Durante a 48ª Reunião Ampliada, especialistas do Hospital Sírio-Libanês, HCor e Beneficência Portuguesa de São Paulo discutiram como projetos do Proadi-SUS podem fortalecer políticas informadas por evidências, ampliar a capacidade do SUS e garantir resultados sustentáveis por meio de governança, formação de lideranças e avaliação de impacto.

Como garantir que projetos de grande escala deixem um legado real, sustentável e duradouro para o Sistema Único de Saúde (SUS)? Essa foi a questão central da 48ª Reunião Ampliada da Coalizão Brasileira pelas Evidências, realizada de forma virtual, na segunda (29/07), e que reuniu cerca de 40 participantes para discutir a institucionalização das Políticas Informadas por Evidências (PIE) no desenho e na implementação de projetos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
Com o tema “Institucionalização das políticas informadas por evidências no desenho de projetos: experiências do Proadi-SUS”, o encontro promoveu a troca de experiências entre especialistas de hospitais de excelência envolvidos no programa e pesquisadoras(es) que atuam na promoção do uso de evidências na gestão pública.
Três frentes de inovação com Políticas Informadas por Evidências (PIE)
O painel central do webinário foi dividido em três apresentações:
1. Projeto Espie e a Formação de Lideranças
O médico Sílvio Fernandes, coordenador do projeto Estratégias para Políticas Informadas por Evidências (Espie) pelo Hospital Sírio-Libanês, detalhou os esforços de mais de uma década da iniciativa, que já formou mais de 100 especialistas em PIE em todas as regiões do Brasil. Hoje, o projeto apoia secretarias estaduais e municipais na implementação de Núcleos de Evidências (NEV), mudando a cultura organizacional de dentro para fora.
“Não adianta o projeto passar pelo SUS. Precisa deixar mudanças concretas e duradouras. Essa é uma preocupação que nós temos: o projeto precisa deixar mudanças concretas como contribuição para o que ele se propõe”, afirma Sílvio Fernandes (Hospital Sírio-Libanês)
2. Capacitação e Diretrizes Metodológicas
A especialista do HCor, Tatiana Yonekura, trouxe a experiência de anos de atuação da instituição que une a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) às PIE. A instituição já capacitou cerca de 1,5 mil profissionais de saúde e se concentra, sobretudo, na tradução do conhecimento por meio do desenvolvimento de diretrizes e sínteses de evidências. Tatiana ressaltou as parcerias interinstitucionais.
“A gente nunca trabalha sozinho, todo esse percurso só foi possível pela colaboração. (…) É muito caro pra gente apoiar a sustentabilidade dos processos. Queremos que de fato tudo o que a gente produz seja implementado e não seja apenas engavetado”, afirma Tatiana Yonekura (HCor)

3. Avaliação de Impacto e Causalidade
O painel foi concluído com a apresentação de Cleyton Zanardo, líder de dados e estatísticas da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP). Cleyton detalhou a rigorosa abordagem econométrica e quantitativa adotada pelo hospital para medir a inferência causal de projetos estratégicos, como o PlanificaSUS e o QualiGuia, e reforçou a importância da união entre os olhares quantitativos e qualitativos.
“É um desafio, não é fácil. Mas cada vez que a gente consegue executar uma avaliação, mesmo ela às vezes não sendo positiva, eu fico muito feliz porque é uma vitória”, avalia Cleyton.

A mediação do diálogo foi conduzida por Jessica Farias, representante da Coalizão, e Frederik Dejonghe, pesquisador do Insper.
O debate trouxe reflexões sobre os benefícios das parcerias no âmbito do Proadi-SUS, especialmente na transferência de capacidades técnicas para o SUS, e sobre os riscos relacionados à necessidade de maior apropriação institucional e governança. Frederik mencionou os recursos investidos no programa, que somam cerca de R$3 bilhões no último ciclo, e apontou para o principal desafio das parcerias público-privadas na saúde.
“O risco de delegar parte da responsabilidade para um parceiro privado é que às vezes o Ministério [da Saúde] não consegue se apropriar disso. Então, tem que ter uma governança que se preocupa com a troca de conhecimentos e o estabelecimento disso na prática”, avaliou Frederik Dejonghe.
Além das reflexões sobre os desafios em relação às abordagens para monitoramento e compreensão dos resultados do programa, participantes levantaram também o ponto da sustentabilidade dos conhecimentos produzidos e transferidos aos territórios, incluindo a importância de adaptações locais para garantir a aplicabilidade das estratégias em diferentes contextos do SUS.
Acesse os materiais na íntegra:
Se você perdeu a reunião ou quer se aprofundar nos debates e metodologias apresentadas pelos especialistas, confira os conteúdos completos disponibilizados pela Coalizão:
- Ata do encontro em PDF (com resumo das apresentações): Acesse o documento original aqui
- Vídeo completo: Assista no canal do YouTube da Coalizão.
Texto: Comunicação Colaborativa Coalizão Brasileira pelas Evidências