lopes, representante da Uniso.

Ao todo, 17 instituições de todas as regiões do país participaram desta etapa do projeto, entre elas secretarias de saúde, universidades e instituições de pesquisa, organizações sociais e instituições que atuam em políticas públicas e hospitais. 

“Quisemos trazer essa abordagem qualitativa, refletir sobre a história da organização, o que está sendo construído e o que pode ser implementado. Não é uma avaliação, não gera pontuação ou resultado numérico e porcentagem em escala padronizada no final. Ela é uma ferramenta de apoio à reflexão e ao planejamento”, afirma Alan Maicon, da Uniso.

“Tornar essa ferramenta aplicável ao contexto brasileiro é incrível. Não podemos minimizar esse esforço, porque nenhum outro país do mundo está fazendo isso ainda”, afirma Laura Boeira, pesquisadora do Veredas e uma das desenvolvedoras da lista original.

“Agora estamos fazendo a tradução desta ferramenta adaptada ao contexto do Brasil para inglês e vamos debater nossos achados com o grupo que criou a ferramenta original”, completa Luciane. 

Projeto Ecoevi 

O Projeto Ecoevi tem como objetivo mapear, analisar e fortalecer o ecossistema de produção, intermediação e uso de evidências para políticas públicas de saúde no Brasil, olhando para cada uma das regiões e as especificidades que elas representam, além de classificar os agentes que fazem parte desse ecossistema.

Entre as etapas que já aconteceram estão o mapeamento do ecossistema de evidências para políticas públicas de saúde no Brasil, a autoetnografia, a aplicação da lista de verificação e o diagnóstico situacional regional. O projeto está na fase de disseminação e produção científica.

Na quinta (6/11), às 10h30 (horário de Brasília), a equipe apresentará o processo e os achados preliminares do diagnóstico situacional, em oficina online no Zoom. Para participar, basta se inscrever online.  Já na sexta (07/11), às 10h (horário de Brasília), a equipe apresentará na comunidade de práticas da OMS, em inglês, a adaptação da lista de verificação.

Coalizão Brasileira pelas Evidências realizará webinários sobre diagnóstico do ecossistema de evidências em saúde no Brasil. Participe!

Iniciativa irá detalhar a aplicação da Lista de Verificação da OMS, no dia 04/11, e do Manual de Análise Situacional, em 06/11. Os eventos são abertos ao público.

O Projeto Ecoevi: Ecossistema de evidências para saúde do Brasil anuncia a realização de seus dois últimos webinários, que marcam uma fase de divulgação dos métodos e resultados preliminares de sua pesquisa. O projeto tem como objetivo realizar um diagnóstico situacional do uso de evidências nos níveis federal, estadual e municipal de saúde.  Os eventos serão dedicados a apresentar as ferramentas fundamentais utilizadas para esse mapeamento.

Na terça (04/11), será realizado o webinário para se conhecer a aplicação da Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), e na quinta (06/11) sobre o Manual de Análise Situacional. Os webinários serão promovidos das 10h30 às 12h. As inscrições devem ser feitas nos links: Lista de Verificação e Manual de Análise Situacional

A participação nos webinários é gratuita e aberta a gestoras(es) públicas(os), pesquisadoras(es), profissionais de saúde, estudantes e a todas(os) as(os) interessadas(os) em ciência e políticas públicas de saúde.Para mais informações sobre o projeto, acesse o site do Projeto Ecoevi.

WEBINÁRIO 4: Conhecendo a aplicação da Lista de Verificação OMS

Objetivo: Apresentar publicamente a adaptação da ferramenta da OMS, o processo de aplicação no contexto do projeto Ecoevi e os resultados parciais, como o número de organizações abordadas, participantes, horas de coleta de informação e a distribuição territorial das organizações mapeadas.

WEBINÁRIO 5: Conhecendo a aplicação do Manual de Análise Situacional

Objetivo: Detalhar a adaptação e aplicação do Manual de Análise Situacional pelo projeto, compartilhando os resultados preliminares desta etapa, que é central para o diagnóstico qualitativo do ecossistema.

Sobre o Projeto Ecoevi

O Ecoevi visa mapear, analisar e fortalecer o ecossistema de produção, intermediação e uso de evidências para políticas públicas de saúde no Brasil.  A iniciativa é resultado das atividades do Grupo de Trabalho Diagnósticos Situacionais – Coalizão Brasileira pelas Evidências e realizada por parceria entre o Instituto Veredas, a Universidade de Sorocaba (UNISO), a Universidade de São Paulo (USP), em articulação com o Ministério da Saúde e com financiamento da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).por Instituto Veredas

Projeto ECOEVI conclui etapa de Autoetnografia com organizações do ecossistema de evidências

Durante os meses de junho e julho, a equipe do GT de Diagnósticos Situacionais,  que implementa o Projeto ECOEVI, realizou quatro oficinas com nove representantes de organizações e núcleos de evidências de várias regiões do país.

Oficina realizada em junho de 2025

O projeto ECOEVI avançou em mais uma importante etapa em seu objetivo de fortalecer o ecossistema de produção, intermediação e uso de evidências para políticas públicas de saúde no Brasil.

Com o objetivo de aprofundar a compreensão da vivência institucional das práticas cotidianas de organizações-chave do ecossistema de evidências em saúde, a equipe realizou 4 oficinas remotas com duração de 2h cada, com nove organizações representando os seguintes eixos de atuação:

Eixo 1: Gestão pública (usuários de evidências); 

Eixo 2: Universidades e institutos de pesquisa (produtoras de evidências);

Eixo 3: Organizações da sociedade civil ou universidades (intermediárias de evidências). 

A metodologia de Autoetnografia no Projeto ECOEVI Brasil

A autoetnografia é um dos quatro componentes interdependentes da metodologia do Projeto ECOEVI-Brasil (clique aqui para conhecer os outros componentes em detalhes), que visa mapear, analisar e fortalecer o ecossistema de produção, intermediação e uso de evidências para políticas públicas de saúde no país.

No contexto do Projeto ECOEVI, a autoetnografia é utilizada como uma estratégia metodológica complementar e aplicada como uma adaptação da etnografia tradicional (processo mais longo de observação participante intensa). 

Essa adaptação permite coletas de dados mais rápidas sem perder a profundidade e compreensão dos participantes envolvidos. Seus principais elementos incluem:

● Foco na rapidez e efetividade: Coleta de dados em curto período, sem comprometer a profundidade.

● Observação ativa: Registro de experiências e interações de forma estruturada e focada.

● Flexibilidade metodológica: Uso combinado de entrevistas, diários reflexivos e grupos de discussão.

Oficina realizada em julho de 2025

No âmbito do projeto, a metodologia foi adaptada a partir do modelo desenvolvido pela a professora Sandy Oliver, do EPPI-Centre (Evidence for Policy and Practice Information and Co-ordinating Centre). 

A adaptação metodológica e os resultados parciais desta etapa foram apresentados em um webinário realizado no dia 12 de agosto e sua análise, posteriormente, será consolidada em um artigo científico. 

Assista abaixo a gravação do Webinário:

Acesse aqui as apresentações:

Etapa de Autoetnografia – Projeto ECOEVI

Adaptação Ágil da Autoetnografia Coletiva do EPPI Centre à Realidade Brasileira

➡️ Confira aqui o Resumo completo e Glossário (com referências bibliográficas) do Projeto ECOEVI Brasil

Projeto ECOEVI apresenta o tema “Ferramentas para diagnóstico situacional do ecossistema de evidências no Brasil” 

No segundo webinário do projeto, a equipe de pesquisa apresenta a abordagem metodológica e resultados preliminares da análise do ecossistema de evidências em saúde no Brasil.

Na última quinta-feira, dia 5 de junho, foi realizado o 2º Webinário do Projeto ECOEVI, com o tema “Ferramentas para diagnóstico situacional do ecossistema de evidências no Brasil”. O evento ocorreu em formato remoto, das 10h30 às 12h, e contou com a participação de cerca de 45 pessoas, incluindo participantes de outros países, como Bolívia, Cazaquistão e Filipinas (o evento teve tradução simultânea para o inglês).

Integrantes do grupo de pesquisa do GT de Diagnósticos Situacionais da Coalizão Brasileira pelas Evidências, como o NEv Seriema (UNISO) e o Instituto Veredas, conduziram a reunião e a apresentação dos objetivos, metodologias e ferramentas adaptadas no contexto do Projeto ECOEVI, visando avaliar o ecossistema de evidências em saúde no Brasil.

Além da etapa do mapeamento, que reuniu mais de 250 organizações ou núcleos que atuam com diversos tipos de evidências e temáticas aplicadas à saúde, foram apresentadas também no evento duas ferramentas internacionais adaptadas ao contexto brasileiro:

  • Ferramenta 1: Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (Checklist OMS)

Uma ferramenta desenvolvida pela Rede para Políticas Informadas por Evidências (EVIPNet Global), cuja tradução, adaptação cultural e teste piloto estão sendo liderados pela equipe da Universidade de Sorocaba (UNISO). Participam 50 organizações, selecionadas para assegurar diversidade setorial e representatividade geográfica. A validação incluiu a realização de teste piloto, seguido de diálogo deliberativo com especialistas e representantes do Ministério da Saúde.

  • Ferramenta 2: Manual de Análise Situacional (EVIPNet Europa)

O Manual de Análise Situacional, desenvolvido pela EVIPNet Europa (Rede de Políticas Informadas por Evidências em Saúde da Organização Mundial da Saúde – OMS), orienta a realização de diagnósticos situacionais em nível nacional. Para este projeto, a versão original do manual foi adaptada ao contexto brasileiro, com aplicação prevista em níveis estadual e regional. A adaptação e aplicação da ferramenta foram conduzidas pelo Instituto Veredas.

Ambas as estratégias são promovidas pelo Projeto ECOEVI em seus esforços para analisar e contribuir para a ampliação da cultura de políticas públicas de saúde informadas por evidências, visando qualificar a tomada de decisões no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O diálogo foi conduzido por duas das instituições que estão na coordenação do projeto: o Instituto Veredas e a Universidade de Sorocaba (UNISO), além de membros da Coalizão Brasileira pelas Evidências.

O Projeto ECOEVI conta com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde do Brasil.

O evento completo está disponível em nosso YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=ZJe-h5wYsIM 

Apresentações do Webinário (PDF): acesse aqui

Acesse a página do ECOEVI e fique por dentro de todas as novidades: https://coalizaopelasevidencias.org.br/projeto-ecoevi-brasil/ 

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Projeto ECOEVI realiza Diálogo Deliberativo sobre uso de evidências em saúde no Brasil

A equipe de pesquisa do Projeto ECOEVI – Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil realizou, na sexta-feira, 25 de abril de 2025, um Diálogo Deliberativo com especialistas para discutir o uso de ferramentas metodológicas voltadas à análise da maturidade da institucionalização do ecossistema de evidências no país. O evento ocorreu remotamente, por meio da plataforma Zoom, das 9h às 12h, e contou com a participação de 20 especialistas convidados.

O que é institucionalização de Evidências para informar Políticas?

A institucionalização de evidências é um processo dinâmico e contínuo, que busca tornar o uso de evidências como parte natural e rotineira de uma sociedade, cultura ou sistema de políticas públicas. Isso significa compreender que as evidências na perspectiva coletiva e de áreas que produzem, utilizam e são intermediárias deste conteúdo.

O principal objetivo do encontro foi validar a adaptação de duas ferramentas desenvolvidas em âmbito internacional para sua aplicação em âmbito nacional, sendo as seguintes metodologias: 

Ambas ferramentas estão sendo adaptadas pela equipe de pesquisa do projeto e foram apresentadas para análise crítica dos especialistas convidados, à luz do contexto brasileiro, com foco nos desafios e nas estratégias para seu uso em diagnósticos situacionais nos níveis federal, estadual e municipal. 

O Diálogo Deliberativo propiciou um espaço de escuta qualificada e construção coletiva entre pesquisadores, gestores e profissionais da saúde pública, visando obter recomendações dos especialistas para adaptar e fortalecer o uso dessas ferramentas no contexto nacional. Por se tratar de uma etapa preliminar da pesquisa, o evento foi aberto somente a especialistas convidados, que contribuíram com suas percepções. Em junho, será realizado um webinário para compartilhar os principais achados e os desafios encontrados durante todo o processo.

A iniciativa integra os esforços do Projeto ECOEVI para promover uma cultura de políticas públicas de saúde informadas por evidências, contribuindo para decisões mais qualificadas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O diálogo foi realizado por duas das instituições que estão na coordenação do projeto: o Instituto Veredas e a Universidade de Sorocaba (UNISO), além de membros da Coalizão Brasileira pelas Evidências.

O Projeto ECOEVI conta com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde do Brasil.

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A Coalizão Brasileira pelas Evidências apresentou, na quinta (13/02), os primeiros resultados alcançados pelo projeto Ecossistema de Evidências para Saúde do Brasil: Diagnóstico Situacional do Uso de Evidências nos Níveis Federal, Estadual e Municipal (Ecoevi). O evento, promovido de forma online, reuniu pesquisadoras(es), servidoras(es) municipais de diversas localidades e representantes do Ministério da Saúde.

O Ecoevi é executado por diferentes organizações que compõem o Grupo de Trabalho de Diagnósticos Situacionais da Coalizão e tem o objetivo de mapear, descrever e analisar o ecossistema de produção, de uso e de disseminação de evidências para a saúde, nas cinco regiões brasileiras. 

Durante o webinário, foram apresentadas as principais etapas do estudo, que incluem o mapeamento de organizações produtoras e intermediárias de evidências em saúde, divididas entre:

  • Sociedade civil e universidades;
  • Secretarias de saúde de governos estaduais e municipais de capitais;
  • Organizações ligadas à assistência farmacêutica e grupos de pesquisa cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os resultados parciais do estudo foram apresentados por representantes do Instituto Veredas, do Núcleo de Evidências da Faculdade de Odontologia da USP, da Universidade Federal de Pernambuco e do Serviço de Evidências para Monitoramento & Avaliação (Seriema) da Universidade de Sorocaba (Uniso).

Principais achados

O mapeamento incluiu 36 Organizações da Sociedade Civil (OSC), 71 indivíduos, 29 Núcleos de Tecnologias e Inovação de Universidades Federais e Estaduais, 169 Programas de Pesquisa para o SUS (PPSUS), 28 grupos de pesquisa cadastrados no CNPq, além do mapeamento de secretarias de saúde dos governos estaduais e municipais (das capitais).

Durante o webinário, foi apresentada atualização do Mapa Interativo da Coalizão Brasileira por Evidências, que visa facilitar o acesso à rede de profissionais e organizações atuantes em Políticas Informadas por Evidência (PIE), fortalecendo as conexões entre diferentes agentes do ecossistema de Saúde. Os participantes do evento sugeriram estratégias para superar os desafios relatados pelas(os) pesquisadoras(es) e articulando novos contatos para a expansão da pesquisa. 

Saiba mais

O Ecoevi é realizado com apoio da Coordenação de Evidências e Informações Estratégicas para a Gestão em Saúde, do Ministério da Saúde, e é viabilizado por meio de Carta-Acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS). 

Participaram do webinário: Maryana Carmello Costa e Maristela Vilas Boas Fratucci (Núcleo de Evidências da Faculdade de Odontologia da USP); Fernando Antonio de Gusmão Filho (Universidade Federal de Pernambuco); Professora Luciane Cruz (Uniso). O evento foi mediado por Jéssica Farias, integrante da Coalizão Brasileira por Evidências. 

Autoria do texto: Comunicação Veredas